A Human Rights Watch (HRW) levantou um clamor urgente nesta sexta-feira, exigindo que a FIFA adote medidas rigorosas de proteção para os jogadores que decidam protestar contra as violações dos direitos humanos, à medida que se aproxima o Mundial de 2026. Este evento, que promete ser uma celebração do futebol no coração dos Estados Unidos, México e Canadá, de 11 de junho a 19 de julho, não pode ignorar as sombrias questões de direitos humanos que afligem a sociedade contemporânea.
A HRW fundamenta sua demanda em incidentes alarmantes que marcaram a participação da seleção feminina de futebol do Irão na Taça da Ásia, realizada na Austrália. A organização sublinha que o Mundial se insere em um contexto de crise de direitos humanos nos EUA, caracterizada pela repressão da imigração, ameaças à liberdade de expressão e uma crescente inclinação para o autoritarismo. A HRW afirma que “a FIFA deve agir antes que seja tarde demais”, propondo a implementação de protocolos que incluam mecanismos de denúncia e canais de comunicação confidenciais, além de proibir a presença de agentes políticos nas federações de futebol que possam restringir os direitos dos atletas.
“Isto protegerá os futebolistas que decidirem exercer o seu direito de protestar contra as violações dos direitos humanos”, enfatiza a HRW, referindo-se especificamente ao caso das jogadoras iranianas que, em um ato de coragem, se abstiveram de cantar o hino nacional durante seu primeiro jogo no torneio. Essa manifestação de descontentamento levou a televisão estatal iraniana a rotular a equipe de “traidora em tempo de guerra”, um ataque que revela a gravidade da repressão que enfrentam.
Além disso, a HRW destacou o ato do governo australiano ao conceder asilo a cinco jogadoras e uma dirigente, um passo que sublinha a importância de proteger aqueles que se levantam contra injustiças. Desde a sua chegada à Austrália, as jogadoras relataram terem sido alvo de assédio por parte de agentes de segurança iranianos, que as monitoravam de perto. A HRW revela que essas atletas “já relataram como os agentes políticos do governo viajam com a seleção nacional para as monitorizar”, evidenciando um ambiente de opressão que não pode ser ignorado.
A FIFPro, o sindicato global dos jogadores, também se manifestou, criticando a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a FIFA por não terem previsto os riscos enfrentados pelas jogadoras, e por pouco terem feito para garantir sua segurança. “Ao permitir que as autoridades políticas que restringem os direitos das mulheres viajem com as delegações, a AFC e a FIFA não só toleram o abuso, como também lhe proporcionam uma plataforma fora do seu país de origem”, conclui a HRW, um alerta que não pode ser desconsiderado.
À medida que o Mundial de 2026 se aproxima, a pressão sobre a FIFA para agir em defesa dos direitos humanos é intensa e inegociável. O mundo do futebol deve estar preparado para apoiar aqueles que se levantam por justiça, garantindo que os direitos dos jogadores sejam respeitados, e que o esporte, ao invés de ser um campo de repressão, se torne um bastião de liberdade e igualdade.
