Senegal esmagou o Iraque com uma exibição demolidora e está praticamente com um pé nos 16 avos de final do Mundial, depois de um arranque de competição marcado por derrotas frustrantes. Com a qualificação em risco e a pressão no máximo, os Leões de Teranga responderam como autênticos predadores, cilindrando o adversário por um contundente 5-0 e relançando-se de forma impressionante na corrida pelo apuramento.
O encontro decorreu em Toronto e ganhou contornos decisivos logo nos primeiros minutos. A selecção senegalesa, orientada por Pape Thiaw, entrou em campo consciente de que apenas a vitória — e, idealmente, um resultado volumoso — manteria vivas as esperanças de avançar na competição. Com apenas três pontos somados no Grupo I, após derrotas diante de França e Noruega, não havia margem para hesitações. Do outro lado, o Iraque, também a sonhar com a qualificação, sabia que só um milagre os manteria em prova, especialmente devido à pesada desvantagem de golos.

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Logo aos 4 minutos, Abdoulaye Seck saltou mais alto que toda a defesa iraquiana e abriu o marcador de cabeça, num lance em que Habib Diarra ainda desviou a bola e acabou por celebrar o golo. O pesadelo para os iraquianos intensificou-se aos 13 minutos, quando Sulaka travou Sadio Mané em clara oportunidade de golo. Após consulta ao VAR, o árbitro Anthony Taylor não hesitou e mostrou o cartão vermelho directo ao defesa, deixando o Iraque reduzido a dez e completamente encostado à sua grande área.
A partir daí, o monólogo senegalês foi absoluto, com a equipa africana a tomar conta do jogo e a sufocar o adversário, que se limitou a resistir como pôde. Apesar do domínio territorial, o Senegal teve dificuldades em penetrar na muralha defensiva iraquiana até ao intervalo, mas a avalanche de golos estava prestes a chegar.
Na segunda parte, Ismaila Sarr aproveitou um excelente trabalho individual de Lamine Camara e aumentou a vantagem para 2-0, relançando o ímpeto ofensivo dos Leões de Teranga. O festival de golos arrancou à passagem da hora de jogo, quando Pape Gueye, acabado de entrar, bisou com dois remates indefensáveis — um deles um verdadeiro míssil de fora da área — e Iliman Ndiaye fechou as contas com um golo de levantar o estádio, completando a “manita” senegalesa.
Este resultado tem impacto directo nas contas do Grupo I e nas perspectivas de apuramento. O Senegal fechou a fase de grupos com três pontos e uma diferença de golos positiva de dois, posicionando-se como o melhor terceiro classificado e à frente de todas as selecções com apenas um ponto. A qualificação para os 16 avos de final só poderá escapar aos campeões africanos caso se verifique uma conjugação altamente improvável de resultados nos cinco grupos ainda por concluir. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e alcançámos uma diferença de golos positiva. Agora temos 97% de hipóteses de nos qualificarmos!”, destacou a página Football Meets Data, após o apito final.
A goleada senegalesa teve ainda repercussões noutros grupos, com a Coreia do Sul a ser uma das selecções mais prejudicadas por este desfecho, seguida de perto pela Áustria e Argélia do Grupo J. A Escócia, por sua vez, ficou numa posição extremamente delicada e poderá ver o sonho do apuramento desfeito devido à superioridade do Senegal nesta última jornada.
Pape Gueye, protagonista de dois golos após sair do banco, foi alvo de elogios nas redes sociais, com a Sport TV a escrever: “Gueye entrou com o pé quente”. O médio senegalês demonstrou o seu instinto matador num momento crucial, demonstrando a qualidade e profundidade do plantel de Pape Thiaw.
Por contraste, o Iraque despede-se do Mundial sem qualquer ponto conquistado e com o pior registo defensivo da prova, igualando a Tunísia com doze golos sofridos e apenas um marcado, uma estatística que espelha o fosso competitivo entre as duas equipas.
Com este triunfo avassalador, o Senegal recupera a moral e volta a afirmar-se como um adversário temível para a fase a eliminar, aguardando agora pelo fecho dos restantes grupos para confirmar, quase de forma matemática, a passagem aos 16 avos de final. Caso o apuramento se confirme, os Leões de Teranga prometem ser um osso duro de roer e poderão, finalmente, dar seguimento ao estatuto de campeões africanos numa competição onde já provaram ter nervo e talento para mais. O Iraque, por seu lado, regressa a casa de mãos vazias, numa participação para esquecer.
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