Flavio Cobolli destaca-se após vencer Mariano Navone e avança em Wimbledon

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Flavio Cobolli conseguiu um feito notável e está a causar sensação nos relvados de Wimbledon: o jovem tenista italiano ultrapassou Mariano Navone num duelo épico, resolvido em quatro sets e repartido por dois dias, devido à interrupção por falta de luz natural. O italiano não só garantiu a passagem à segunda ronda, como deixou uma mensagem de força e maturidade que está a mudar a forma como os colegas de circuito o encaram.

O encontro, iniciado na tarde do dia anterior e suspenso quando a escuridão caiu sobre Londres, obrigou Cobolli a adaptar a sua preparação e a lidar com a quebra da rotina habitual de atleta. O italiano de 24 anos demonstrou uma resiliência digna de destaque, ao não se deixar abalar pelo facto de ter de regressar ao court para terminar um jogo crucial, em vez de um simples treino. “Dormi bem, não estava nem nervoso nem tenso. Estava apenas ansioso por jogar, porque nestas situações parece que se perde a oportunidade de descansar no dia livre. É isso que mais pesa: acabar o mais depressa possível”, explicou Cobolli na conferência de imprensa após a vitória, salientando ainda: “Os jogos são longos e exigentes e mesmo não sendo terra batida, aqui temos de jogar muito baixo e o corpo ressente-se. O dia inteiro é importante para os jogos seguintes”.

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A vitória sobre Navone ganhou contornos dramáticos quando Cobolli teve de salvar três set points no 6-5 e outros três no tie-break, num parcial onde esteve à beira de ver o adversário forçar um quinto set. Mas foi precisamente nestes momentos de máxima pressão que o italiano exibiu uma das suas maiores armas: a capacidade de nunca baixar os braços. “É uma qualidade inata, a adrenalina que sinto na competição não se treina. Ou melhor, muitos treinam-na mas eu não preciso porque já sou suficientemente competitivo, procuro sempre encontrar uma forma de vencer. Hoje era mais uma questão de sobrevivência. Sobreviver a estas primeiras partidas porque o court acaba por ficar mais lento à medida que se desgasta e isso pode beneficiar o meu jogo. Amanhã também vou lutar até ao último ponto”, afirmou o tenista, visivelmente determinado a continuar a surpreender.

O percurso de Cobolli sofreu uma verdadeira reviravolta após a final alcançada em Roland Garros, resultado que, segundo o próprio, lhe trouxe notoriedade mas não alterou a sua essência. “Sinto-me sempre o mesmo. Tenho a sorte de ter feito uma final de um Grand Slam, que é o sonho de qualquer jogador. Sinto que os outros jogadores agora olham para mim de forma diferente, como quem pensa ‘Caramba, também eu gostava de chegar a uma final de Slam’. Era aquilo que eu próprio pensava quando via outros jogadores atingirem esse patamar. Só tenho de aprender a gerir melhor tudo isto. Não tive muito tempo para perceber tudo o que aconteceu. Esta fase de assimilação também faz parte. Preciso de perceber onde cheguei e o que estou a fazer. Mas isso dá-me muita energia para entrar em campo, porque acredito que agora me olham com outros olhos”, desabafou Cobolli, deixando claro que a pressão é agora também motivação.

Para o tenista italiano, esta vitória representa não só um avanço na montra mais prestigiada do ténis mundial, como também a confirmação de que o seu nome já não passa despercebido no circuito ATP. A forma como resistiu ao desgaste físico e psicológico de um encontro prolongado e à pressão dos pontos decisivos demonstra uma maturidade rara para a idade e uma apetência competitiva que pode levá-lo ainda mais longe no torneio. Com o segundo jogo já à porta, Cobolli terá de continuar a mostrar essa mesma resiliência e vontade de vencer, numa competição onde cada detalhe pode determinar o destino de um atleta.

A expectativa é agora máxima sobre o próximo adversário do italiano, que terá certamente estudado as armas de Cobolli, ciente de que enfrenta um tenista em ascensão e com uma confiança renovada. O circuito olha agora para Flavio Cobolli com respeito e curiosidade, ciente de que o italiano é já uma das surpresas de Wimbledon e, quem sabe, uma promessa de futuro para o ténis mundial.

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