O mundo do futebol voltou a ficar boquiaberto: Cabo Verde, a viver um conto de fadas no seu ano de estreia, voltou a desafiar expectativas e arrancou mais um empate histórico, desta vez frente ao gigante Uruguai. Ao mesmo tempo, Espanha deu uma demonstração de força ao cilindrar a Arábia Saudita, enquanto Mohamed Salah brilhou e manteve o Egipto na rota dos oitavos-de-final. O 11.º dia do Mundial FIFA 2026 trouxe surpresas, confirmações e deixou tudo em aberto em vários grupos.
Em Espanha, a campeã europeia finalmente mostrou porque é uma das favoritas: depois de um arranque titubeante e de um escandaloso empate a zero frente a Cabo Verde, a selecção de Luis de la Fuente entrou de rompante e esmagou a Arábia Saudita com um contundente 4-0. Lamine Yamal voltou ao onze titular e não perdeu tempo, inaugurando o marcador aos 10 minutos, após cruzamento perfeito de Mikel Oyarzabal. O próprio Oyarzabal, num estado de graça, bisou rapidamente e deixou logo a partida resolvida ainda antes da meia hora. O domínio absoluto da Roja foi selado na segunda parte, quando Hassan Tambakti, infeliz, introduziu a bola na própria baliza. Espanha não vacilou, recuperou o respeito e deu resposta aos críticos que a apontavam como “desilusão” do torneio.

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Enquanto a Espanha regressava às vitórias, a Bélgica voltou a desiludir e está à beira da eliminação precoce. Frente ao Irão, a geração dourada belga — com Courtois, De Bruyne e Lukaku — não conseguiu mais do que um empate a zero. O guarda-redes iraniano Alireza Beiranvand foi protagonista com uma defesa sensacional, e a incapacidade dos belgas em marcar deixou o Grupo G ao rubro. Após um empate com o Egipto na primeira jornada, a Bélgica precisa agora de vencer a Nova Zelândia para manter vivas as esperanças de qualificação, sob pena de mais um fracasso internacional.
Mas foi mesmo Cabo Verde quem conquistou o coração dos adeptos e fez história nesta ronda. Com pouco mais de meio milhão de habitantes, a selecção africana voltou a provar que não veio a este Mundial para ser figurante. Após o empate épico frente à Espanha, os cabo-verdianos enfrentaram o Uruguai — bicampeão mundial — e não se intimidaram. Kevin Lenini, numa execução irrepreensível de livre directo, apontou o primeiro golo de sempre de Cabo Verde em fases finais de Mundiais, fazendo explodir a bancadas. O Uruguai reagiu e virou o resultado ainda antes do intervalo, mas Cabo Verde nunca baixou os braços. Já na segunda parte, Helio Varela, lançado a partir do banco, aproveitou uma falha incrível de Mathias Olivera para restabelecer o empate e provocar festejos absolutamente selvagens entre jogadores, equipa técnica e adeptos.
No final do encontro, Helio Varela, visivelmente emocionado, não escondeu o orgulho pelo feito: “Disseram-nos que não tínhamos hipóteses, mas acreditámos sempre. Estamos a fazer história para o nosso povo”, afirmou o avançado, lembrando o percurso de superação desta selecção. O seleccionador Pedro Brito também reagiu à imprensa, sublinhando: “O que estes rapazes estão a conseguir é extraordinário. Mostrámos ao mundo que Cabo Verde pode competir com os melhores.” As declarações surgiram ainda em campo, no meio do delírio e da euforia cabo-verdiana.
Para Cabo Verde, este resultado abre agora um cenário impensável à partida: com dois empates contra adversários de elite, os estreantes estão a um pequeno passo de garantir a presença inédita nos oitavos-de-final. O próximo jogo, frente a uma selecção teoricamente mais acessível, pode carimbar uma qualificação histórica e lançar ainda mais este conjunto para as luzes da ribalta internacional. Espanha, por seu lado, recuperou confiança e volta a ser candidata a chegar longe, enquanto a Bélgica, mergulhada numa crise de identidade, joga tudo na última ronda para evitar novo desastre mundialista.
O Mundial 2026 está ao rubro e ninguém ousa já menosprezar Cabo Verde, a nova sensação do torneio, que promete continuar a escrever páginas douradas no futebol mundial.
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