Messi brilha, dilema Ronaldo e Inglaterra a encantar no Mundial 2026

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Surpresas colossais, lendas a desafiar o tempo e um Mundial que desafia todas as expectativas: os primeiros jogos do Campeonato do Mundo de 2026 já deixaram o universo do futebol em estado de choque e euforia. Desde a impressionante estreia de Cabo Verde e a eterna genialidade de Messi até à polémica dependência de Portugal em Ronaldo, há histórias que estão a abalar as estruturas do desporto-rei e a reescrever o guião da competição mais mediática do planeta.

Com os 48 participantes já em campo nas cidades norte-americanas, o novo formato da FIFA – alvo de críticas ferozes por alegados interesses financeiros e pela sobrecarga do calendário competitivo – revelou desde logo o seu lado imprevisível. Cabo Verde protagonizou o maior escândalo da jornada inaugural ao empatar diante da poderosa Espanha, campeã europeia em título, numa estreia que ficará para sempre na memória dos adeptos. O guarda-redes Vozinha, um verdadeiro símbolo de persistência, foi o herói da noite: aos 40 anos, depois de só se ter tornado profissional aos 25, fechou a baliza com defesas monumentais e não conteve as lágrimas ao apito final. A sua história conquistou milhões nas redes sociais, tornando-o uma sensação global quase de um dia para o outro.

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Mas não foi só Vozinha a conquistar os corações dos fãs. Pico Lopes, defesa do Shamrock Rovers, foi recrutado para a selecção via LinkedIn, provando que o Mundial continua a ser o palco dos sonhos improváveis. Estes episódios mostram que, apesar das críticas à expansão do torneio, a magia do futebol continua viva e capaz de surpreender mesmo no palco mais comercializado do desporto mundial.

No meio deste turbilhão de emoções, Lionel Messi voltou a reclamar o seu trono. Aos 38 anos, depois de se mudar para a MLS em 2023 e de muitos vaticinarem o início da sua decadência, o argentino mostrou que está, afinal, em plena forma. Liderou a qualificação sul-americana em golos (8), e logo na estreia do seu sexto Mundial – um recorde absoluto – assinou um hat-trick brilhante contra a Argélia, igualando Miroslav Klose como melhor marcador de sempre em fases finais. “Messi ainda é o melhor jogador do planeta”, dizem os especialistas e, perante o que se viu, ninguém se atreve a contrariar. Kylian Mbappé, Lamine Yamal, Erling Haaland e Ousmane Dembélé são apontados como sucessores, mas “o rei continua vivo”, como resumiu um comentador argentino após o jogo.

Espanha, por seu lado, sofreu um rude golpe ao ser travada por Cabo Verde, levantando dúvidas sobre a eficácia do seu ataque. A equipa de Luis de la Fuente dominou com 74% de posse de bola e 27 remates, mas não encontrou maneira de bater Vozinha. A ausência de Lamine Yamal e Nico Williams tirou criatividade ao ataque, expondo a crónica dificuldade espanhola em formar um verdadeiro ponta-de-lança. Ferran Torres e Mikel Oyarzabal passaram ao lado do jogo, reforçando a ideia de que a escola tiki-taka, admirável na posse, pode estar a sufocar a produção de avançados de elite. Não é por acaso que, há dezoito anos, um espanhol não lidera a lista de melhores marcadores da La Liga. A dúvida é se esta carência não custará caro à Roja, como aconteceu em Mundiais anteriores.

A situação de Portugal é, igualmente, tema central e polémico. A dependência de Cristiano Ronaldo, já com 41 anos, não passa despercebida e levanta questões sobre a capacidade da selecção dar o salto qualitativo. Ronaldo, capitão e lenda viva, soma números astronómicos no Al-Ittihad – 129 golos em 148 jogos – mas no empate com a RD Congo foi uma sombra de si mesmo: apenas 25 toques na bola e nenhum remate enquadrado. Pior: já leva 33 remates e 10 jogos sem marcar em fases finais por Portugal, e nunca marcou nos oitavos-de-final ou além em Mundiais. “A recusa de Portugal em afastar-se do seu talismã envelhecido pode custar caro a uma equipa cheia de talento”, alertam os analistas. A pressão cresce sobre Roberto Martínez para tomar decisões difíceis antes que seja tarde demais.

Por fim, Inglaterra, tantas vezes associada a futebol aborrecido e pragmatismo, surpreendeu tudo e todos com um início fulgurante. Sob o comando de Thomas Tuchel, os ingleses bateram a Croácia por 4-2 num jogo electrizante em Dallas. O ataque foi demolidor, com Jude Bellingham a marcar e a equipa a disparar nove remates – sete deles enquadrados – em apenas doze minutos na segunda parte. Os adeptos já sonham com uma Inglaterra irreverente, ofensiva, capaz de conquistar o público neutro e, quem sabe, repetir os feitos de 1966.

À medida que o torneio avança para a segunda ronda, cresce a expectativa sobre as respostas à altura das narrativas que explodiram nestes primeiros dias. Será que Messi conseguirá guiar a Argentina a mais um título? Conseguirá Portugal reinventar-se sem Ronaldo? Espanha irá encontrar um matador capaz de resolver jogos grandes? E terá Inglaterra finalmente encontrado a fórmula do espectáculo? Com tantas histórias por resolver, o Mundial de 2026 promete emoções ao rubro e reviravoltas a cada canto do relvado. O mundo do futebol, uma vez mais, assiste de olhos bem abertos – e ninguém quer perder pitada.

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