Cristiano Ronaldo voltou a estar no centro das atenções ao ser titular no empate de Portugal frente à República Democrática do Congo, no arranque do Mundial 2026, mas tocou apenas 25 vezes na bola e voltou a passar em branco. O seleccionador Roberto Martínez não hesitou em defender a aposta num dos maiores goleadores da história, enfatizando a importância do capitão mesmo num jogo em que o seu impacto directo foi reduzido.
A estreia da selecção nacional no Mundial, disputada em Houston, ficou marcada por um golo madrugador de João Neves, mas também pelo empate arrancado pelo Congo já em tempo de compensação da primeira parte, graças a Yoane Wissa. Ronaldo, recordista absoluto de golos por Portugal com 143 tentos, alinhou os 90 minutos pela primeira vez desde Novembro de 2025, mas soma agora quatro jogos consecutivos pela selecção sem marcar e apenas um golo nos últimos oito encontros em fases finais. A prestação pouco interventiva, com apenas 25 toques na bola – o seu segundo registo mais baixo em Mundiais, só superado pelo confronto com a Holanda em 2006 –, gerou discussão e críticas, mas Martínez foi peremptório após o apito final.

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“Não faz sentido substituir o melhor marcador do futebol mundial num jogo em que precisamos de golos”, atirou Roberto Martínez, justificando assim a permanência de Ronaldo em campo até ao fim. O seleccionador espanhol sublinhou ainda: “Claramente, quando procuramos golos, precisamos de ter o Cristiano em campo.”
A incapacidade da equipa nacional de transformar o domínio em ocasiões claras de golo foi evidente. Portugal terminou o encontro com mais de 75% de posse de bola, mas apenas um remate enquadrado, e viu mesmo o Congo ameaçar seriamente a vitória nos minutos finais. “Estávamos com dificuldades em entrar na área. O Congo tinha uma linha de cinco defesas que, por vezes, era praticamente uma linha de seis”, explicou Martínez. O treinador destacou ainda a importância de Ronaldo nesse tipo de cenário: “Pode-se usar as qualidades do Cristiano nessas situações. O que precisávamos era de acrescentar o Gonçalo Ramos, sem tornar a nossa linha ofensiva ainda mais difícil tacticamente.”
O técnico fez questão de realçar que “no futebol, a linha recta nem sempre é o caminho mais rápido”. Para Martínez, a experiência de Ronaldo na grande área “é fundamental”, não só pela capacidade de atrair defesas, mas também por abrir espaços para outros jogadores. “Cada jogador tem uma responsabilidade ou uma qualidade em campo”, frisou ainda, demonstrando total confiança no papel do capitão.
Apesar do desfecho aquém das expectativas, Martínez elogiou a disciplina táctica da equipa, sobretudo dos avançados. “Na nossa estrutura de jogo, o ponta-de-lança tem de ter muita disciplina, o que significa manter-se na linha defensiva, atrás dos centrais, a abrir espaços”, detalhou. O seleccionador reconheceu, porém, que “depois do primeiro golo, não chegámos ao último terço com a qualidade necessária para servir o avançado ou aproveitar os seus movimentos”. A entrada de Francisco Conceição ao intervalo e as alterações ofensivas com Rafael Leão e Gonçalo Ramos foram tentativas claras de dar outra dinâmica à equipa, mas o resultado prático foi escasso.
Ronaldo ainda dispôs de duas oportunidades, e João Cancelo viu um golo de pontapé de bicicleta ser bem anulado por fora-de-jogo, mas Portugal revelou falta de eficácia. “Na segunda parte, com a entrada do Chico Conceição, começámos a chegar mais ao último terço. O espaço na linha defensiva começou a abrir-se mais e era o momento certo para utilizar o Gonçalo”, analisou Martínez. Também sublinhou a importância de “utilizar os jogadores certos nos momentos certos”, destacando as movimentações de Bruno Fernandes a chegar de trás.
A presença de Ronaldo, aos 41 anos, como titular absoluto continua a ser debatida, sobretudo depois de nas fases finais anteriores ter sido relegado para suplente em alguns momentos. Martínez rejeita qualquer tratamento especial: “Tratamos todos os jogadores da mesma forma. Vamos passo a passo, analisamos todos os dias. Tenho de avaliar cada jogador.”
Depois deste empate que complica as contas do grupo e obriga Portugal a vencer os próximos jogos para não comprometer o apuramento, a pressão aumenta sobre a equipa de Martínez para apresentar soluções ofensivas mais eficazes e libertar Ronaldo da marcação cerrada. O seleccionador terá de ponderar até que ponto pode continuar a apostar no capitão como referência única no ataque ou se deverá diversificar as opções, sobretudo perante adversários que se fecham atrás. O próximo encontro será decisivo não só para as aspirações lusas no Mundial, mas também para perceber se a aposta inabalável em Cristiano Ronaldo continua a ser a solução ideal ou se está na altura de reinventar o ataque nacional. A polémica está lançada e os olhos do país – e do mundo – continuam colados ao destino de Portugal e do seu capitão lendário.
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