No calor do embate entre FC Porto e Nottingham Forest, um lance polémico no Estádio do Dragão desencadeou uma queixa dura por parte do treinador Vítor Pereira, colocando o árbitro Marco Guida sob o escrutínio público. Este confronto europeu, arbitrado pelo italiano de 44 anos, foi marcado por decisões que continuam a ser alvo de intensos debates no futebol português.
Marco Guida, auxiliado pelos compatriotas Giorgio Peretti, Giuseppe Perrotti, e com Matteo Marcenaro como quarto árbitro, contou ainda com o videoárbitro Daniele Chiffi e o AVAR Michael Fabbri, todos italianos, para garantir a justiça no relvado. Contudo, um lance específico aos 8 minutos provocou a contestação: Murillo agarrou Terem Moffi pela camisola fora da área, mas a ação, apesar de clara e persistente, não resultou em penálti porque o agarrão começou e terminou fora da grande área. Uma interpretação rigorosa da Lei 12 das faltas e incorreções, que explica que, nestes casos, o VAR não pode intervir para transformar a infração num penálti. No entanto, ficou por sancionar um pontapé livre direto a favor do FC Porto, algo que deixou os adeptos e a equipa técnica indignados.
A arbitragem continuou a ser rigorosa e disciplinada. Aos 15 minutos, Gabri Veiga viu o cartão amarelo após uma entrada perigosa por trás sobre Dan Ndoye, com contacto no calcanhar e varrimento das coxas – uma punição justa para um lance negligente. Já aos 28 minutos, um pedido de penálti por parte do Nottingham Forest foi legítima e firmemente rejeitado. Chris Wood tocou no calcanhar de Bednarek na área portista, mas a queda do jogador inglês não configurou infração.
O jogo manteve-se tenso e o árbitro adicionou três minutos de compensação ao intervalo, contabilizando dois golos, um cartão amarelo e uma substituição, durante a qual um jogador do FC Porto necessitou de assistência médica.
No recomeço, aos 50 minutos, Nicolás Domínguez cometeu uma entrada imprudente sobre Gabri Veiga, acertando a canela do jogador portista. Foi assinalado livre direto, mas sem qualquer sanção disciplinar, decisão que reforça a linha de tolerância controlada do árbitro. Aos 64 minutos, Igor Jesus, do Nottingham, protagonizou um lance controverso ao acertar com o joelho na cabeça do guardião Diogo Costa, ainda que o árbitro tenha optado por livre indireto por jogo perigoso. A decisão foi confirmada pelo VAR, que anulou o golo dos ingleses, evitando um possível prejuízo para os dragões.
Outros momentos de disputa, como aos 77 minutos, onde houve um choque mútuo com uso das mãos, foram considerados legais, demonstrando a exigência da arbitragem em diferenciar jogadas legítimas de infrações.
No final da partida, cinco minutos de compensação foram adicionados, devido a múltiplas substituições e um golo anulado, com o VAR a pesar decisivamente. Já no último lance, aos 90+4 minutos, Pablo Rosario tentou simular uma falta atirando-se para o chão sem qualquer contacto, atitude que, surpreendentemente, não foi punida com cartão amarelo, mesmo em plena era do VAR onde a simulação deve ser severamente reprimida.
A avaliação final do árbitro Marco Guida foi de 6, uma nota que reflete uma atuação competente, embora com decisões que alimentaram controvérsias e discussões acesas, especialmente no que toca ao lance do agarrão que motivou a queixa de Vítor Pereira.
Este jogo evidencia como a arbitragem continua a ser um dos temas mais sensíveis do futebol moderno, onde a interpretação das regras, a utilização do VAR e a pressão dos momentos decisivos podem fazer toda a diferença entre a glória e a frustração. O FC Porto e os seus adeptos exigem agora respostas claras e, sobretudo, justiça para que episódios polémicos não manchem uma exibição que podia ter tido outro desfecho.
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