Novak Djokovic enfrenta dilema crucial: a sombra da lesão ameaça a sua ambição no Roland Garros
Novak Djokovic, a lenda viva do ténis mundial, vê-se agora perante uma encruzilhada que pode definir o seu futuro imediato e a sua busca pelo 25.º título de Grand Slam – um recorde histórico que o colocaria no topo absoluto do ténis. A recente eliminação precoce no Masters de Roma, às mãos do jovem croata Dino Prizmic, lançou uma nuvem negra sobre as suas aspirações no torneio de Roland Garros, que se aproxima a passos largos.
A derrota inesperada frente a Prizmic não só marcou o início da ascensão do jovem talento croata, que superou o seu ídolo num momento que ficará para sempre na sua carreira, como também evidenciou as fragilidades físicas e competitivas de Djokovic. O sérvio, que no ano passado beneficiou de uma participação em Genebra para ganhar ritmo antes de chegar às meias-finais em Paris, desta vez decidiu não disputar qualquer torneio de preparação antes do Grand Slam francês, optando por uma abordagem que agora se revela arriscada.
Djokovic, que sempre mostrou uma abordagem seletiva ao calendário ATP, prefere uma semana de treinos intensivos em Roland Garros a participar num torneio ATP 250, mas esta decisão tem um preço: a falta de ritmo competitivo na terra batida, que pode ser fatal numa prova onde a concentração e a resistência são cruciais para superar sete maratonas de cinco sets.
A aproximação do 39.º aniversário do tenista, a celebrar ainda este mês, acrescenta uma camada extra de incerteza sobre a sua capacidade física e mental para encarar um calendário tão exigente. Depois de ter surpreendido o mundo do ténis ao chegar à final do Australian Open em janeiro, eliminando nomes como Jannik Sinner, o que parecia ser um regresso à forma máxima já não parece suficiente para apagar as dúvidas que o acompanham desde então.
Desde essa final australiana, Djokovic disputou apenas quatro encontros competitivos, um número claramente insuficiente para preparar a complexidade e intensidade do Roland Garros. A sua ausência em competições e os problemas físicos que o têm atormentado levantam a questão: será que vale a pena arriscar tudo num torneio onde a sua forma é duvidosa?
O cenário mais plausível aponta para Wimbledon, o palco onde Djokovic poderá, de forma mais realista, tentar conquistar o seu 25.º Grand Slam e ultrapassar Margaret Court como a maior vencedora da história dos quatro Majors. O sérvio poderá optar por um retiro estratégico do torneio francês, dedicando o próximo mês a recuperar e a preparar a sua candidatura ao título inglês, que começará a 29 de junho.
Para isso, Djokovic poderá alinhar num torneio de aquecimento em relva, como Halle ou Queen’s Club em Londres, antes de se concentrar no All England Club. No entanto, as lesões que continuam a incomodá-lo podem inviabilizar até mesmo essa opção, deixando o mundo do ténis em suspense.
Após a derrota em Roma, Djokovic não escondeu a sua frustração, admitindo as dificuldades físicas que enfrentou: “Não é uma preparação ideal, para ser honesto. Não me recordo da última vez, nos últimos anos, em que entrei num torneio sem qualquer problema físico ou de saúde. Sempre há algo. É uma nova realidade com a qual tenho de lidar. É frustrante, mas é a minha decisão continuar a competir nestas condições. É o que é.”
Com o seu tempo a esgotar-se para continuar a desafiar os melhores do mundo, e num ano que pode ser o último em grande para conquistar mais um título de Grand Slam, Djokovic tem de fazer uma escolha difícil. A prioridade tem de ser a sua melhor hipótese de sucesso, e isso pode significar abdicar do Roland Garros para chegar em força a Wimbledon.
O mundo do ténis aguarda com ansiedade a decisão de Novak Djokovic, sabendo que esta pode ser determinante para a sua lenda e para o desfecho de uma das épocas mais imprevisíveis da sua carreira. Será que o sérvio vai arriscar tudo em Paris ou vai optar por uma estratégia mais cautelosa rumo à glória em relva? A resposta a esta grande questão está prestes a ser dada.
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