Alerta máximo para os franceses: a Suécia, considerada um dos underdogs deste Mundial, chega aos oitavos-de-final sem nada a perder e pronta para surpreender. Didier Deschamps, seleccionador francês, deixou um aviso contundente ao plantel: “A Suécia não está a jogar pela sobrevivência. Obviamente vão fazer tudo para ganhar, mas não têm nada a perder”, declarou o técnico esta segunda-feira, em conferência de imprensa no MetLife Stadium, nos arredores de Nova Iorque, onde as duas selecções disputam o acesso aos quartos-de-final já amanhã.
A França, favorita à conquista do troféu depois do triunfo em 2018 e da final dramática perdida perante a Argentina em 2022, chega a este jogo decisivo embalada por uma fase de grupos irrepreensível. Les Bleus foram uma das três únicas equipas a conquistar nove pontos em nove possíveis, ao lado da campeã em título Argentina e dos co-anfitriões México, e atingiram a impressionante marca de dez golos marcados, igualando Alemanha e Países Baixos como os ataques mais produtivos da competição até ao momento.

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Deschamps, que regressou ao comando da equipa após se ausentar devido ao falecimento da mãe – “Foi bastante difícil quando nos anunciou a morte da mãe e disse que tinha de se ausentar. Foi um choque”, confidenciou Adrien Rabiot, médio da selecção francesa –, sublinhou a necessidade de máxima concentração nesta fase a eliminar: “Precisamos de manter a humildade, a determinação e a concentração. Na fase de grupos, vencer o primeiro jogo deu-nos alguma margem de erro, mas agora não há segundas oportunidades.” O técnico francês realçou ainda a qualidade do adversário: “Eles são uma boa equipa, muito atlética, mas também com (Viktor) Gyokeres, (Alexander) Isak e (Anthony) Elanga, têm muita qualidade no ataque.”
A Suécia, por sua vez, chega a esta fase da competição quase de forma milagrosa, depois de ter ficado no fundo do grupo de qualificação, mas conseguir o apuramento via play-offs graças ao desempenho na Liga das Nações. Os suecos garantiram o apuramento como um dos melhores terceiros classificados, após uma vitória esmagadora por 5-1 frente à Tunísia, um empate com o Japão e uma pesada derrota com os Países Baixos. Apesar das dificuldades, a equipa nórdica chega motivada, consciente de que todo o favoritismo recai sobre os franceses.
A história recente entre as duas selecções favorece curiosamente os suecos. No único embate num grande torneio, no Euro 2012, a Suécia venceu por 2-0, com Zlatan Ibrahimovic – actualmente comentador de televisão nos Estados Unidos – a marcar um dos golos. Esse resultado está certamente na memória dos jogadores franceses, que querem evitar repetir o desaire.
No que toca ao onze francês, Deschamps revelou que Marcus Thuram deverá falhar o encontro devido a uma ligeira lesão muscular, enquanto N’Golo Kanté está ainda em dúvida. William Saliba, que ficou de fora frente à Noruega devido a dores nas costas, deverá regressar ao centro da defesa, reforçando a retaguarda francesa para um duelo que se antevê intenso.
O regresso de Deschamps ao balneário foi recebido com alívio e motivação pelos jogadores. “Estamos contentes por tê-lo de volta. Não é fácil estar de luto nestas circunstâncias, mas penso que regressou com uma vontade real de fazer bem e ir o mais longe possível na competição”, partilhou Adrien Rabiot, dando conta do impacto emocional da presença do técnico.
O vencedor do encontro de terça-feira segue para os quartos-de-final, onde enfrentará, já no sábado, em Filadélfia, o vencedor do embate entre Alemanha e Paraguai. Com a pressão máxima sobre os ombros dos franceses e a Suécia a jogar sem complexos, o duelo promete emoções fortes e não está excluída a hipótese de surpresa. Para a França, apenas a vitória interessa – qualquer deslize pode significar o adeus prematuro a mais um sonho mundialista.
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