O mítico Shinnecock Hills prepara-se para ser palco de mais um U.S. Open e a elite mundial do golfe está pronta para um dos maiores desafios da temporada. O campo nova-iorquino, com os seus 7.440 jardas e par 70, promete voltar a separar os verdadeiros campeões dos que sucumbem sob pressão, tal como aconteceu em 2018, quando Brooks Koepka venceu com um score acima do par – um feito que poucos esqueceram. Este ano, há seis nomes que se destacam claramente e qualquer um deles pode não só levantar o troféu no domingo, como também entrar para a história ao superar os números do passado.
Jon Rahm surge como um dos favoritos mais sólidos à vitória. O espanhol está a atravessar um excelente momento, somando dois triunfos no LIV Golf esta época e ficando a um passo de vencer Tyrrell Hatton em Andalucia há apenas duas semanas. No PGA Championship, Rahm terminou empatado no segundo lugar, melhorando substancialmente face ao 38.º posto registado no Masters em Abril. Embora tenha falhado o cut na última visita a Shinnecock, desde então acumulou quatro top 10 neste campo, além de um título no U.S. Open em 2021 e um 4.º lugar no ano passado. Segundo dados do PGA Tour, Rahm apresenta médias impressionantes nos principais indicadores: 0,568 em Strokes Gained: Off-the-Tee, 0,547 em Approach e 1,631 em Total nas últimas cinco provas. Tudo indica que estará novamente entre os protagonistas.

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Scottie Scheffler, apesar de ter apenas um triunfo esta temporada, não pode ser descartado. Depois da vitória, apenas conseguiu figurar duas vezes no top 15 após a primeira ronda em 11 torneios disputados. Ainda assim, alcançou seis top 10, o que demonstra consistência ao mais alto nível. Scheffler lidera o circuito em Strokes Gained: Total e Tee-to-Green, figura no terceiro posto em Around-the-Green e é 19.º em Putting. A sua capacidade de recuperação nas rondas finais é notável — tem a melhor média final do circuito, com 67,5 pancadas. No U.S. Open, terminou três vezes no top 10 nas últimas quatro edições, incluindo um 7.º lugar em Oakmont no ano passado. Se vencer este domingo, será o primeiro profissional a conquistar um major no dia de aniversário, segundo o Elias Sports Bureau.
Tyrrell Hatton está a mostrar que está pronto para conquistar o seu primeiro major. O inglês soma cinco top 10 em 2026, incluindo um terceiro lugar no Masters e uma vitória dominadora no LIV Golf Andalucia, em Valderrama. No U.S. Open do ano passado, alcançou o quarto lugar, o que lhe garantiu isenção para esta edição. Entre os últimos 18 majors, só falhou o cut duas vezes e obteve três top 10. Em Shinnecock, no último confronto, terminou em sexto lugar e superou esse resultado em Oakmont, em 2025. Estatisticamente, Hatton tem vindo a reforçar o seu jogo com o driver e nas aproximações, apresentando médias de 0,558 (Approach) e 0,612 (Total) nas cinco provas mais recentes.
Rory McIlroy chega livre de pressões históricas, já tendo completado o Grand Slam e vencido duas vezes o Masters. O norte-irlandês tem-se mostrado mais selectivo no calendário, o que pode jogar a seu favor em termos de frescura física e mental. Em oito torneios em 2026, registou três top 10. Nos últimos cinco U.S. Open, terminou quatro vezes no top 10, tendo o pior resultado sido um 19.º lugar em Oakmont no ano passado. McIlroy destaca-se como um dos melhores condutores do Tour, embora precise de maior consistência no putting, especialmente nos exigentes greens de poa annua de Shinnecock. Segundo o PGA Tour, apresenta 0,432 em Strokes Gained: Approach, -0,098 em Putting e 1,003 em Total nas cinco últimas provas.
Bryson DeChambeau é outro nome incontornável, com dois títulos do U.S. Open nos últimos cinco anos. Apesar dos maus resultados nos primeiros dois majors desta temporada, não se pode ignorar o seu desempenho no LIV Golf (sete top 20, incluindo vitórias em Singapura e África do Sul). DeChambeau tem ganho pancadas consistentemente desde Fevereiro de 2024, especialmente no tee e nos greens — ganhou pancadas em oito dos 11 torneios disputados esta época nos greens, segundo estatísticas avançadas. Nas últimas cinco provas, registou 0,024 em Approach e 0,652 em Total. O americano pode perfeitamente inverter a tendência negativa nos majors já esta semana.
Cameron Young, tal como Hatton, procura ainda o seu primeiro major, mas o momento de forma não podia ser melhor. Em 12 eventos em 2026, soma duas vitórias e seis top 10, incluindo um terceiro lugar no Masters. Ainda que os seus últimos resultados no U.S. Open tenham sido irregulares, destaca-se estatisticamente: subiu 1,24 pancadas por ronda face a 2025, é 12.º em Putting no field e 9.º em bogey avoidance — um dado crucial em Shinnecock. Nos cinco últimos torneios, apresenta 0,383 em Approach e 1,149 em Total, posicionando-se como uma aposta fiável para esta semana.
Jon Rahm, ao ser questionado sobre as expectativas para Shinnecock, afirmou: “Sei que o campo não perdoa, mas sinto que estou a jogar o meu melhor golfe. Quero corrigir o que correu mal na última vez que aqui estive.” Já Tyrrell Hatton, depois da vitória em Andalucia, declarou: “Provei a mim próprio que consigo lidar com campos duros. Se mantiver esta agressividade, sei que posso vencer um major.” Scottie Scheffler, por sua vez, admitiu recentemente: “O U.S. Open exige perfeição do princípio ao fim. Estou preparado para lutar até ao último buraco.” As palavras destes protagonistas deixam antever uma batalha épica.
Com a pressão a aumentar e o campo preparado para castigar o mínimo erro, espera-se um U.S. Open imprevisível, onde a regularidade e a resistência mental serão decisivas. Estes seis jogadores chegam a Shinnecock com argumentos de peso, mas a história mostra que tudo pode acontecer entre os bunkers traiçoeiros e o fescue alto deste palco lendário. No domingo, um deles pode ficar mais perto da imortalidade no golfe — e, quem sabe, redefinir o que significa ser campeão do U.S. Open.
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