Real Madrid vive o seu pior momento dos últimos sete anos, mergulhado numa crise de resultados que agrava ainda mais uma temporada já de si dececionante. A equipa merengue, detentora de 15 títulos europeus, não vence em cinco dos últimos seis jogos em todas as competições, com derrotas pesadas na Liga dos Campeões frente ao Bayern Munique e empates e derrotas que comprometem a sua posição na La Liga.
A última vez que o Real Madrid atravessou uma fase tão negra foi na temporada 2018–19, mas mesmo nessa altura os merengues tiveram motivos para festejar, conquistando o Mundial de Clubes e alcançando as meias-finais da Taça do Rei, apesar da saída de Cristiano Ronaldo. Naquele ano, o Real terminou apenas em terceiro lugar na liga, com 68 pontos, enquanto que esta temporada, apesar de estar na segunda posição com 74 pontos, a situação está longe de ser animadora.
A principal chaga da equipa reside na incapacidade – ou falta de vontade – em garantir os resultados até ao apito final. A defesa do Real Madrid tem sido um verdadeiro calvário nos minutos de compensação, cedendo golos decisivos em quatro dos últimos seis jogos: aos 91 minutos na derrota por 2-1 contra o Mallorca, aos 90 e 94 minutos na eliminatória de Champions contra o Bayern (4-3), aos 93 minutos no triunfo magro contra o Alavés (2-1) e novamente aos 93 minutos no empate com o Real Betis (1-1). Para piorar, ainda em fevereiro, sofreram um golo final aos 90 minutos na derrota contra o Osasuna.
Esta passividade defensiva evidencia um conforto excessivo dos jogadores, que parecem esperar que o guarda-redes Thibaut Courtois os salve das falhas, algo que nem sempre acontece, especialmente com Andriy Lunin no lugar. A verdade é que, nas últimas 14 partidas, o Real Madrid só conseguiu manter a baliza inviolada uma vez, algo que não acontece desde 8 de fevereiro na La Liga. Esta fragilidade defensiva tem sido crucial para as quedas nas competições doméstica e europeia.
A questão que se coloca é se o mercado de transferências pode ser a salvação para estes problemas. Depois do fracasso em 2018–19, o Real Madrid reagiu na época seguinte com contratações impactantes como Éder Militão, Eden Hazard, Rodrygo e Ferland Mendy, que ajudaram a garantir o título da liga e da Supertaça espanhola. Para este verão, o clube prepara-se para investir novamente, sobretudo para reforçar o meio-campo com um jogador capaz de organizar o jogo e para colmatar as saídas iminentes de David Alaba, Dani Carvajal e possivelmente Antonio Rüdiger, todos em fim de contrato.
Contudo, a entrada de mais estrelas num balneário já repleto de egos não garante a solução para os problemas estruturais do Real Madrid. A chegada de um jogador do calibre de Rodri pode trazer equilíbrio, mas não é garantido que isso melhore a química entre Vinicius Junior e Kylian Mbappé. Da mesma forma, contratar um novo defesa central pode fortalecer a linha recuada, mas não fará com que os jogadores tenham a disciplina defensiva necessária.
Os problemas enraizados no Santiago Bernabéu não se resolverão com algumas caras novas ou até com um novo treinador na próxima época. A responsabilidade recai sobre os jogadores atuais, que terão de apresentar uma nova atitude, foco e energia para evitar mais desilusões. Caso contrário, o Real Madrid está condenado a prolongar esta crise e a falhar mais uma vez os seus objetivos.
A época está a chegar ao fim, mas a urgência de mudança é já uma evidência inquestionável no universo merengue. A torcida e os adeptos do Real Madrid esperam que a próxima temporada traga mais do que promessas e contratações: querem resultados, garra e uma equipa que volte a afigurar-se imbatível em Espanha e na Europa. O tempo para agir é agora.
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