Sabalenka pede fim da proibição de animais em Wimbledon para levar o seu cão

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Aryna Sabalenka deixou os adeptos de ténis boquiabertos ao exigir publicamente que Wimbledon altere de imediato uma das suas regras mais rígidas: a proibição total de animais de estimação nas instalações do mítico All England Club. A número um mundial, conhecida pela sua paixão por cães, não escondeu a frustração e apelou aos organizadores para permitirem a presença do seu inseparável companheiro de quatro patas, Ash, durante o torneio.

A polémica instalou-se depois de Sabalenka, dona orgulhosa de um Cavalier King Charles Spaniel que adotou em março, ter sido impedida de levar o cão para o recinto londrino devido à inflexível política do clube, que há décadas proíbe animais de estimação tanto para jogadores como para espectadores. A única exceção vai para cães de serviço ou pertencentes à equipa de segurança, o que deixa de fora todos os outros, independentemente do seu comportamento ou treino.

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Sabalenka não perdeu tempo a manifestar o seu desagrado, afirmando numa conferência de imprensa pré-torneio: “Não concordo com isso”. A bielorrussa explicou: “Consigo perceber porque tomaram esta decisão e obviamente, se um cão fizesse algo de errado neste lugar histórico, demoraria algum tempo a reparar e provavelmente têm receio dos danos. Mas tenho de dizer que todos os nossos cães são muito bem treinados. Não vão fazer nada de errado dentro deste edifício maravilhoso. Portanto, temos de mudar isto.”

O apelo emotivo não ficou por aqui. Sabalenka sublinhou que Ash não lida bem com a separação, o que lhe causa sofrimento sempre que tem de o deixar sozinho em casa durante os torneios: “Por vezes custa deixá-lo sozinho em casa porque ele fica mesmo muito apegado e sofre por estar sozinho. Dói-me o coração e é apenas um ser fofinho que só quer mimos e amor. Ir ao parque com ele e passear é quase uma meditação para mim. Por isso, Wimbledon, por favor, suplico-vos. Deixem os cães entrar.”

Este pedido ganha ainda mais força tendo em conta que, em outros torneios do Grand Slam, como Roland Garros, Sabalenka já conseguiu credenciar Ash e levá-lo consigo, sem restrições. O cão foi até protagonista numa das mais emotivas celebrações do circuito, quando Sabalenka venceu Elena Rybakina na final do Indian Wells Masters e trouxe Ash para o cortejo de festejos, protagonizando momentos ternurentos que correram mundo.

A discussão sobre cães em court não é inédita e tem ganho destaque nos últimos tempos, sobretudo depois de Mirra Andreeva ter celebrado a sua vitória no Roland Garros ao lado do seu próprio cão, Rassy. Esta tendência, cada vez mais visível entre jogadores, contrasta com o tradicionalismo britânico e a inflexibilidade do All England Club, que continua a fechar a porta a qualquer exceção.

Contudo, nem todos partilham da opinião de Sabalenka. Paula Badosa, sua amiga próxima mas com uma postura totalmente oposta, expressou o seu alívio pelo facto de Wimbledon manter o regulamento. “Costumo dizer que adoro cães… mas à distância, porque assustam-me”, confessou Badosa em conferência de imprensa antes do torneio. “Tive uma má experiência quando era criança. Quando se aproximam, sinto que vou ter um ataque cardíaco. Sei que vários amigos meus têm cães e tenho pena deles, mas, ao mesmo tempo, estou feliz por não serem permitidos em Wimbledon.”

O medo de Badosa resulta de um incidente traumático de infância, que nunca detalhou publicamente mas que a levou a manter-se afastada de cães desde então. Esta divergência de opiniões dentro do próprio circuito mostra como a questão está longe de ser consensual, dividindo atletas e adeptos.

A tradição é, contudo, um dos pilares de Wimbledon, conhecido por resistir a qualquer mudança que possa beliscar a sua imagem centenária e o seu ambiente exclusivo. Tudo indica que, para já, a proibição vai manter-se, obrigando Sabalenka e outros jogadores a deixarem os seus companheiros de quatro patas fora do recinto.

O debate promete continuar a agitar o mundo do ténis, sobretudo se mais estrelas se juntarem ao apelo de Sabalenka. Para já, a tenista terá de encontrar alternativas para lidar com a ausência de Ash durante o torneio — uma ausência que, segundo admite, tem impacto direto no seu bem-estar emocional e, potencialmente, no seu desempenho em court. Fica assim lançado o desafio para Wimbledon: manter-se fiel às tradições ou adaptar-se à nova realidade de um circuito cada vez mais humanizado e próximo dos afetos? A resposta, para já, é dura e inequívoca — mas a pressão pública pode, quem sabe, abrir brechas numa das fortalezas mais implacáveis do ténis mundial.

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