Jordan Spieth, um dos mais renomados golfistas da atualidade, não se esquivou de comentar a acesa controvérsia em torno da técnica de “anchoring” que surgiu após a vitória de Akshay Bhatia no Arnold Palmer Invitational. O jovem talento de 24 anos conquistou o seu terceiro título no PGA Tour ao vencer Daniel Berger num emocionante playoff. No entanto, a sua vitória logo foi ofuscada por questionamentos sobre a sua técnica de putting, que envolveu o uso de um putter do tipo broomstick de 50 polegadas, levando a debates acalorados nas redes sociais sobre a conformidade das suas práticas com as regras do golfe.
Durante uma aparição no programa Up & Adams de Kay Adams, Spieth abordou a questão de forma direta e esclarecedora. “Nas regras, não se pode ancorar,” afirmou. “Ancorar significa que o putter estaria a tocar o seu esterno, na parte superior. Ou você pode usar a técnica arm-bar agora, mas não pode ancorar contra o seu torso.” Estas declarações de Spieth, um três vezes campeão de major, trazem à tona a complexidade das regras do golfe e a linha tênue entre a técnica permitida e a ilegal.
A discussão não parou por aí. Adams questionou se os putters broomstick deveriam, de fato, ser permitidos, ao que Spieth respondeu que, apesar da técnica exigir habilidade, muitos jogadores ficariam inclinados a usá-la se garantisse melhores resultados. “Há uma habilidade envolvida, e se fosse tão fácil de fazer e fizesse todos melhor, todos o fariam,” disse Spieth. Ele expressou o desejo de que o putter fosse o clube mais curto do saco, pois isso exigiria mais habilidade e utilização das mãos.
Akshay Bhatia, por sua vez, não ficou em silêncio diante das críticas. Ele utilizou as redes sociais para esclarecer a situação, afirmando que o seu putter não toca o seu peito durante o movimento. “Não estou ancorando. Literalmente a 2 polegadas do meu peito haha,” postou Bhatia, defendendo assim a sua técnica e refutando as alegações que a cercavam.
O jovem golfista terá agora a missão de manter a sua forma nos greens durante o The Players Championship, onde irá competir ao lado de estrelas como Brooks Koepka e Tony Finau. Enquanto isso, Spieth está agendado para iniciar o seu jogo mais cedo, às 8:40 da manhã, com Sahith Theegala e Rickie Fowler.
A mudança estratégica de Bhatia para o putter broomstick não é apenas uma escolha pessoal, mas uma decisão que foi cuidadosamente ponderada. Ele fez a transição no final de 2023 após enfrentar dificuldades nas greens durante os primeiros anos da sua carreira. Conversas com jogadores experientes como Lucas Glover o ajudaram a tomar essa decisão. “Fiz uma promessa a mim mesmo de que iria experimentar este putter durante pelo menos seis meses, independentemente dos resultados, e até agora as minhas estatísticas dispararam,” comentou Bhatia na sua participação no Masters de 2024.
Os números falam por si. Na temporada 2022-23 do PGA Tour, Bhatia terminou em 183º lugar em strokes gained putting, mas, após a sua mudança, viu o seu desempenho melhorar drasticamente, posicionando-se entre os 40 primeiros nas estatísticas de putting em 2024 e 2025, e ocupando atualmente a 12ª posição nesta categoria. Durante a sua vitória em Bay Hill, ele ganhou quase 16.3 strokes em e ao redor dos greens, uma performance que se destaca como a melhor por um vencedor do PGA Tour na era ShotLink, que remonta a 1983.
A utilização do putter broomstick não é uma novidade no mundo do golfe, e Bhatia não é o único a enfrentar críticas por essa escolha. Jogadores consagrados como Adam Scott e Bernhard Langer também já enfrentaram questionamentos semelhantes. Contudo, o impacto imediato e positivo que Bhatia obteve em seu jogo, aliado à sua juventude, faz com que a sua história ressoe ainda mais entre críticos e fãs, levantando questões sobre a evolução e a aceitação das técnicas modernas no golfe.
