Thibaut Courtois e Alireza Beiranvand proporcionaram um autêntico duelo de gigantes entre os postes, num encontro absolutamente frenético que terminou com um nulo surpreendente entre Bélgica e Irão, e que deixou as duas selecções de calculadora na mão para a última jornada do Grupo G do Mundial 2026. Apesar de reduzida a dez unidades após a expulsão de Nathan Ngoy, a Bélgica conseguiu segurar o empate, mas viu a sua candidatura aos oitavos-de-final seriamente ameaçada face à exibição corajosa e organizada dos iranianos.
O encontro, disputado em Los Angeles, ficou marcado pela expulsão de Ngoy aos 64 minutos, num lance em que o defesa belga perdeu o controlo da bola e acabou por travar de forma cínica Mehdi Taremi, que se isolava na direcção da baliza dos “Diabos Vermelhos”. Até esse momento, tanto Courtois como Beiranvand já tinham sido fundamentais para evitar golos adversários: o guarda-redes do Real Madrid negou por duas vezes o golo a Taremi, enquanto o iraniano esteve imperial perante Romelu Lukaku e Maxim De Cuyper. Ainda na primeira parte, o Irão chegou a festejar o 1-0 na sequência de um livre estudado, mas o VAR anulou o lance por fora-de-jogo milimétrico de Taremi.

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O empate sem golos deixa ambas as selecções com dois pontos, depois de terem empatado também a jornada inaugural. A margem de erro esgotou-se e só a vitória na derradeira ronda poderá garantir o apuramento para os oitavos-de-final. O Irão, que chegou a Los Angeles com atraso devido a problemas logísticos após o estágio em Tijuana, sobreviveu à entrada forte da Bélgica e respondeu com personalidade, colocando sucessivas dificuldades à defesa belga. O golo anulado por fora-de-jogo e a exibição irrepreensível de Beiranvand alimentam a esperança persa de continuar a fazer história.
Do lado belga, o seleccionador Domenico Tedesco não escondeu alguma frustração no final do encontro: “Claro que queríamos ganhar. Tivemos oportunidades claras, mas não fomos eficazes. Depois da expulsão, tivemos de nos reorganizar e lutar muito para segurar o empate. Agora só dependemos de nós e temos de mostrar outro futebol no próximo jogo”, afirmou Tedesco em conferência de imprensa. Já Carlos Queiroz, seleccionador do Irão, destacou a coragem da sua equipa: “Os meus jogadores foram exemplares. Chegámos tarde, não tivemos tempo para descansar, mas dentro de campo deram tudo. Estou orgulhoso pela forma como enfrentámos uma das melhores equipas do mundo. O golo anulado? São decisões do VAR, faz parte. O importante é continuarmos vivos e com aspirações”, declarou Queiroz após o apito final.
Para Courtois, eleito homem do jogo, a resiliência defensiva da Bélgica foi determinante: “Ficar com menos um jogador nestas condições nunca é fácil, mas mantivemos a cabeça fria e defendemos com tudo. O empate sabe a pouco, mas ainda temos tudo em aberto”, frisou o guarda-redes belga à saída do relvado. Beiranvand, por sua vez, atribuiu o mérito à união iraniana: “Mostrámos ao mundo que sabemos sofrer e lutar até ao fim. Agora vamos acreditar até ao último segundo”, garantiu o guarda-redes do Irão.
Com três empates nos três primeiros jogos, o Grupo G está completamente em aberto. Nova Zelândia e Egipto disputam na madrugada de segunda-feira um encontro que pode finalmente começar a definir a hierarquia, antes da derradeira jornada da fase de grupos. A pressão recai agora sobre a Bélgica, que terá de mostrar outra eficácia ofensiva para não comprometer o apuramento, enquanto o Irão sonha com a primeira presença nos oitavos-de-final de um Mundial. O próximo jogo será, sem margem para dúvidas, de tudo ou nada para ambas as selecções, num grupo onde ninguém conseguiu ainda impor-se de forma clara. O drama está longe de acabar e os adeptos podem esperar mais uma noite de emoções ao rubro.
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