Portugal iguala registo histórico negativo de remates no Mundial 2026

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Portugal registou um feito preocupante e inédito no Mundial de 2026: igualou o seu menor número de remates de sempre numa fase final da competição, ao somar apenas sete tentativas frente à modesta República Democrática do Congo. O empate a uma bola, alcançado esta quarta-feira na estreia do Grupo K, não só surpreendeu os adeptos, como deixou a nu dificuldades ofensivas da Seleção Nacional, que, segundo dados oficiais da Opta, só conseguiu alvejar a baliza adversária uma vez durante todo o encontro.

O jogo decorreu na Lisboa Football Arena, perante uma multidão expectante, mas o desempenho da equipa de Roberto Martínez ficou muito aquém do que era esperado para um dos favoritos à conquista do troféu. O único remate enquadrado com a baliza acabou por ser o golo madrugador de João Neves, aos 6 minutos, resultado de um cabeceamento fulminante que colocou Portugal em vantagem. Contudo, o domínio foi rapidamente dissipado, com a RD Congo a responder com uma organização defensiva notável e um contra-ataque eficaz, que culminou no empate ainda antes do intervalo.

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Este registo negativo remete-nos para o Mundial de 2002, quando Portugal, então orientado por António Oliveira, também só conseguiu rematar sete vezes à baliza da Coreia do Sul, num jogo que acabaria por perder. Desta vez, o desfecho foi um empate, mas as semelhanças são inegáveis e levantam sérias questões sobre a criatividade e eficácia ofensiva da equipa das Quinas perante adversários menos cotados.

A relevância deste resultado é inegável, sobretudo tendo em conta o estatuto de Portugal enquanto um dos candidatos naturais à fase avançada do torneio. O empate frente à RD Congo pode complicar as contas do apuramento para os oitavos-de-final e expõe fragilidades preocupantes no ataque nacional, numa altura em que se esperava uma entrada demolidora na competição. Para além disso, o ambiente nas bancadas ficou marcado pela festa contagiante dos adeptos congoleses, que celebraram o empate como um verdadeiro triunfo, enquanto os portugueses reagiram com incredulidade e desilusão.

No final do encontro, Roberto Martínez procurou desdramatizar a exibição cinzenta da equipa, valorizando sobretudo o espírito de sacrifício e união demonstrados pelos jogadores. “A atitude da Seleção foi extraordinária. É melhor ter um desempenho assim na fase de grupos do que mais tarde na competição”, afirmou o seleccionador nacional, na conferência de imprensa pós-jogo. Já o seleccionador da RD Congo não escondeu a satisfação pelo resultado alcançado: “Estamos felizes pelo empate. Desejamos o melhor a Portugal durante o Mundial”, declarou, visivelmente emocionado perante a imprensa internacional.

João Neves, autor do único golo português e um dos poucos a escapar à mediocridade colectiva, admitiu sentir alguma frustração, mas garantiu que a equipa está focada em dar uma resposta já no próximo jogo. “Sabemos que temos qualidade para fazer muito melhor. Agora é trabalhar para corrigir o que não correu bem e voltar às vitórias”, referiu o jovem médio, à saída do relvado.

Olhando para o futuro, Portugal vê-se agora obrigado a vencer o próximo encontro do grupo, sob pena de comprometer seriamente o objectivo de seguir em frente no Mundial. A pressão está do lado da equipa nacional, que terá de elevar substancialmente os índices de criatividade e agressividade ofensiva, sob risco de repetir os desaires do passado. A ineficácia demonstrada frente à RD Congo serve de aviso para o que aí vem: já não basta o estatuto ou a qualidade individual, é preciso provar em campo que se é realmente candidato ao título. O próximo jogo será, sem margem para dúvidas, um teste decisivo ao verdadeiro valor deste plantel e à capacidade de Roberto Martínez para encontrar soluções rápidas e eficazes.

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