Nove golfistas perdem a maior vantagem após 54 buracos no PGA Tour

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Nove golfistas de elite já desperdiçaram uma vantagem de seis pancadas na derradeira volta de torneios do PGA Tour — um feito raro, mas que se transformou em autêntico pesadelo para alguns dos nomes mais sonantes do golfe mundial. Este colapso histórico, que apenas aconteceu uma vez num major, ficou gravado para sempre na memória colectiva do desporto, principalmente devido ao drama vivido por Greg Norman no Masters de 1996, quando entregou de bandeja a vitória a Nick Faldo numa das reviravoltas mais chocantes de sempre em Augusta.

Entre os casos mais mediáticos, destaca-se o que aconteceu recentemente no US Open de 2026: Wyndham Clark chegou à última ronda com uma vantagem de seis pancadas, mas acabou por desperdiçar essa almofada confortável, ficando associado a um registo que nenhum profissional deseja ver ligado ao seu nome. Segundo o guia oficial do US Open, o maior avanço perdido por um não-vencedor era de cinco pancadas, estabelecido por Mike Brady em 1919 no Brae Burn Country Club. Com este resultado, Clark superou um recorde centenário e inscreveu-se, ainda que pela negativa, nos anais do golfe.

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A lista negra dos maiores colapsos após 54 buracos inclui ainda nomes como Collin Morikawa (The Sentry 2023), Scottie Scheffler (Tour Championship 2022), Dustin Johnson (WGC-HSBC Champions 2018), Spencer Levin (WM Phoenix Open 2012), Sergio Garcia (Truist Championship 2005), Hal Sutton (Anheuser-Busch Golf Classic 1983), Gay Brewer (Danny Thomas-Diplomat Classic 1969) e Bobby Cruickshank (Florida Open 1928). Apesar de serem figuras com provas dadas, todos estes jogadores foram incapazes de segurar a liderança isolada na última volta, tornando-se protagonistas involuntários de um dos capítulos mais dramáticos do circuito.

Este fenómeno não só alimenta o fascínio pelo golfe, como também reforça o argumento de que, neste desporto, nada está garantido até ao último buraco. O colapso de Greg Norman em 1996, quando perdeu para Nick Faldo após começar com seis pancadas de vantagem, tornou-se um clássico instantâneo, citado vezes sem conta por especialistas e adeptos sempre que se fala em reviravoltas épicas. Mais impressionante ainda foi a recuperação lendária de Arnold Palmer em 1960 no US Open, quando anulou um atraso de sete pancadas no arranque da última jornada, um feito que ainda hoje serve de inspiração para os golfistas que lutam contra o relógio e a pressão.

Scottie Scheffler, actual número um mundial, também já sentiu na pele o peso deste histórico colapso, ao ver escapar-lhe uma vitória quase certa no Tour Championship de 2022. Na altura, Scheffler admitiu depois do encontro: “Foi uma lição dura — quando achamos que temos tudo controlado, o golfe trata de nos lembrar que nada está fechado até ao último putt.” A franqueza do norte-americano foi elogiada pelos colegas, mas ficou claro que o trauma de perder uma liderança tão confortável é difícil de digerir mesmo para os melhores do mundo.

Já Sergio Garcia, outro dos nomes nesta lista infame, referiu após o Truist Championship de 2005: “As pessoas pensam que é fácil gerir a pressão, mas quando tudo começa a correr mal, parece impossível travar a queda. O importante é aprender e voltar mais forte.” Estas declarações sublinham a dimensão psicológica brutal do golfe ao mais alto nível, onde a diferença entre a glória e o desastre pode resumir-se a um par de más decisões ou à incapacidade de lidar com o peso do favoritismo.

A questão que se impõe agora é clara: quem será o próximo a cair nesta armadilha mental e técnica que tantas estrelas já vitimou? A cada torneio, a pressão aumenta sobre os líderes, especialmente quando chegam à última volta com uma vantagem significativa. Os adeptos e analistas não tiram os olhos do topo da tabela, prontos para assistir, a qualquer momento, à próxima grande queda. Para os jogadores, o desafio não é apenas manter a técnica apurada, mas sobretudo blindar-se mentalmente contra a ansiedade e os fantasmas do passado. O golfe, mais do que nunca, prova que a vitória só se celebra quando a última bola desaparece no buraco final.

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