O empate a uma bola frente à República Democrática do Congo caiu como um balde de água fria sobre as aspirações portuguesas, que entraram no Mundial de 2026 com o rótulo de candidatos ao título e saíram do primeiro jogo a ouvir assobios e a sentir o peso da desilusão nacional. O arranque apagado da selecção das Quinas, incapaz de transformar o favoritismo em domínio claro, reacendeu as dúvidas sobre a capacidade real do grupo de Roberto Martínez para finalmente conquistar o troféu mais desejado.
A selecção nacional adiantou-se cedo no marcador, com um golo de cabeça de João Neves logo aos seis minutos em Houston, mas rapidamente perdeu o controlo do jogo perante uma congolesa intensa e confiante, que acabou por empatar e somar mais oportunidades de golo — deixando Portugal com apenas um remate enquadrado em todo o encontro. Após a igualdade, o ritmo dos lusos quebrou-se e ficou à vista o desconforto de uma equipa presa, sem ideias, e demasiado dependente do talento individual. Desde o quarto lugar no Mundial de 2006, Portugal só venceu seis dos últimos 17 jogos na maior competição de selecções, sempre frente a adversários teoricamente acessíveis como Coreia do Norte, Gana (por duas vezes), Marrocos, Uruguai e Suíça. Apesar dos plantéis recheados de talento e de nomes de topo mundial, a selecção não ultrapassou os quartos-de-final desde então, tendo sido eliminada por Marrocos em 2022 e sofrido uma surpreendente saída na fase de grupos no Brasil, há 12 anos.

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O momento é especialmente marcante se olharmos para a evolução histórica: antes de 2002, Portugal tinha apenas duas presenças em Mundiais — a histórica campanha de 1966, com Eusébio a liderar à medalha de bronze, e a queda precoce em 1986. O crescimento do futebol nacional nas últimas décadas elevou dramaticamente as expectativas, e a chegada ao Mundial 2026 era vista como a grande oportunidade para erguer o troféu pela primeira vez. No entanto, a exibição frente ao Congo lançou um alerta vermelho sobre as reais capacidades da equipa, aumentando a pressão sobre jogadores e treinador.
Roberto Martínez, em declarações após o jogo de Houston, assumiu o peso emocional que paira sobre o grupo, mas pediu sangue-frio e foco na análise. “Acho que é mais a mentalidade de tirar o peso dos ombros dos jogadores de quererem ganhar o Mundial”, explicou o seleccionador aos jornalistas. Instou depois à serenidade: “Agora temos de estar calmos, temos de avaliar, temos de destacar as coisas boas que fizemos, e fizemos muitas coisas boas. Temos de melhorar as coisas más, e é isso que acontece num Mundial.” Martínez reconheceu ainda o mérito do adversário, admitindo: “Eles (Congo) foram intensos, confiantes. Jogaram como se fosse uma grande final num grande torneio, e isso demonstra uma personalidade incrível. Sabíamos que o Congo podia fazer isso. Não foi surpresa.”
Apesar da tentativa de destacar pontos positivos, o seleccionador espanhol não escondeu a preocupação com a falta de agressividade competitiva e espírito de luta do grupo, aspectos que podem ser decisivos contra adversários de maior dimensão. Perante a ineficácia ofensiva e a incapacidade de controlar o jogo após o golo inaugural, crescem as dúvidas sobre a mentalidade e a preparação táctica da equipa, que precisa urgentemente de encontrar respostas para o que aí vem.
O próximo desafio de Portugal está agendado para terça-feira, dia 23, novamente em Houston, frente ao Uzbequistão – um jogo que se tornou, desde já, absolutamente crucial para as aspirações portuguesas no grupo e para a moral da equipa. Segue-se depois o embate com a Colômbia, a 27 de Junho, num calendário onde não há margem para deslizes. Uma nova escorregadela poderá comprometer seriamente a qualificação e aumentar o coro de críticas sobre a liderança técnica de Martínez e a eficácia do modelo de jogo implementado. O peso da história e das expectativas continua a assombrar Portugal, que terá de mostrar muito mais se quiser finalmente quebrar o enguiço e escrever um novo capítulo dourado no futebol mundial.
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