Rory McIlroy sofreu um dos maiores colapsos da sua carreira num dos palcos mais exigentes do golfe mundial, deixando escapar uma posição privilegiada no U.S. Open e terminando fora do top 20, algo impensável para o antigo campeão deste major. Depois de chegar ao fim da primeira metade do torneio em Southampton, Nova Iorque, empatado no terceiro lugar e a apenas quatro pancadas do líder Wyndham Clark, o golfista norte-irlandês viu-se incapaz de segurar o ritmo e acabou por assinar uma das piores prestações da sua carreira recente nesta competição.
O desastre começou verdadeiramente no sábado, quando McIlroy fez 40 pancadas nos últimos nove buracos da terceira volta, comprometendo seriamente as suas hipóteses de lutar pelo título. No domingo, o pesadelo prolongou-se, com um resultado de 39 pancadas nos primeiros nove buracos. Apesar de um ligeiro alívio ao terminar uma pancada abaixo do par nos últimos nove, o estrago estava feito: McIlroy terminou com um total de seis acima do par, muito aquém das expectativas e longe do pódio. Trata-se do seu pior resultado no U.S. Open desde 2018, precisamente na última vez que Shinnecock Hills acolheu o torneio, quando McIlroy também teve uma prestação para esquecer, começando então com 80 pancadas e falhando o cut.

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A importância desta queda abrupta não pode ser subestimada, sobretudo tendo em conta o histórico recente de McIlroy. Entre 2019 e 2024, o norte-irlandês conseguiu sempre terminar no top 10 do U.S. Open, registando dois segundos lugares nos últimos dois anos. A consistência demonstrada nos grandes palcos fazia dele um dos principais favoritos à vitória, especialmente após ter completado o Grand Slam de carreira em 2024. Para além do prestígio inerente a mais um título, McIlroy tinha em mente dois objectivos históricos: vencer um U.S. Open num campo tradicional – um feito que sempre desejou – e igualar o lendário Harry Vardon com sete majors conquistados, o recorde europeu que ambiciona atingir para consolidar o estatuto de melhor golfista europeu de sempre.
No final da ronda de domingo, visivelmente desiludido, McIlroy não escondeu o desapontamento. “Acho que neste momento, o campo ganhou a batalha contra mim”, admitiu o golfista, acrescentando: “Olhando para toda a semana, vou obviamente lamentar o back nine de ontem. Cheguei aos nove buracos de sábado com menos duas pancadas no agregado, e depois tudo se desmoronou. Joguei muito mal na segunda metade e, basicamente, tirei-me da luta pelo torneio aí.” A sinceridade do discurso de McIlroy reflecte a frustração de quem sabe que tinha tudo para lutar pela vitória, mas permitiu que a pressão e o campo de Shinnecock Hills o levassem ao limite.
Apesar do revés, McIlroy mantém o foco nas próximas etapas do calendário. O seu olhar já está posto em Pebble Beach, onde o U.S. Open regressa em Junho do próximo ano, e em Royal Birkdale, palco do Open Championship já no próximo mês. O próprio McIlroy revelou: “Vou jogar algum golfe de links esta semana, provavelmente. É a minha altura favorita do ano para voltar a casa e disputar o Open, além de passar algum tempo por lá. Este campo, no fim-de-semana, não era muito diferente de um Open Championship em termos de condições, mas vai saber bem jogar links nas próximas semanas.”
A pressão sobre McIlroy para conquistar mais um major e igualar Harry Vardon vai intensificar-se à medida que se aproximam os grandes torneios do verão. A comunidade do golfe europeu continuará atenta ao percurso do norte-irlandês, que tem ainda muito para alcançar apesar de já ter assegurado todos os títulos relevantes da modalidade. Os próximos meses serão decisivos para perceber se McIlroy consegue superar este tropeção e voltar a afirmar-se como o número um europeu, ou se este U.S. Open marca o início de uma nova fase menos brilhante na sua carreira. Certo é que, com a sua ambição e talento, ninguém se atreve a apostar contra um regresso em grande do campeão de 2011.
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