Novak Djokovic viveu uma das noites mais emocionantes e dolorosas da sua carreira no Roland Garros, num duelo épico que ficará para sempre na memória do ténis mundial. Aos 39 anos, o sérvio lutou durante quase cinco horas contra o jovem prodígio brasileiro João Fonseca, de apenas 19 anos, num jogo marcado por reviravoltas e uma entrega física e mental impressionante. Apesar de ter estado a vencer por dois sets, Djokovic acabou por ceder, numa derrota que lhe custará a digerir, mas que reforça a essência do desporto: ultrapassar os limites, mesmo quando o corpo e a mente imploram por descanso.
Na conferência de imprensa após o encontro, Djokovic não escondeu a frustração, mas também o respeito pelo adversário. “Foi incrível fazer parte deste jogo. É uma derrota dura, especialmente porque estava a ganhar por dois sets, mas faço grandes elogios ao João, ele mereceu a vitória. Foi o melhor nos momentos decisivos do quarto e quinto sets, jogou pontos fantásticos. Foi maravilhoso. Não acho que tenha jogado mal, simplesmente ele foi melhor,” afirmou o número um mundial.
O tenista sérvio explicou ainda a sua condição física e o desafio que enfrentou: “As horas que joguei nestes três encontros deram-me a sensação de ter disputado todos os torneios dos últimos três meses. Estive lesionado durante três meses e voltei a competir diretamente num Grand Slam, numa superfície exigente onde preciso de tempo para recuperar o ritmo. Penso que o meu nível foi muito bom, estou satisfeito com isso. Agora, claro, sinto uma grande desilusão porque estive muito perto da vitória, mas é o que posso dizer.”
Djokovic não poupou elogios a Fonseca, destacando o talento e a promessa que o jovem brasileiro representa para o ténis mundial: “Parabenizei-o na rede, disse-lhe que merecia a vitória, que fez um jogo incrível e que devia estar orgulhoso. Desejei-lhe boa sorte para o resto do torneio. O nível de ténis que mostrou gerou muito entusiasmo, e hoje percebemos perfeitamente porque. Tem um potencial enorme para se tornar uma estrela. Muitas coisas têm de correr bem, mas pelo que vi nos últimos anos, é muito profissional, e isso é essencial para o sucesso. Tem talento, potência, e todo o Brasil está com ele. Há muita expectativa à sua volta. Espero que seja a próxima grande estrela e que conquiste um Grand Slam.”
Questionado sobre o seu futuro no Roland Garros, Djokovic mostrou-se incerto: “Não sei se voltarei a jogar aqui no próximo ano. É difícil pensar nisso agora, mas houve momentos no fim do jogo em que mal me conseguia manter de pé. Ver o público a apoiar-me foi mágico. Quando afasto a desilusão e os pensamentos negativos, há muito de que me orgulhar. Sou grato por esta experiência.”
Analisando o encontro com mais detalhe, Djokovic assumiu a exaustão física e alguns momentos decisivos que ditaram o resultado: “Estava esgotado, não me senti bem fisicamente após os dois primeiros sets. Tive a maior oportunidade no fim do quarto set, mas ele jogou pontos incríveis a partir do 15-40. Talvez o meu único erro tenha sido perder o serviço a 3-1 no quinto set, mas ele também jogou de forma muito agressiva nessa fase.”
Esta partida ficará marcada não só pela qualidade do espectáculo, mas também pela demonstração de coragem e talento de duas gerações distintas do ténis mundial. Djokovic, um dos maiores de sempre, mostrou que a idade é apenas um número, enquanto Fonseca anuncia-se como um nome a seguir de perto. O Roland Garros deste ano entregou ao mundo um duelo inesquecível, que promete influenciar o futuro do desporto-rei das raquetes.
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