Arsenal responde com veemência ao ataque «aborrecido» lançado pelo capitão do Sporting após apuramento sofrido para as meias-finais da Champions League. O conjunto londrino garantiu a passagem à próxima fase da competição europeia com uma vitória global mínima, mas foi alvo de críticas por parte de Morten Hjulmand, capitão dos leões, que descreveu o desempenho dos Gunners como “um pouco aborrecido”.
Num duelo marcado por uma abordagem mais física do que técnica, o Arsenal venceu por 1-0 em Lisboa no jogo da primeira mão, graças a um golo tardio de Kai Havertz, após uma exibição heróica do guarda-redes David Raya, que evitou várias tentativas perigosas do Sporting. No segundo jogo, os comandados de Mikel Arteta revelaram uma criatividade escassa, com apenas um remate enquadrado à baliza, mas conseguiram sufocar o adversário para segurar a vantagem conquistada fora de casa. Este confronto ficou longe do espetáculo ofensivo proporcionado simultaneamente pelo Bayern Munique e Real Madrid, que protagonizaram um duelo frenético com 10 golos no total.
Hjulmand não poupou nas críticas ao encontro da segunda mão: “Foi um jogo equilibrado, mas o impacto da derrota na primeira mão complicou a nossa missão no Emirates, especialmente contra uma equipa que raramente perde em casa. O jogo teve baixa intensidade, sem ritmo, zero golos e, sinceramente, achei um pouco aborrecido. Muitas vezes o jogo parava e não conseguimos encontrar o ritmo que queríamos.”
Por outro lado, o capitão interino do Arsenal, Declan Rice, rejeitou qualquer preocupação com as críticas externas e destacou o foco interno e a ambição da equipa: “Frustrante? De todo. Chegámos às meias-finais e isso é o que importa. Quem se importa com o que os outros pensam? O que conta é o que o grupo e o treinador pensam, e estamos numa outra semifinal. Estou muito feliz. Vamos continuar a jogar bem, a ultrapassar obstáculos e a encarar tudo o que vier pela frente. Este é o Arsenal, cada jogo traz ruído. Se não jogarmos bem, aceitamos as críticas e seguimos em frente. Ninguém nos vai oferecer nada neste jogo.”
Mikel Arteta, treinador dos Gunners, valorizou acima de tudo a passagem à próxima fase, sem se prender à estética do futebol apresentado: “Não sei se o resultado foi justo para o Sporting. Sou o treinador do Arsenal e penso que o que aconteceu nas duas mãos foi muito justo. Temos de ser melhores que o adversário. Tivemos vários períodos em que estivemos por cima, mas não marcámos mais golos. Existem outros aspetos fundamentais para garantir o resultado necessário numa eliminatória.”
Este apuramento marca um feito histórico para o Arsenal, que alcança as meias-finais da Champions League por dois anos consecutivos pela primeira vez na sua história, ainda à procura do título europeu de clubes mais cobiçado. Antes da temporada 2024-25, os Gunners só tinham chegado a esta fase em 2005-06, quando perderam a final contra o Barcelona, e em 2008-09, frente ao Manchester United.
“Foi preciso muito trabalho para chegarmos aqui, fizemos algo que nunca tinha sido feito em 140 anos de história do clube,” afirmou Arteta, talvez exagerando, dado que a Taça dos Campeões existe há cerca de metade desse período. “Isto mostra a dificuldade da competição. Tivemos de conseguir este feito de forma muito especial, mesmo com várias ausências importantes. Dou grande mérito à equipa. Estou especialmente feliz pelos nossos adeptos, que estiveram sempre connosco, e vamos ter duas noites mágicas, uma em Madrid e outra aqui em Londres contra o Atlético.”
Com esta vitória a custo elevado, o Arsenal mantém viva a ambição europeia e prepara-se para enfrentar desafios ainda maiores, mostrando uma determinação inabalável, mesmo que o espetáculo ofensivo continue a ser alvo de críticas. O futuro promete emoção e batalhas intensas para os Gunners, que não se deixam abater por opiniões externas e lutam por um lugar na história do futebol europeu.
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