Enfrentar Lionel Messi é sempre um desafio colossal, mas para a Inglaterra, o encontro das meias-finais do Mundial na quarta-feira em Atlanta representa um teste ainda mais exigente. A batalha entre Inglaterra e Argentina é, por si só, uma das mais carregadas de tensão, drama e história no futebol mundial, e desta vez, com um lugar na final do Mundial de 2026 em disputa, essa rivalidade atinge um novo patamar.
O grande destaque individual do encontro será, inevitavelmente, Messi, que busca o bicampeonato mundial e a consagração definitiva da sua carreira internacional. Surpreendentemente, o avançado de 39 anos, vencedor de oito Bolas de Ouro, nunca defrontou a Inglaterra ao longo dos seus 21 anos de carreira ao mais alto nível, algo que muda esta semana no Mercedes-Benz Stadium.

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Messi tem protagonizado uma exibição fantástica neste Mundial, com oito golos e duas assistências em seis jogos, o seu melhor registo pessoal na prova. Apenas falhou o golo no jogo dos quartos-de-final contra a Suíça, onde mesmo assim assistiu Mac Allister no golo inaugural. Com 10 assistências em Mundiais, é o jogador com mais passes decisivos na história da competição, além de ter superado Miroslav Klose como melhor marcador de sempre do torneio, com 21 golos. O selecionador argentino, Lionel Scaloni, descreveu Messi como “uma máquina” e frisou que “enquanto ele quiser continuar a ser o melhor, continuará a ser o melhor”, contrariando quem pensava que a idade seria um obstáculo.
Contudo, a Argentina tem sentido dificuldades nas fases a eliminar, tendo passado com dificuldades por Cabo Verde, Egito e Suíça. Mesmo assim, a presença de Messi cria uma aura de inevitabilidade em torno da equipa.
A grande questão para Thomas Tuchel e a Inglaterra é como travar Messi e impedir que ele leve a Argentina à final. A experiência da Suíça, que enfrentou Messi nos quartos-de-final, mostra que é quase impossível pará-lo durante 90 minutos. O treinador suíço Murat Yakin afirmou que “existem muitas soluções” e que é fundamental “agir como uma unidade, fazer bons passes e pressionar alto”. O capitão Granit Xhaka foi mais direto: “Não sei se conseguimos pará-lo durante todo o jogo”. De facto, Messi assistiu no golo do triunfo suíço, apesar de não ter marcado.
Alan Shearer, antigo avançado inglês, deixou uma mensagem clara: “Se parares o Messi, paras a Argentina”. No entanto, o contrário também é verdade, pois o sistema da Argentina foi construído à volta do génio argentino. Scaloni montou um 4-4-2 que permite a Messi um papel livre no ataque, suportado por um meio-campo estreito composto por Mac Allister, Leandro Paredes, Enzo Fernández e Rodrigo De Paul, que controlam o jogo e alimentam Messi com passes que rompem linhas. O argentino é o jogador com mais remates neste Mundial, com 33 tentativas.
Para Tuchel, o desafio passa por cortar o abastecimento de bola a Messi, anulando o trabalho crucial do meio-campo argentino e limitando as suas opções ofensivas. Será uma batalha táctica intensa, onde a coesão da Inglaterra poderá ser a chave para travar o astro argentino e garantir o apuramento para a final do Mundial.
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