A selecção portuguesa deixou os adeptos boquiabertos ao ceder um empate a uma inesperada República Democrática do Congo, num jogo em que o favoritismo luso parecia incontestável à partida. O empate 1-1, conquistado em Houston, não só abalou as expectativas em torno do percurso de Portugal no Mundial, como expôs fragilidades e desconcentração num plantel repleto de estrelas e candidatos ao título. Num encontro em que se exigia domínio total e vitória inequívoca, a equipa das quinas não foi além de um golo madrugador e assistiu, incrédula, à reacção apaixonada dos congoleses, que celebraram como se tivessem vencido o troféu.
O jogo ficou marcado pelo arranque fulgurante de Portugal, com João Neves a cabecear para o fundo das redes logo aos seis minutos, alimentando a esperança de goleada. No entanto, apesar de quase 70% de posse de bola e de nomes sonantes como Cristiano Ronaldo em campo, os comandados de Roberto Martínez revelaram-se incapazes de traduzir domínio em oportunidades claras, caindo numa teia de passes inconsequentes e hesitação ofensiva. A República Democrática do Congo, que regressou ao Mundial após uma ausência de 50 anos, mostrou-se imperturbável, resistindo à pressão e aproveitando uma desatenção fatal da defesa lusa para igualar nos descontos da primeira parte, por intermédio de Yoane Wissa.

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Este resultado, inesperado e decepcionante, levanta dúvidas e inquietações sobre o verdadeiro estado da equipa nacional. Portugal partia como um dos principais favoritos à conquista do troféu, mas a incapacidade de capitalizar o golo inicial e a apatia demonstrada após o empate adversário deixam em aberto questões sobre a preparação, mentalidade e liderança em momentos-chave. O empate permite à RDC sonhar e obriga Portugal a uma reflexão profunda, sob pena de hipotecar as aspirações à passagem aos oitavos-de-final.
Na conferência de imprensa após o encontro, Roberto Martínez adoptou um discurso de cautela e exigência, recusando dramatizar em excesso, mas não escondendo a necessidade de correcção imediata. “Temos de melhorar. Temos de ser muito autocríticos”, sublinhou o seleccionador, reforçando: “A nossa responsabilidade aqui é avaliar este jogo, ser autocríticos e esse é o ponto principal… O Mundial é assim. Continuamos o nosso trabalho.” Martínez destacou ainda a postura dos jogadores, afirmando: “Reparei que a atitude dos jogadores foi extraordinária acima de tudo e acredito no que podemos fazer.” Apesar do desaire, o técnico espanhol procurou encontrar paralelismos com trajectos de campeões do passado: “Equipas como Espanha e Argentina também tiveram arranques difíceis no Mundial antes de triunfarem. O importante é reflectir, aprender e seguir em frente.”
O seleccionador foi mais longe ao analisar o efeito do golo inicial, considerando-o, paradoxalmente, prejudicial à equipa: “Marcámos num momento em que normalmente as emoções ajudam a manter o ímpeto e tentar marcar o segundo golo, mas para nós foi o efeito oposto. Tentámos manter a posse de bola, não conseguimos chegar à área e demos oportunidade ao Congo para se reestruturar e montar contra-ataques.” Martínez alertou ainda para o facto de a equipa não se poder deixar embalar pela vantagem, perdendo agressividade e foco: “Temos de aprender que o nosso futebol e a nossa responsabilidade é atingir o nível mais alto possível.”
Quanto ao adversário, Martínez não poupou elogios à exibição e ao plano de jogo congoleses: “Eles foram intensos, confiantes. Jogaram como se fosse uma grande final num grande torneio e isso demonstra uma personalidade incrível. Sabíamos que o Congo podia fazer isto. Não foi uma surpresa.”
Com este resultado, Portugal vê-se obrigado a vencer o próximo jogo frente ao Uzbequistão, agendado para terça-feira, para não comprometer o apuramento no Grupo K. Uma nova escorregadela poderá significar um cenário de crise e pressão máxima sobre o balneário e o seleccionador. Os olhos do país e da Europa estão agora fixos na resposta que Cristiano Ronaldo e companhia serão capazes de dar, numa competição onde não há espaço para erros repetidos e onde cada ponto perdido pode custar o sonho de voltar a erguer um troféu internacional.
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