Ronaldo falha oportunidades e aumenta críticas após empate de Portugal

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Duas oportunidades escandalosamente desperdiçadas por Cristiano Ronaldo e um desempenho praticamente invisível incendiaram novas críticas ao capitão da selecção portuguesa, que volta a ser acusado de já não ter andamento para liderar Portugal rumo à glória no Mundial. Aos 41 anos e na sua sexta presença num Campeonato do Mundo — feito que apenas Lionel Messi iguala — Ronaldo não conseguiu calar os que duvidam da sua influência actual, falhando duas ocasiões flagrantes na segunda parte frente à República Democrática do Congo, num empate a uma bola que deixou a equipa das Quinas debaixo de fogo.

O encontro, realizado para o Grupo K, marcou um regresso histórico dos congoleses à competição, 52 anos depois da sua última presença. Portugal, apontado como um dos favoritos, voltou a tropeçar quando menos se esperava. Ronaldo, apesar do estatuto de melhor marcador internacional de sempre, foi o jogador português com menos intervenções — apenas 25 toques na bola em mais de 45 minutos, um dado gritante para quem se espera que seja o homem-golo. Os dois falhanços na cara do guarda-redes adversário, ambos de curta distância, deixaram Bruno Fernandes visivelmente frustrado, como ficou patente na reacção prolongada do médio do Manchester United após a primeira dessas oportunidades.

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Este resultado compromete desde já a caminhada portuguesa, levantando dúvidas sérias sobre as opções de Roberto Martínez e o real papel de Ronaldo na equipa. O seleccionador nacional recusou-se a individualizar a prestação do capitão na conferência de imprensa pós-jogo, preferindo responsabilizar o colectivo: “Temos de aproveitar todos os jogadores em campo. O ponta-de-lança (Ronaldo) tem de estar perto da pequena área e temos de lhe dar a bola”, afirmou Martínez, insistindo que a equipa falhou no apoio ao seu atacante de referência.

Questionado sobre a possibilidade de substituir Ronaldo, Martínez foi peremptório: “Não faz sentido tirar do campo o melhor marcador do mundo num jogo em que precisas de golos”, defendeu o seleccionador, sublinhando a importância da experiência do avançado em momentos de pressão. “Em momentos como este, a experiência do Cristiano na área é fundamental. A maneira como atrai os defesas é importante, tal como o espaço que se cria para os restantes. E, claramente, quando procuras golos, precisas do Cristiano”, acrescentou ainda.

Esta posição do seleccionador reabre o debate nacional: deve Ronaldo continuar a ser titular indiscutível, entrar apenas como suplente de luxo, ou chegou a hora de dar lugar a sangue novo? Os números não mentem — 143 golos em 229 internacionalizações, ambos recordes mundiais no futebol masculino — mas a selecção não carece de soluções ofensivas. Com jogadores como Rafael Leão, João Félix ou Gonçalo Ramos a pressionar pela titularidade, a paciência dos adeptos e da crítica começa a esgotar-se perante exibições apagadas do capitão.

O que se segue para Portugal é uma pressão acrescida nos próximos jogos da fase de grupos, com a obrigação de vencer para garantir o apuramento e, acima de tudo, para restaurar a confiança de adeptos e analistas. O papel de Ronaldo será novamente escrutinado ao pormenor, já que qualquer deslize poderá custar caro tanto à sua reputação como às aspirações da equipa das Quinas. A discussão promete intensificar-se: será este o fim do reinado de Ronaldo na selecção, ou conseguirá o veterano silenciar os críticos e voltar aos golos decisivos? Tudo está em aberto, mas uma coisa é certa: o futuro da selecção portuguesa está nas mãos — e nos pés — de quem provar estar à altura dos grandes momentos.

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