Mo Salah está a caminho de protagonizar uma das despedidas mais desastrosas da história do Liverpool, juntando-se a um rol infame de ícones do futebol mundial cujas saídas foram marcadas por fracassos e momentos amargos. Desde que anunciou a sua saída dos Reds este verão, o avançado egípcio foi relegado para o banco nas duas mãos dos quartos-de-final da Liga dos Campeões contra o Paris Saint-Germain e protagonizou uma exibição patética no último jogo da Taça de Inglaterra, uma humilhante derrota por 4-0 frente ao Manchester City.
Apenas um empate sem golos num dérbi de Merseyside e um cartão vermelho como suplente contra o Manchester United o separam de um adeus que pode vir a ser considerado o pior da história do Liverpool. E para entender o quão baixo pode ser, basta recordar outras despedidas que ficaram marcadas pela desilusão e pelo fracasso.
Petr Čech, por exemplo, parecia ter tudo para uma saída em grande pelo Arsenal em 2019, com o clube ainda a disputar a Liga Europa e a Taça de Inglaterra. No entanto, após uma eliminação precoce na Taça, Čech viu o seu último jogo ser uma derrota humilhante na final da Liga Europa contra o Chelsea, clube onde ingressaria como diretor, numa partida em que sofreu quatro golos e terminou uma carreira brilhante de forma melancólica.
Paolo Maldini, lenda do AC Milan, também não teve um adeus tranquilo. Apesar de se despedir com uma vitória crucial para garantir a qualificação para a Liga dos Campeões, um grupo de ultras do clube exibiu faixas hostis durante a sua volta de honra, acusando-o de falta de respeito. Uma afronta amarga para um dos maiores capitães da história do futebol.
Paul Gascoigne, conhecido pela sua genialidade e instabilidade, teve o seu momento final no Tottenham repleto de drama e tragédia. Depois de uma temporada brilhante, lesionou-se gravemente no início da final da Taça de Inglaterra em 1991, colocando um ponto final prematuro na sua passagem pelo clube e na esperança de conquistar o primeiro título em sete anos.
Cristiano Ronaldo não escapou a uma despedida amarga na sua primeira passagem pelo Manchester United. A derrota por 2-0 contra o Barcelona na final da Liga dos Campeões em 2009 ficou marcada por um desempenho apagado e por várias faltas ressentidas, culminando numa expulsão. Ainda assim, Ronaldo cumpriu a promessa de jogar mais finais, regressando e saindo em melhores circunstâncias anos depois.
Robert Pires, ícone do Arsenal, assistiu impotente à sua última final da Liga dos Campeões em 2006, substituído após apenas 18 minutos devido à expulsão do guarda-redes Jens Lehmann. Incapaz de olhar para Arsène Wenger ou para os colegas, descreveu aquele momento como o pior da sua carreira, um adeus sem glória que contrastou com a sua brilhante passagem pelos Gunners.
Steven Gerrard, um dos maiores símbolos do Liverpool, anunciou a saída em janeiro, desencadeando uma série de partidas emocionais que culminaram num adeus muito aquém do esperado. Entre derrotas, um cartão vermelho como suplente contra o Manchester United e um último jogo marcado por uma humilhante derrota, Gerrard viu a sua despedida ficar manchada pela falta de sucesso e controvérsia.
Zinedine Zidane, apesar de ter anunciado a retirada apenas antes do Mundial de 2006, não teve um adeus perfeito pelo Real Madrid, que ficou a meio da tabela na Liga e sem sucesso nas copas nacionais. A sua despedida internacional ficou marcada pelo golo na final do Mundial e pela célebre expulsão após o choque com Materazzi, uma imagem que ficou para a história.
Diego Maradona teve um percurso de saída igualmente tumultuoso. Desde o seu último jogo pelo Barcelona, com uma derrota amarga e uma expulsão após um tumulto com vários jogadores, até à sua passagem pelo Napoli e Sevilla, que terminou de forma conturbada. Na seleção argentina, a sua despedida foi manchada por um escândalo de doping e por uma campanha de qualificação sofrida para o Mundial de 1994, onde a sua presença não foi suficiente para evitar o fracasso.
Agora, Mo Salah parece pronto para juntar-se a este grupo de despedidas fracassadas. Com o Liverpool a preparar-se para dizer adeus ao seu astro egípcio, resta saber se conseguirá evitar este triste destino ou se irá entrar para a história não pelos golos que marcou, mas pelo adeus desastroso que protagonizou. O tempo dirá se Salah será lembrado como um herói ou como mais um nome numa lista infeliz de despedidas desastrosas no futebol mundial.
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