Saída de Ronaldo pode causar queda abrupta da seleção portuguesa

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A saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional pode desencadear uma queda abrupta na visibilidade e nas receitas associadas ao futebol português. Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), alertou para o impacto dramático que a ausência do craque terá na marca Portugal, enfatizando que a atenção mediática que Ronaldo atrai é incomparável.

Em declarações à agência Lusa, Daniel Sá explicou que a análise é feita do ponto de vista do marketing, não desportivo: «Pode ser um bocadinho duro de dizer, mas do ponto de vista de marca, Ronaldo é incomparavelmente maior do que toda a seleção portuguesa e mais não sei quantas juntas». O especialista prevê que Portugal «vai cair numa escada rolante a grande velocidade» quando Ronaldo deixar a equipa, devido à perda de exposição e contratos que o jogador gera há mais de duas décadas.

O responsável pelo IPAM sublinha que é Ronaldo quem tem impulsionado a assinatura de diversos acordos comerciais pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), garantindo receitas significativas. Por isso, considera urgente que a FPF comece a traçar uma estratégia para o futuro sem o capitão: «Acredito que a FPF estará a preparar uma narrativa diferente, porque não pode estar dependente de uma pessoa só e tem de exibir outro tipo de argumentos». Daniel Sá destaca a importância de «fabricar ídolos» como ferramenta poderosa para manter a atenção mediática, apelando a uma exploração cuidada dessa nova abordagem.

O momento é particularmente simbólico, já que Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, disputou o que garantiu ser o seu último Campeonato do Mundo, onde entrou para a história como o primeiro jogador a marcar em seis edições do torneio. Portugal foi eliminado nos oitavos de final pela Espanha, que viria a conquistar o título mundial ao bater a Argentina na final.

Para além do jogador, Daniel Sá identifica outras dimensões que contribuem para a projeção global de Ronaldo: o influenciador, o patrocinado por marcas nacionais e internacionais e o investidor em múltiplas indústrias. «Após deixar de jogar, essa marca continuará a crescer», prevê o especialista, antecipando que o impacto de Ronaldo no futebol português e no marketing desportivo se prolongará, embora a Seleção enfrente um desafio imediato na sua ausência.

A urgência de preparar o futuro pós-Ronaldo recai sobre a Federação, que terá de encontrar novos rostos capazes de manter a relevância da Seleção e assegurar a sustentabilidade financeira e mediática do futebol nacional. O fim da era Ronaldo representa, assim, um ponto de viragem que exigirá inovação e estratégia para evitar o declínio que Daniel Sá descreve com tanta contundência.


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