A recente derrota do Sporting, que culminou na eliminação da Taça da Liga, deixou o treinador Rui Borges a refletir sobre a situação delicada da sua equipa. Em declarações sinceras, ele abordou a tristeza provocada pelas lesões que afetam o plantel, a pressão constante que envolve o clube e a urgência de uma resposta nos próximos desafios da Liga e da Taça de Portugal.
“Parece que tudo acontece a esta equipa e isso mexe com os jogadores…” expressou Borges, revelando a sua preocupação com a moral da equipa. Ele admitiu que as lesões têm um impacto psicológico significativo, tanto para os jogadores como para o próprio corpo técnico. “É difícil, é algo que até parece de estudo. Pela primeira vez eu sinto mais isso e acredito que a equipa em algum momento também o sinta. Por mais que sejamos positivos e otimistas, custa ver tanta gente de fora e com lesões que não controlamos. Mas jamais servirá de desculpa, volto a dizer. Podíamos ter feito o 2-0, não fizemos e o adversário nos minutos de desconto acreditou e foi feliz.”
Com a possibilidade de o Sporting ficar a sete pontos do FC Porto, a pressão aumenta. Rui Borges não escondeu a preocupação sobre como os resultados recentes podem afetar a confiança da equipa: “A pressão no Sporting é diária. Não tem que ver com os resultados, tem que ver com a pressão de sermos melhores e ganharmos, é isso que queremos. Falta uma segunda volta inteira e vamos tentar fazer uma segunda volta melhor do que a primeira porque só assim é que poderemos estar dentro dos objetivos.”
Questionado sobre a recorrência de lesões, Borges foi claro: “Não é a quantidade de lesões musculares que nos está a colocar jogadores de fora. São coisas que nós não controlamos. Por mais que seja otimista, a minha maior tristeza é sair daqui com menos dois jogadores para o próximo jogo.”
A questão do reforço do plantel também foi levantada. O treinador não hesitou em afirmar que a formação continua a ser uma prioridade para o clube, apesar das dificuldades. “Sabemos que o Sporting também vive da formação. E se tivermos de nos agarrar a eles [jovens da Academia], vamos fazê-lo tal como na época passada. E também não podemos ir ao mercado por mais lesões que tenhamos, caso contrário daqui a dois meses temos 40 jogadores para treinar.”
Relativamente ao clima de desconfiança entre os adeptos, Borges mostrou-se compreensivo: “Vamos tentar lutar por tudo, campeonato e Taça de Portugal. Ainda falta muito jogo e há muito ponto para ser disputado. Quem vai em primeiro está a fazer um campeonato fora do normal. Estamos focados e concentrados no que queremos. Desconfiança? É natural que ninguém esteja contente porque este clube quer estar sempre a disputar os títulos.”
Por fim, sobre a atitude da equipa, o treinador manteve-se firme: “Não. A equipa teve uma boa atitude. Podíamos ter feito o 2-0 e não fizemos, tal como contra o Gil Vicente, e saímos penalizados. Temos de perceber de que forma podemos controlar melhor os jogos na parte final, mesmo com este acumular de cansaço normal.”
Rui Borges, um homem de convicções, promete uma luta incessante por títulos, mesmo diante das adversidades que têm assolado o Sporting. A jornada do clube está longe de terminar e a determinação de Borges poderá ser o fator decisivo na recuperação da confiança dos adeptos e na busca por vitórias.
