Portugueses no méxico pedem a mesma garra que Cabo Verde no mundial

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“Se tivéssemos metade da garra que tem Cabo Verde, tínhamos vencido o jogo.” Esta frase, carregada de frustração, ecoa entre os portugueses que vivem em Santiago de Querétaro, no México, após o desaire da selecção nacional no arranque do Mundial. Enquanto os adeptos lusos enchem restaurantes e casas para apoiar as quinas a milhares de quilómetros de casa, o ambiente é de desilusão e exigência máxima para os próximos jogos decisivos.

A estreia de Portugal frente à República Democrática do Congo terminou com críticas ferozes vindas da diáspora portuguesa. O jogo, transmitido em ecrãs em pleno centro histórico de Querétaro, ficou marcado por uma exibição apática e sem chama, contrastando com o entusiasmo que se sente nas ruas mexicanas, onde Cristiano Ronaldo é rei: murais, t-shirts e até conversas de café giram em torno do número 7 da selecção das quinas. No entanto, nada disto foi suficiente para esconder o mau arranque da equipa orientada por Roberto Martínez, que falhou em corresponder às expectativas elevadíssimas tanto dos portugueses como da comunidade local, sedenta de ver Portugal brilhar no maior palco do futebol mundial.

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A importância deste resultado vai muito além do simples desapontamento de uma estreia infeliz. Para os portugueses no México, este Mundial representa o orgulho nacional e uma oportunidade rara de afirmar a qualidade do futebol português perante um público global. O empate (ou derrota, dependendo do resultado real do jogo inaugural) frente à RDCongo deixou a nu fragilidades anímicas e falta de espírito combativo, justamente aquilo que viram na selecção de Cabo Verde – elogiada por todos pela sua atitude em campo. Este contraste levou a que muitos adeptos questionassem o compromisso e a união do plantel nacional, temendo que uma repetição deste desempenho comprometa seriamente a passagem à fase seguinte.

A voz dos adeptos não se fez esperar. Jorge Ferreira, português a residir em Querétaro desde 2021, não poupou críticas à falta de coesão na equipa das quinas: “Não se consegue fazer um jogo de uma equipa unida e com garra, se tivéssemos metade da garra que tem Cabo Verde, tínhamos vencido o jogo”, afirmou, num claro apelo à mudança de atitude. Também Hélder Fernandes, treinador e responsável por uma academia de futebol em Santiago de Querétaro, partilhou o seu descontentamento em declarações à Lusa, considerando o primeiro jogo “demasiado mau” e apontando diretamente à “falta de atitude dos jogadores e do seleccionador”. Bruno Nobre, outro emigrante português, descreveu o arranque como “uma desilusão”, sublinhando: “as expectativas são muito altas” não só entre os portugueses, mas também entre os mexicanos, que se habituaram a ver Portugal como uma das selecções mais respeitadas do mundo.

Apesar do ambiente pesado, há ainda esperança de redenção nos próximos desafios. Portugal volta a entrar em campo esta terça-feira frente ao Uzbequistão, sabendo que só a vitória interessa para manter vivas as ambições de prosseguir na competição. Sábado, o embate com a Colômbia será o verdadeiro teste ao carácter e à capacidade de superação desta equipa, que precisa urgentemente de mostrar uma atitude condizente com o talento que ostenta.

As críticas da diáspora portuguesa no México são um aviso claro: sem compromisso, sem espírito de sacrifício e sem a famosa “garra” que encantou o mundo em outras campanhas, Portugal arrisca-se a ficar muito aquém do seu potencial. A pressão está agora do lado de Cristiano Ronaldo e companhia, que terão de responder em campo às exigências dos adeptos e ao peso da camisola das quinas. O mundo está a assistir e, para já, os portugueses querem menos vedetismo e mais união – porque, como dizem em Querétaro, “basta metade da garra de Cabo Verde” para voltar a colocar Portugal no caminho das vitórias.

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