Jannik Sinner revela segredo por trás da surpreendente derrota em Roland Garros

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Andy Roddick não poupa críticas e aponta o dedo à calendarização exaustiva do ténis profissional, revelando um dos maiores fatores por trás da surpreendente derrota de Jannik Sinner no Open da França. O antigo número um mundial, conhecido pela sua franqueza, voltou a lançar o debate sobre a exaustão causada pelos torneios Masters 1000 disputados ao longo de duas semanas, algo que, segundo ele, prejudica gravemente o rendimento dos jogadores.

Sinner, de 24 anos, chegava a Roland Garros como principal favorito após uma impressionante temporada na terra batida, onde conquistou os Masters de Monte Carlo, Madrid e Roma. Contudo, o que parecia ser uma caminhada tranquila até à terceira ronda transformou-se numa autêntica tragédia desportiva. Dominava Juan Manuel Cerundolo por 6-3, 6-2 e 5-1, quando uma súbita crise física o derrubou. O italiano admitiu sentir-se “tonto” e “com vontade de vomitar”, nunca recuperando do colapso, permitindo ao argentino uma reviravolta histórica para vencer por 3-6, 2-6, 7-5, 6-1, 6-1.

Sinner atribuiu a derrota a uma doença, recusando que o calor intenso tenha sido o principal responsável. No entanto, o britânico Tim Henman e agora Andy Roddick sugerem que o jovem italiano deveria ter poupado esforços, nomeadamente evitando participar em eventos de preparação tão próximos do Grand Slam. Roddick foi incisivo no programa “Served”: “Odeio torneios a duas semanas que não sejam Grand Slams. Se jogas Indian Wells e Miami, isso consome um mês inteiro. Se ganhas os dois, como Sinner fez, ótimo, vais para Monte Carlo. Mas não há tempo suficiente entre Miami e Monte Carlo para um bloco de treino físico adequado para aguentar cinco sets, potencialmente sete vezes em 14 dias.”

O ex-tenista americano destaca que a sobrecarga de jogos e viagens impede uma preparação física ideal, essencial para enfrentar encontros longos e extenuantes. “Quando jogas três sets nos Masters, é diferente. Olhem para o que aconteceu com o Sinner – e obviamente foi relacionado com o calor, mas o seu melhor desempenho físico foi no ano passado, no mesmo torneio, quando vinha de uma suspensão e só tinha jogado um torneio antes”, acrescentou.

Roddick sublinhou ainda o mérito de Cerundolo, que soube aproveitar as condições adversas para protagonizar uma das maiores recuperações do torneio, mas reafirmou que a preocupação não está no nível de jogo de Sinner, mas sim na sua capacidade física. “Não estou preocupado com o seu jogo, mas quando é que ele vai construir a base para jogar cinco horas?”, questiona, lembrando que o italiano nunca venceu um encontro com mais de quatro horas, apesar do embate contra Cerundolo ter durado três horas e 36 minutos.

A discussão sobre o formato dos Masters 1000 ganha nova força. Atualmente, apenas o torneio de Monte Carlo é disputado num formato mais curto, ao longo de uma semana, enquanto os restantes estendem-se por duas semanas, elevando a exigência física dos atletas e criando riscos de desgaste precoce. A possibilidade de reduzir a duração destes eventos implica aceitar uma eventual diminuição dos prémios monetários, uma questão que divide opiniões no circuito.

Esta polémica surge num momento em que o ténis se debate com o equilíbrio entre rendimento, saúde física dos jogadores e interesses comerciais. A derrota inesperada de Sinner no Open da França serve como alerta para a necessidade urgente de repensar um calendário que poderá estar a sacrificar talentos promissores em nome do espectáculo e do lucro. Roddick, com a sua experiência única, volta a ser uma voz crucial para impulsionar mudanças que beneficiem o futuro do desporto.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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