Na véspera do tão aguardado clássico entre o Benfica e o FC Porto, José Mourinho, o polémico treinador português, não deixou de responder às críticas que lhe têm sido dirigidas. Em uma conferência de imprensa carregada de emoção, Mourinho fez uma análise detalhada sobre os primeiros meses de sua nova passagem pelo Benfica e reafirmou sua determinação em manter a sua identidade, independentemente das adversidades que enfrenta.
“Vou ser Mourinho até ao fim”, declarou ele com firmeza, desafiando as expectativas alheias. “O diálogo com os jogadores correu muito bem, mas não consigo ser aquilo que vocês querem que eu seja. Nem como homem, nem como treinador.” Com essas palavras, Mourinho deixou claro que não se submeterá a pressões externas. “Eu não consigo jogar mal e dizer que joguei bem, eu não consigo aceitar mediocridade, nem dos outros, nem da minha parte,” acrescentou, refletindo sobre a recente eliminação da Taça da Liga nas meias-finais contra o SC Braga.
O treinador não hesitou em criticar o que considerou uma “telenovela sem fim” em torno das suas atuações e decisões, lembrando que, na véspera da derrota, expressou o seu desejo de vencer a competição, não por si, mas pelos adeptos e pela qualidade do grupo que tem à sua disposição. “É um grupo, do ponto de vista humano, fantástico, eu amo aqueles gajos,” frisou, reafirmando a sua conexão com os jogadores.
Mourinho também se destacou ao compartilhar uma visão sobre a sua longa carreira, onde a relação com os seus jogadores se tornou um dos aspectos mais gratificantes. “Graças a Deus que não estou a falar em 100% dos meus jogadores, se não alguma coisa estaria errada,” disse, aludindo ao contacto que mantém com ex-jogadores, alguns com 55 anos, que frequentemente o procuram. “Cheguei onde cheguei sendo quem sou e como sou, os meus jogadores na sua maioria gostam de mim e estou a falar de centenas de jogadores.”
Ele exemplificou a sua abordagem direta: “Eu sou capaz de dizer a um jogador ‘tu não jogaste nada’, sou capaz de criticar publicamente, mas também sou capaz de defender quem merece. Quando quiseram criticar o Dahl pela assistência que fez ao Patrick Schick, eu saí a dizer que no Dahl não se tocava, que no domingo era Dahl e mais 10.” Essa defesa apaixonada ilustra seu compromisso com os jogadores e sua recusa em se dobrar às críticas externas.
Mourinho não se intimidou e concluiu com uma afirmação poderosa sobre sua trajetória: “Cheguei aqui pelo meu próprio pé, sabem onde cheguei. Como jogadores como Ronaldo, Eusébio e Figo chegaram onde chegaram, como treinador só um em Portugal é que chegou. Eu não vou mudar, sinto muito.” Com essas palavras, o “Special One” reafirma sua posição no futebol, determinado a continuar sua jornada sem abrir mão da sua essência.
O clássico com o FC Porto promete ser um palco de emoções intensas, onde Mourinho vai, sem dúvida, trazer toda a sua convicção e paixão pelo futebol, desafiando não só os críticos, mas também as expectativas de todos os adeptos.
