Andy Murray devolve confiança a Jack Draper antes do Wimbledon

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Andy Murray, lendário do ténis britânico, volta a fazer tremer Wimbledon — desta vez não como jogador, mas sim como treinador de Jack Draper, numa reviravolta surpreendente que promete agitar o All England Club. O jovem Draper, que nunca ultrapassou a segunda ronda do torneio londrino, conta agora com o apoio directo de um dos maiores nomes da modalidade, numa altura em que a sua carreira parecia ameaçada por lesões persistentes.

Jack Draper prepara-se para atacar Wimbledon depois do Eastbourne International, que decorre esta semana. O torneio de relva mais prestigiado do mundo arranca a 29 de Junho e, pela primeira vez, Draper entra em court com Andy Murray no seu banco, naquela que é apenas a segunda experiência do escocês como treinador. A decisão de Draper em recrutar Murray para a sua equipa durante a época de relva foi anunciada em Maio, alimentando as expectativas dos adeptos britânicos e renovando as ambições do jovem tenista de 22 anos.

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O contexto não podia ser mais dramático: Wimbledon é o único Grand Slam onde Draper nunca conseguiu chegar à terceira ronda, tendo sido eliminado na segunda ronda na edição passada, frente a Marin Cilic, em quatro sets. As expectativas para 2026 aumentaram exponencialmente com a chegada de Murray, três vezes vencedor de Majors e verdadeiro ícone do ténis britânico. Esta parceria surge num momento em que Draper tenta recuperar a confiança e forma física perdidas, após um ano marcado por problemas físicos — nomeadamente uma lesão no braço que o afastou dos courts durante grande parte de 2025 e uma nova lesão no joelho, que o obrigou a desistir do Open de Barcelona e o deixou de fora de Roland Garros.

A importância desta notícia é óbvia: Murray, já com provas dadas enquanto treinador por um curto período na equipa de Novak Djokovic — com quem chegou à meia-final do Australian Open e à final do Miami Open — oferece a Draper não só conhecimentos técnicos e estratégicos, mas também uma motivação extra, ao ser uma das maiores referências do ténis mundial. O próprio Draper reconheceu, em entrevista à Sky Sports antes do início de Eastbourne, o impacto que Murray tem tido na sua carreira: “Ele sempre me apoiou. Sempre tive uma grande relação com o Andy. Passámos algum tempo juntos na recta final da carreira dele e tem sido um grande suporte para mim desde então, mas agora pareceu-me o momento certo para o integrar na minha equipa. Sempre quis isso, porque é uma das minhas maiores inspirações”.

Para Draper, contar com Murray enquanto treinador e mentor é um privilégio raro. Ainda na mesma entrevista, revelou: “Ter o Andy na minha equipa técnica, não só como treinador, mas também como mentor, alguém que já passou por tudo, é algo muito especial. Mas também o facto de ele acreditar em mim, acreditar no meu ténis — especialmente nesta fase em que estou a tentar recuperar e reconstruir-me — dá-me um enorme impulso!”. Estas palavras ilustram a confiança renovada que o britânico sente na preparação para Wimbledon, depois de meses de frustração e dúvidas.

Apesar das dificuldades recentes, Draper já soma três títulos em sete finais alcançadas no circuito ATP. O seu triunfo mais recente ocorreu em Indian Wells, onde bateu Holger Rune na final. Em 2025, além do título nos Estados Unidos, o britânico chegou ainda às finais do Qatar Open e do Madrid Open, onde perdeu para Andrey Rublev e Casper Ruud, respectivamente. No entanto, as lesões têm sido uma travessia no deserto: “Sempre vi as lesões como algo de uma a duas semanas, por isso, quando surge uma mais grave, perdemos muita confiança no corpo e na capacidade de fazer aquilo que sempre fizemos. Passa-se de fazer tudo para depois lutar só para conseguir mexermo-nos sem dores e é preciso ultrapassar isso”, confessou Draper à Sky Sports.

Com a experiência de Murray no banco e a determinação renovada de Draper, o próximo Wimbledon promete ser palco de uma narrativa entusiasmante para os britânicos. Caso consiga ultrapassar finalmente a barreira da terceira ronda, Draper poderá não só relançar a sua carreira, como também devolver ao ténis britânico o protagonismo há muito disputado nos grandes palcos. A pressão é enorme, mas com Murray a comandar, as expectativas disparam: o público britânico já sonha com uma campanha histórica.

Resta saber se a experiência e o carisma de Andy Murray conseguirão transformar o potencial de Jack Draper num verdadeiro caso de sucesso em Wimbledon. O que é certo é que todos os olhos estarão postos nesta dupla, a partir de 29 de Junho, numa caminhada que pode marcar o renascimento de Draper e consolidar Murray como um treinador de elite.

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