Tunísia despede Lamouchi após goleada; Hervé Renard assume seleção

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Um despedimento histórico abala o Mundial 2026: Sabri Lamouchi tornou-se no primeiro treinador de sempre a ser dispensado após apenas um jogo numa fase final do Campeonato do Mundo. O técnico francês, que liderava a selecção tunisina, não resistiu ao desaire humilhante por 1-5 frente à Suécia, e viu o seu vínculo rescindido por «mútuo acordo» apenas 24 horas depois do apito final. A decisão, que já vinha a ser amplamente discutida nos bastidores desde o fim do encontro, foi finalmente confirmada pela federação tunisina esta terça-feira, terminando uma curta e pouco frutífera passagem de Lamouchi pelo comando técnico da equipa.

Sabri Lamouchi, de 52 anos, somou apenas uma vitória em cinco jogos à frente da selecção tunisina, tendo estreado com um triunfo magro por 1-0 diante do Haiti. Os restantes resultados revelaram uma equipa sem identidade e claramente aquém das expectativas: derrotas nos jogos de preparação com a Áustria (0-1) e uma goleada sofrida frente à Bélgica (0-5) deixaram desde logo sinais preocupantes. O descalabro frente à Suécia, logo na estreia do Grupo F, foi a gota de água para a estrutura federativa, que não hesitou em avançar para a mudança antes que o cenário se agravasse. Lamouchi ainda orientou o treino de segunda-feira, numa tentativa de normalizar o ambiente, mas a sentença estava já traçada.

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Esta reviravolta tem consequências imediatas e profundas para as aspirações tunisinas no Mundial. Com apenas dois jogos por disputar na fase de grupos, frente ao Japão e aos Países Baixos, a Tunísia vê-se obrigada a reagir rapidamente sob nova liderança, numa altura em que a confiança dos adeptos está abalada e a pressão sobre o plantel atinge níveis máximos. A escolha do sucessor recaiu sobre Hervé Renard, também ele francês e figura de reputação sólida no futebol africano, tendo sido campeão continental tanto pela Zâmbia como pela Costa do Marfim. Renard assume funções já esta noite, mantendo o mesmo enquadramento financeiro, e terá a responsabilidade de operar uma autêntica revolução psicológica e táctica.

A federação tunisina foi peremptória no anúncio da nova era: «A Federação tunisina anuncia a nomeação de Hervé Renard como selecionador nacional até ao final do Campeonato do Mundo de 2026, assumindo funções a partir desta noite e mantendo as mesmas condições financeiras. Conforme acordado, as negociações para uma colaboração de longo prazo terão início após o término da participação no Campeonato do Mundo, com o objetivo de estabelecer uma parceria assente em metas desportivas específicas. Será realizada uma conferência de imprensa de apresentação do novo selecionador nacional no centro de estágio, meia hora antes do início da sessão de treino.» Com esta comunicação, a federação sublinha não só a urgência da mudança, como também a intenção de estabelecer um projecto sustentável a médio prazo, para lá do Mundial.

Lamouchi, visivelmente desiludido, encerra assim um ciclo marcado por promessas não cumpridas e uma incapacidade notória de revitalizar uma selecção que, há apenas alguns anos, surpreendia o continente africano. O seu legado fica inevitavelmente associado à eliminação precoce e à pesada goleada que precipitou uma das decisões mais rápidas e drásticas da história do futebol internacional. A entrada de Renard é, por isso, encarada como uma lufada de ar fresco e uma tentativa de resgatar a esperança dos adeptos tunisinos, que exigem resultados e uma identidade competitiva à altura dos pergaminhos da sua selecção.

O próximo encontro frente ao Japão será o verdadeiro teste de fogo para Hervé Renard, que terá apenas algumas horas para preparar uma equipa psicologicamente fragilizada e tacticamente desorganizada. A missão é clara: evitar novo desaire e manter a Tunísia na luta pelo apuramento para os oitavos-de-final. Caso Renard consiga motivar o plantel e impor rapidamente as suas ideias, a selecção pode ainda surpreender e relançar-se na competição. No entanto, um novo deslize poderá significar o fim prematuro do sonho mundialista, deixando a federação perante mais um ciclo de incerteza e reconstrução. O mundo do futebol estará atento à resposta tunisina, que pode ser um dos grandes pontos de interesse desta fase de grupos.

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