As bolas paradas transformam a Premier League numa sombra do que era

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Arne Slot, o enérgico treinador do Liverpool, não hesitou em expressar a sua profunda desilusão com a atual dinâmica da Premier League, que, segundo ele, se tornou uma sombra do que já foi. Em declarações contundentes, Slot afirmou que a ênfase excessiva nos lances de bola parada está a transformar os jogos da liga inglesa numa experiência menos emocionante. “O meu coração futebolístico não gosta disso”, desabafou, numa crítica que ressoa entre os aficionados do futebol.

Os números são claros: 27,5% dos golos marcados na Premier League esta temporada resultaram de lances de bola parada não penais, um dos índices mais altos desde a época 2009-10. O Arsenal, em particular, tem se destacado nesta área, com 16 golos provenientes de cantos, estabelecendo um recorde histórico para a competição. Este domínio nos lances de bola parada tem sido uma das chaves para a luta pelo título dos Gunners.

No último confronto do Liverpool, a vitória esmagadora por 5-2 contra o West Ham United foi marcada pela eficácia nos cantos, com todos os três primeiros golos da equipe a virem dessa forma. A saída do treinador de lances de bola parada, Aaron Briggs, no final de dezembro, deixou uma marca na dinâmica da equipe, mas Slot ainda assim lidera uma das equipas que mais têm se destacado neste aspecto na época.

“Temos que aceitar isso”, disse Slot, referindo-se à nova norma que parece dominar a Premier League. “Se assisto a outros campeonatos, não vejo tanta ênfase em lances de bola parada. Na Eredivisie, por exemplo, há uma diferença notável nas decisões dos árbitros, que muitas vezes anulam golos ou assinalam faltas sobre os guarda-redes. Aqui, parece que se pode até atingir um guarda-redes na cara e o árbitro diz 'siga em frente'”.

A frustração de Slot é palpável, especialmente quando ele recorda os dias gloriosos do futebol praticado pelo Barcelona. “Há 10 ou 15 anos, cada domingo esperavas que eles jogassem. Agora, a maioria dos jogos da Premier League não me traz alegria, embora sejam sempre interessantes devido à competitividade”, comentou.

O treinador holandês reconheceu que os lances de bola parada são a “nova realidade da Premier League” e não se surpreenderia se esta tendência se refletisse até nas camadas jovens do futebol. “Não vamos mudar isso”, acrescentou Slot enquanto se preparava para o jogo contra o Wolverhampton Wanderers. “Não me espantaria se, ao assistir a um jogo da liga de domingo, visse que os miúdos de 16 anos estão completamente focados em lances de bola parada”.

Além disso, Slot atualizou a situação do jogador Florian Wirtz, que provavelmente não estará disponível para os jogos contra o Wolverhampton devido a uma lesão nas costas. O médio alemão perdeu a vitória contra o West Ham e a expectativa é que regresse na partida da Liga dos Campeões contra o Galatasaray a 10 de março. “Não tenho nada diferente a dizer do que disse no sábado”, afirmou Slot. “O jogo de terça-feira provavelmente vai chegar demasiado cedo, e talvez o de sexta também. Mas vamos ver como tudo termina. Esperamos tê-lo de volta na próxima semana, talvez um pouco mais cedo ou mais tarde, mas essa é a previsão”.

Enquanto a Premier League continua a evoluir, a luta entre a estética do jogo e a eficácia dos lances de bola parada promete ser um dos temas mais debatidos nas próximas semanas. A questão que fica é: até que ponto essa nova realidade pode impactar a essência do futebol que todos amamos?

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