Matheus Cunha bisou e Brasil arrasou o Haiti, carimbando sem piedade a primeira eliminação do Mundial 2026. A selecção canarinha dissipou todas as dúvidas e críticas que pairavam após o empate inaugural com Marrocos e assumiu, com autoridade, a liderança do Grupo C – numa exibição esmagadora no relvado de Filadélfia que deixou os haitianos sem argumentos e já fora da competição.
O avançado do Manchester United foi o protagonista incontestado, ao assinar dois golos e dinamizar todo o ataque brasileiro. Com Carlo Ancelotti a mexer no onze e a apostar em Cunha em detrimento de Igor Thiago, a resposta não podia ter sido mais imediata: aos 23 minutos, o brasileiro inaugurou o marcador, beneficiando de um lance infeliz do defesa Hannes Delcroix, que, pressionado, acabou por chutar a bola contra o próprio Cunha, traindo o guarda-redes haitiano Johny Placide. Mas não ficou por aqui: pouco depois, voltou a estar no sítio certo quando Placide defendeu para a frente um remate de Vinícius Jr e Delcroix, atrapalhado, não conseguiu resolver.

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O segundo golo de Cunha, esse sim, foi de classe pura. Vinícius Jr descobriu o companheiro com um passe magistral e Cunha disparou, sem hipótese para Placide, para o ângulo superior, aos 36 minutos. O domínio brasileiro ficou ainda mais evidente já em tempo de compensação da primeira parte, quando Lucas Paquetá – antigo médio do West Ham – serviu Vinícius Jr com um passe longo sublime. O craque do Real Madrid não tremeu e, com toda a frieza, bateu Placide, somando o seu segundo golo neste Mundial.
Apesar do festival ofensivo, nem tudo correu de feição ao Brasil. Raphinha, extremo do Barcelona, saiu lesionado antes do intervalo e deu lugar a Rayan, do Bournemouth, deixando alguma apreensão no banco de Ancelotti. No entanto, a superioridade nunca esteve em causa e, na segunda parte, até o guarda-redes Alisson teve de brilhar ao negar o golo a Ricardo Adé, que cabeceou com perigo após um canto.
O jovem Endrick, sensação do futebol brasileiro, ainda celebrou aquele que seria o seu primeiro golo em Mundiais, mas o VAR anulou por fora-de-jogo, adiando a festa do prodígio de 17 anos. Do lado haitiano, ficou a desilusão e o adeus matemático à prova – já não podem alcançar Brasil ou Marrocos na classificação e, mesmo igualando a pontuação da Escócia, perdem no confronto direto com os britânicos.
No final, Matheus Cunha salientou o espírito de grupo e mostrou-se satisfeito por responder em campo às dúvidas: “Sabíamos que tínhamos de dar uma resposta forte e foi isso que fizemos. Agora queremos continuar a crescer.” Vinícius Jr, autor de mais um golo, enalteceu a qualidade do plantel: “Temos jogadores capazes de decidir a qualquer momento. O importante é mantermos esta mentalidade.”
O seleccionador Carlo Ancelotti, visivelmente mais satisfeito, destacou a eficácia ofensiva: “Foi uma exibição convincente. Criámos muitas oportunidades e fomos eficazes. Perdemos o Raphinha, mas o grupo mostrou que está preparado para reagir a todas as adversidades”, afirmou, já na conferência de imprensa.
Do lado haitiano, o treinador lamentou os erros defensivos e a diferença de andamento: “Sabíamos que seria difícil, mas demos tudo o que tínhamos. O Brasil foi muito forte e aproveitou cada oportunidade.”
Esta vitória coloca o Brasil numa posição de destaque para garantir o apuramento nos oitavos-de-final, enquanto o Haiti se despede da competição de cabeça erguida, mas sem pontos. A pressão está agora do lado de Marrocos e Escócia, que terão de lutar entre si para seguirem em frente. Para a selecção brasileira, a exibição convincente serve de aviso à navegação: depois do susto inicial, os homens de Ancelotti estão de volta à rota dos favoritos – e o sonho do hexacampeonato renasce com nova força. Nos próximos jogos, as atenções vão centrar-se na recuperação de Raphinha e na integração do jovem Endrick, que promete lutar por um lugar entre os titulares.
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