Alexander Zverev surpreendeu ao revelar que sofre de uma alergia à relva, uma condição inusitada que, segundo o próprio, afecta de forma recorrente a sua prestação na temporada de relva e, em particular, em Wimbledon. O alemão chega a Londres, já como campeão de um torneio do Grand Slam – após ter conquistado Roland Garros este ano – mas continua à procura do verdadeiro salto qualitativo num dos palcos mais emblemáticos do ténis mundial, onde nunca alcançou sequer uma final.
Actualmente número 3 do ranking ATP, Zverev chegou a Wimbledon após uma preparação limitada na relva, tendo atingido apenas as meias-finais no torneio de Halle, o seu único compromisso oficial antes de pisar os courts do All England Club. A luta contra a relva não se resume à componente tenística: o germânico confessou que todos os anos sente os efeitos de uma alergia específica à superfície, algo que até agora mantivera em segredo. “Tenho uma alergia à relva. Isto não é novidade para mim, tenho-a todos os anos. Simplesmente nunca falei sobre isso antes e, nos últimos anos, não deixei transparecer”, admitiu Zverev ao jornal Bild, revelando finalmente um dos seus maiores obstáculos físicos nesta fase da época.

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A relevância desta notícia vai muito além da mera curiosidade clínica: Zverev chega a Wimbledon com a moral em alta, liberto do peso de nunca ter vencido um major, mas vê-se, ainda assim, confrontado com uma barreira física pouco habitual entre os melhores do mundo – e que pode, de facto, condicionar não só o seu rendimento, como também as expectativas dos adeptos e especialistas. O germânico soma já 25 títulos na carreira, mas a maioria foi conquistada em terra batida e piso rápido, contrastando com o seu historial modesto na relva londrina. Wimbledon, recorde-se, é o único Grand Slam onde nunca chegou à final, o que confere ainda maior tensão à sua participação este ano, sobretudo agora que assume publicamente uma limitação física.
Zverev sublinhou também como a vitória em Roland Garros alterou o seu estado de espírito antes de mais um grande desafio: “Tenho de ser honesto comigo mesmo: sente-se diferente ter o título no bolso. Sinto mais alegria e, de certa forma, mais liberdade. Mas, quando entro em campo, quero fazer o meu trabalho e jogar o meu melhor ténis”, afirmou o alemão, demonstrando ambição redobrada apesar da condicionante que carrega consigo. A preparação decorreu entre sessões intensas frente a adversários de topo como Félix Auger-Aliassime e Andrey Rublev, bem como treinos nos courts cobertos do All England Club durante as recentes vagas de calor. “Está tudo muito bem concebido. Tudo tem ar condicionado lá dentro, mas mesmo com o teto aberto sente-se mais fresco. É uma estrutura realmente boa”, descreveu Zverev, elogiando as condições de Wimbledon para lidar com temperaturas extremas e, indirectamente, amenizar o impacto da sua alergia.
O alemão fez questão de frisar que, apesar da sua “alergia à relva” parecer um detalhe menor, encara Wimbledon com objectivos claros: transformar a confiança conquistada em Paris numa campanha consistente num piso que historicamente tem limitado as suas aspirações. O seu primeiro adversário será o belga Alexander Blockx, jovem promessa que já surpreendeu ao alcançar as meias-finais de um Masters em Madrid esta época e que, apesar da pouca experiência em Grand Slams, já testou jogadores de topo. Curiosamente, foi o próprio Zverev quem travou Blockx em Madrid e depois também em Roma, mas ambos esses duelos foram na terra batida. Desta vez, o confronto será na relva, com Blockx ainda à procura da sua primeira vitória no quadro principal de Wimbledon, depois de apenas triunfos na fase de qualificação.
Se Zverev conseguir ultrapassar o desafio físico e psicológico que a relva lhe impõe, poderá finalmente romper o estigma que o persegue em Londres e consolidar-se como um dos grandes da sua geração também neste piso. Caso contrário, a “alergia à relva” poderá continuar a ser o calcanhar de Aquiles do alemão num torneio que, ano após ano, teima em fugir-lhe. O próximo passo será perceber até que ponto esta limitação terá impacto real na sua performance frente a Blockx e, sobretudo, se será capaz de manter o nível exibido em Roland Garros, agora sob condições totalmente distintas. O mundo do ténis vai, sem dúvida, acompanhar cada detalhe desta história, na expectativa de ver se Zverev consegue finalmente conquistar Wimbledon — ou se, mais uma vez, a relva será o seu maior adversário.
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