Bryson DeChambeau está à beira de mais uma eliminação precoce num major, abalando as expectativas de quem acreditava num regresso em grande no U.S. Open de 2026. Depois de um arranque promissor em Shinnecock Hills, onde terminou o primeiro dia com um sólido 70 ao par, o norte-americano claudicou esta sexta-feira, registando um desastroso 75 (+5) que o deixa perigosamente perto da linha de corte — e prestes a falhar o fim-de-semana de competição pela terceira vez consecutiva num torneio do Grand Slam.
A prestação de DeChambeau nesta sexta-feira ficou marcada por um jogo curto absolutamente caótico e por um putter que se recusou a colaborar nos momentos decisivos. Logo nos buracos 3 e 4, o antigo campeão do U.S. Open comprometeu o seu jogo com dois duplos bogeys consecutivos, ambos provocados por chip shots desastrados antes do green. Ainda tentou reagir com um birdie no buraco 5, mas voltou a tropeçar no buraco seguinte, onde um chip medíocre resultou num bogey após dois putts. O pesadelo prolongou-se ao longo do percurso, com DeChambeau a completar a primeira metade do campo em 38 pancadas (+3), somando depois mais bogeys nos buracos 13, 15 e 17.

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No buraco 18, teve uma oportunidade de ouro para salvar o orgulho e garantir melhores hipóteses de passar o cut: precisava apenas que o putt de 4,5 metros encontrasse o fundo do buraco. Porém, a bola roçou o bordo da taça e ficou fora, simbolizando um dia de pura frustração. Segundo as previsões da DataGolf, à hora do fecho desta edição, existe uma probabilidade de 74% de a linha de corte fixar-se nas 4 pancadas acima do par — cenário que deixaria DeChambeau fora do fim-de-semana pela terceira vez consecutiva num major.
Este fracasso ganha ainda mais peso tendo em conta o historial de DeChambeau no U.S. Open, onde já levantou o troféu por duas vezes. A sua incapacidade recente de se afirmar nos palcos mais mediáticos do golfe mundial é motivo de preocupação para o próprio e para os seus adeptos, sobretudo numa época em que ostenta já dois triunfos no circuito LIV Golf e ocupa o segundo lugar no ranking da temporada, apenas atrás de Jon Rahm. Apesar do domínio demonstrado no circuito saudita, a verdade é que DeChambeau não tem conseguido transportar esse nível de excelência para os majors, falhando claramente nos momentos de maior pressão.
Depois da ronda, visivelmente frustrado, DeChambeau admitiu: “O meu jogo curto simplesmente não esteve à altura. Não consegui encontrar consistência nos chips e o putter também não colaborou. Dei o máximo, mas hoje não saiu nada do que tinha planeado.” As palavras do golfista norte-americano, proferidas na zona mista à saída do campo, deixam claro o desalento de quem espera sempre lutar pelas primeiras posições. “É difícil aceitar falhar cortes consecutivos, mas vou continuar a trabalhar. Estas semanas são dolorosas, mas fazem parte do crescimento”, acrescentou DeChambeau, já a pensar em regressar mais forte.
A pressão sobre o antigo campeão aumenta, especialmente tendo em conta o seu percurso recente: no Masters, triplicou o bogey no 18 e falhou o corte por duas pancadas; no PGA Championship, desiludiu logo no primeiro dia com um 76 (+6), hipotecando as hipóteses ainda antes do fim-de-semana. Este trio de desilusões consecutivas começa a pesar na reputação de DeChambeau, que se vê agora obrigado a repensar estratégias e a recuperar confiança antes do próximo grande desafio.
Com o futuro imediato em suspenso, resta saber se a linha de corte ainda poderá beneficiar DeChambeau, caso suba para as 5 pancadas acima do par. A probabilidade, no entanto, é ténue, e tudo indica que o próximo compromisso do norte-americano só acontecerá daqui a quatro semanas, no Open Championship, marcado para 16 de Julho. O desafio é claro: transformar a consistência demonstrada no LIV Golf em resultados palpáveis nos majors, sob pena de ver a sua aura de estrela mundial do golfe a esbater-se perante os olhos dos adeptos e críticos.
A incógnita permanece: conseguirá Bryson DeChambeau recuperar o estatuto de protagonista nos grandes palcos, ou estará perante uma crise de confiança que ameaça marcar a sua carreira na elite do golfe? Uma coisa é certa — os olhos do mundo estarão postos no seu próximo tee shot, à espera de uma resposta à altura do seu talento.
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