A tempestade está a formar-se no mundo do golfe, e Billy Horschel, um dos nomes mais respeitados do PGA Tour, não hesita em levantar a voz em defesa da organização. Em meio a controvérsias sobre o recente evento Cognizant Classic, que distribui impressionantes 9,6 milhões de dólares em prémios, o golfista de oito vitórias no Tour explicou que as críticas sobre a facilidade do percurso não podem ser atribuídas ao Tour. “Infelizmente, não é culpa do Tour. Os proprietários do PGA National fazem isso. O Tour tentou argumentar por que não deveria ser overseeded, mas no final do dia, está fora das suas mãos”, escreveu Horschel na plataforma X.
As mudanças no campo têm gerado um debate aceso entre jogadores e fãs. O famoso Bear Trap, uma vez temido pelos golfistas, parece ter perdido o seu “mordente”. A quantidade de jogadores a terminar com pontuações excepcionais disparou, e Horschel destaca que, no passado, apenas 11 golfistas conseguiram terminar com 10 abaixo do par entre 2006 e 2023. Contudo, em 2024, esse número saltou para 38, com Jake Knapp a estabelecer um novo recorde ao disparar um 12 abaixo do par, um feito raro na história do PGA Tour.
Horschel defende que a situação é complexa. O campo, agora sob a gestão de um grupo privado de capital e hospitalidade, busca manter uma estética perfeita para os visitantes, o que resulta em um gramado mais macio e lento, prejudicando a competitividade que os fãs tanto apreciam. “Precisamos ter controle total sobre a configuração de todos os campos do Tour”, acrescentou Horschel, enfatizando a necessidade de um ajuste para restaurar a essência do golfe.
Daniel Berger, que fez uma abertura impressionante com 63 golpes sem bogeys no ano passado, observou a facilidade do campo: “Eu achei que joguei bem, mas alguém disparou 59. Claramente, o campo não é mais o Bear Trap que estamos acostumados.” Lendas como Jack Nicklaus também expressaram descontentamento, argumentando que a facilidade dos percursos desvirtua o espírito do jogo.
Embora a manutenção do overseeding continue a ser um ponto de discórdia, Horschel mencionou uma melhoria: “Pelo menos neste ano, a grama alta é mais longa do que nos últimos anos, penalizando mais aqueles que erram os fairways.” A grama alta foi aumentada para 3 polegadas, numa tentativa de devolver algum desafio ao percurso.
No entanto, o Cognizant Classic enfrenta outros sérios problemas. O evento está a sofrer uma onda de desistências, com estrelas como Adam Scott e Jacob Bridgeman a retirarem-se, e, pela primeira vez, o torneio não contará com nenhum jogador do top 10. Ryan Gerard, em 26º lugar no ranking, é o jogador mais bem classificado presente.
A razão para esta debacle? O evento ocorre entre dois grandes torneios com prémios exorbitantes. Muitos jogadores preferem não competir em eventos de médio porte, priorizando a sua preparação para competições mais significativas. Justin Thomas lamentou a situação, afirmando: “É uma pena. É um daqueles eventos que caiu numa época infeliz do calendário.” Ele reconheceu que, apesar da qualidade dos campos, a programação pode ser uma faca de dois gumes, dificultando a participação em eventos como o Cognizant Classic.
A questão agora é: o Bear Trap realmente perdeu o seu mordente? O debate continua, e os aficionados pelo golfe estão ansiosos por ouvir as opiniões dos jogadores e pela eventual reavaliação das condições do percurso.
