O reconhecimento público da Liga Portuguesa de Futebol Profissional à influência decisiva do Benfica na centralização dos direitos audiovisuais está a agitar os bastidores do futebol nacional. Numa altura em que os grandes clubes disputam não só títulos mas também poder fora das quatro linhas, a afirmação de que “a contribuição do Benfica é incontornável” surpreende até os mais atentos ao xadrez directivo da I Liga, sublinhando o peso negocial dos encarnados mesmo após a saída do Conselho de Administração da Liga Centralização.
André Mosqueira do Amaral, director executivo da LPFP, veio a público esta sexta-feira assegurar que, durante todo o processo de negociação para a centralização dos direitos de transmissão televisiva, o Benfica esteve sempre “informado de tudo o que estava a acontecer”, mantendo-se uma relação de proximidade com os responsáveis do clube lisboeta. Apesar de terem abandonado o órgão centralizador, os encarnados nunca deixaram de ser escutados e, segundo Mosqueira do Amaral, “participaram igualmente no desenho das soluções, como as demais sociedades desportivas”. Esta abordagem, garante o dirigente, foi extensível a todos os clubes, independentemente da sua posição no processo, evidenciando um esforço de transparência e de inclusão por parte da Liga.

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A centralização dos direitos audiovisuais constitui uma das mais profundas revoluções no futebol português das últimas décadas, com impacto directo na competitividade financeira dos clubes e na atractividade do campeonato. Até agora, os principais emblemas negociavam individualmente os seus contratos de transmissão, perpetuando desigualdades gritantes entre os grandes e os restantes. O novo modelo, a entrar em vigor em 2028, propõe uma repartição mais equitativa das receitas e pretende alinhar Portugal com as melhores práticas das principais ligas europeias. Neste contexto, a intervenção activa do Benfica ganha ainda mais relevância, já que o clube acabou de fechar um acordo individual para as duas próximas temporadas por 104,6 milhões de euros, um valor recorde que estabelece um novo patamar para o mercado nacional.
Em declarações à agência Lusa, André Mosqueira do Amaral destacou: “Sempre tivemos o rigor de partilhar com o Benfica tudo o que estava a acontecer, o que é que estava a ser trabalhado, partilhar também aquilo que é a nossa visão. […] Sempre fizemos isso de estar perto, ir partilhando e, aliás, de também ir tendo os contributos do Benfica, mesmo não estando na centralização.” O dirigente reforçou ainda que “o Benfica participou igualmente no desenho como as demais sociedades desportivas participaram e também não poderia ser de outra maneira”, sublinhando que o respeito pela autonomia dos clubes foi sempre a prioridade da Liga.
Questionado sobre o impacto da recente venda dos direitos televisivos do Benfica, Mosqueira do Amaral foi peremptório: “Eu diria que termos partes individuais que vão valorizando, só faz com que o todo também tem que estar valorizado. Portanto, para nós esses indicadores do mercado são muito positivos, são superpositivos. Se fosse ao contrário, seria assustador. Sendo na direção certa, são muito positivos, obviamente.” Estas palavras deixam claro que a valorização dos acordos individuais dos grandes clubes pode servir de alavanca para uma valorização global do produto Liga, reforçando a posição negocial dos clubes portugueses perante operadores nacionais e internacionais.
Apesar do clima de rivalidade acesa entre os presidentes dos clubes, Mosqueira do Amaral garante que, dentro da LPFP, o ambiente é “colegial, construtivo”, como se viu na votação da chave de distribuição das verbas. “Foi de facto de um nível de elevação que até é difícil de encontrar noutras indústrias”, afirmou o responsável, realçando o sentido de responsabilidade colectiva demonstrado pelos clubes durante as negociações.
O novo modelo de distribuição aprovado assenta em cinco critérios principais: 57,5% do valor total será atribuído com base no mérito desportivo — posição final no campeonato, histórico de classificações e ranking UEFA —, 20% será dividido em partes iguais por todos os clubes, e 17,5% terá em conta as assistências médias nos estádios e as audiências televisivas. Estes critérios visam premiar o desempenho e a capacidade de mobilização dos adeptos, incentivando todos os participantes a investir na competitividade e no espectáculo.
Com a entrada em vigor da centralização a partir de 2028, os clubes portugueses terão finalmente a oportunidade de competir em condições financeiras mais equilibradas, o que poderá traduzir-se num campeonato mais imprevisível e atractivo para patrocinadores e adeptos. A influência activa do Benfica neste processo poderá ser determinante para garantir que o modelo seja, de facto, benéfico para todo o ecossistema do futebol nacional. A expectativa agora centra-se na forma como os clubes vão adaptar as suas estratégias e no impacto imediato que os novos contratos individuais, como o do Benfica, terão na negociação global dos direitos televisivos portugueses. Uma coisa é certa: a corrida pelo controlo do futuro financeiro do futebol luso está ao rubro e ninguém quer ficar para trás.
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