Jannik Sinner, a nome que já ecoa nos maiores palcos do ténis mundial, não só fez história em 2025 ao tornar-se o primeiro italiano a vencer Wimbledon, derrotando o poderoso Carlos Alcaraz, como agora lidera uma revolução no ténis italiano que pode mudar para sempre o mapa do circuito ATP. Este feito monumental, coroado com a conquista da Taça dos Homens no Centre Court, não foi apenas um triunfo pessoal, mas o catalisador para uma ambição nacional gigantesca: trazer para Itália um novo torneio ATP, desta vez em relva, até 2028.
A Federação Italiana de Ténis e Padel (FITP), sob a liderança do presidente Angelo Binaghi, deu um passo audacioso ao adquirir os direitos de um torneio ATP 250 que atualmente se realiza em pista rápida interior em Bruxelas, no mês de outubro. O plano? Transpor este evento para junho, alinhando-o com a época de torneios em relva que antecedem Wimbledon, e instalá-lo em solo italiano, provavelmente no norte do país devido a questões climáticas.
Binaghi não esconde o entusiasmo e a visão futurista por detrás da operação. “Ainda há tempo para decidir onde será realizado”, afirmou, deixando no ar a possibilidade de locais icónicos como o estádio San Siro, em Milão, serem palco desta inovação – uma ideia que ecoa a recente aposta do Open de Madrid em integrar campos de treino dentro do emblemático Santiago Bernabeu. “Pela primeira vez, não seríamos os pioneiros nesta inovação,” sublinhou o presidente da FITP.
O investimento é significativo, com Binaghi a garantir cerca de 24 milhões de dólares para assegurar a licença, dos quais aproximadamente 10% revertem para a ATP. Esta aquisição insere-se numa estratégia clara de reforçar a presença de Itália no calendário internacional, já que o país acolhe o prestigiado Masters 1000 de Roma, os ATP Finals em Turim até pelo menos 2030, e a fase final da Taça Davis até 2027.
Este novo torneio poderá posicionar Milão como uma peça-chave da temporada de relva, juntando-se a eventos históricos como Stuttgart, ’s-Hertogenbosch, Mallorca e Eastbourne. Além disso, a cidade lombarda, que já foi palco do antigo Milan Indoor até 2005, regressaria às grandes luzes do ténis ATP, reforçando a sua tradição e prestígio.
O Milan Indoor não foi apenas um evento qualquer; foi o palco do primeiro título ATP do jovem prodígio Roger Federer em 2001, além de ter sido um terreno de conquistas para lendas como Björn Borg, John McEnroe, Ivan Lendl e Boris Becker. A sua história é rica, tendo passado por vários locais emblemáticos, como o PalaLido, e sempre privilegiando uma superfície sintética que favorecia um ténis agressivo e dinâmico.
Hoje, Milão mantém viva a chama do ténis através do ATP Challenger no Aspria Harbour Club e dos torneios juniores no Tennis Club Milano Alberto Bonacossa, onde nomes como Sinner, Alcaraz, Djokovic e Pennetta deram os primeiros passos. O Torneo Avvenire, dedicado agora aos sub-14, continua a ser uma referência mundial no desenvolvimento dos talentos mais jovens.
Ainda mais recentemente, Milão destacou-se ao receber as Next Generation ATP Finals entre 2017 e 2022, consolidando-se como um epicentro do ténis emergente. E o futuro promete ainda mais com a possível chegada dos ATP Finals à nova Arena Santa Giulia, construída para os Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026.
Com o calendário ATP a receber em 2028 um novo Masters na Arábia Saudita e este torneio ATP 250 em Itália, a temporada de relva ganha nova força e diversidade. Para Milão, este é um momento decisivo que pode elevar a cidade ao patamar dos grandes palcos do ténis mundial, enquanto para Itália, representa uma afirmação poderosa da sua crescente influência no desporto e um tributo ao impacto económico e social do ténis no país, que já mobiliza 16,9 milhões de adeptos e gera mais de 1,4 mil milhões de dólares anualmente.
Jannik Sinner não está apenas a conquistar troféus; está a liderar uma revolução que promete colocar Itália no centro do universo do ténis global. Preparem-se, porque o relvado italiano está prestes a receber uma nova era de glórias e emoções.
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