Yoane Wissa, avançado da República Democrática do Congo, protagonizou um dos momentos mais emocionantes deste Mundial ao marcar o primeiro golo da história do seu país na competição, precisamente contra Portugal. O empate a um golo não só surpreendeu a selecção nacional portuguesa, como lançou o nome de Wissa para as luzes da ribalta internacional, mas a verdadeira força do jogador vai muito além do que se vê em campo: um sobrevivente de um ataque brutal com ácido, que quase lhe roubou a visão e a carreira, Wissa é hoje símbolo de resistência, esperança e orgulho nacional.
O encontro disputado em Houston ficará para sempre gravado na memória dos congoleses. Yoane Wissa, nascido em França mas de raízes profundas no Congo, igualou o marcador frente à poderosa equipa de Cristiano Ronaldo, conseguindo assim somar o primeiro ponto de sempre da selecção africana num Campeonato do Mundo. As cicatrizes no rosto e os óculos especiais são testemunhos visíveis do ataque cruel de que foi vítima em 2021, à porta de casa, onde esteve à beira de perder a visão para sempre. Ainda assim, desafiou o destino e regressou aos relvados para escrever uma página inédita do futebol congolês.

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A importância deste feito transcende o mero resultado desportivo. Para um país devastado pela guerra no leste e marcado por décadas de sofrimento, o golo de Yoane Wissa representa redenção, união e orgulho para milhões de congoleses espalhados pelo mundo. Este momento histórico devolve esperança a uma nação habituada a resistir, tal como a lendária selecção do Zaire em 1974, cuja memória continua viva entre as novas gerações. A história pessoal de Wissa é, ela própria, um reflexo da perseverança de um povo: de criança apaixonada pelo râguebi e pelas balizas, a estrela em ascensão no Lorient, até chegar à Premier League pelo Brentford e, mais recentemente, ao Newcastle.
No final do jogo, ainda emocionado e incrédulo com o feito alcançado, Yoane Wissa não escondeu a dor do passado nem o orgulho do presente. “É uma história da qual não gosto muito de falar porque ainda dói, mas arrisquei-me a perder a visão e a não voltar a jogar. Sofri com isso”, confessou, recordando o ataque que quase lhe pôs fim à carreira. No entanto, após o golo histórico, Wissa admitiu: “Rezei para não estar em fora de jogo, não percebi nada. Vou precisar de algum tempo para processar”, frisando que, naquele momento, pensou “nos milhões de congoleses em todo o mundo, os filhos da diáspora devido à guerra e, claro, o Zaire, os rapazes de 1974”.
Questionado sobre o impacto deste empate, Wissa foi claro: “Temos de ser um exemplo, demonstrar que somos fortes, unidos e rezar pela paz. Este ponto é para todos os congoleses, para quem ficou em casa, para quem viajou e para quem já não está entre nós. Resistimos”, afirmou, numa mensagem de união e esperança. O avançado reconheceu ainda o caminho difícil até ao topo: “A minha é uma história de verdadeira luta”, recordou, sublinhando o percurso desde as divisões inferiores do futebol francês até à elite do futebol inglês. Sobre o seu último ano, Wissa não escondeu a frustração: “Foi um ano difícil, não fiz a diferença, mas voltarei com mais fome do que nunca”, prometeu.
O empate frente a Portugal, equipa liderada pelo inigualável Cristiano Ronaldo, é encarado por Wissa como um ponto de viragem: “Este 1-1 entrará nos livros, para além de Cristiano, que continua a ser um fenómeno imbatível. Mas demonstrámos que o trabalho e o sacrifício podem contrariar os prognósticos”, destacou. Agora, o foco da selecção congolesa vira-se para a conquista dos primeiros três pontos e uma inédita passagem aos oitavos de final: “Conquistámos o primeiro ponto da nossa história, agora temos de conquistar os primeiros três”, afirmou Wissa, determinado.
O futuro imediato da República Democrática do Congo no Mundial está mais aberto do que nunca e a confiança gerada por este resultado poderá ser a chave para um percurso surpreendente. Wissa, com a sua história de superação e resiliência, tornou-se num verdadeiro herói nacional, inspirando não só os seus colegas, mas também todos os que lutam diariamente contra as adversidades. O próximo jogo será decisivo para as aspirações congolesas, mas uma coisa é certa: a nação já ganhou um novo símbolo de esperança e determinação.
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