Youri Tielemans protagonizou uma reviravolta absolutamente épica, levando a Bélgica a uma vitória por 3-2 frente ao Senegal, num jogo dos oitavos de final do Mundial que parecia perdido até aos minutos finais do prolongamento. Com dois golos decisivos – um de cabeça aos 89 minutos e outro de grande penalidade aos 125, após intervenção do VAR – o capitão belga transformou o desespero numa explosão de euforia para a sua selecção, deixando Senegal atónito e os seus adeptos em choque absoluto.
O encontro realizou-se esta noite, num estádio repleto de emoção, e trouxe todos os ingredientes de um clássico do Mundial: reviravoltas, erros cruciais e heróis improváveis. O Senegal, que durante largos períodos dominou e parecia ter o apuramento garantido, adiantou-se no marcador aos 25 minutos por intermédio de Habib Diarra. A vantagem viria a ser ampliada logo no início da segunda parte, quando Ismaïla Sarr aproveitou a desorganização defensiva belga e apontou o 2-0, colocando os africanos com um pé nos quartos-de-final.

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No entanto, a entrada de Romelu Lukaku ao intervalo mudou completamente o rumo do jogo. O avançado, lançado para substituir um Charles De Ketelaere irreconhecível, deu outra dimensão ao ataque belga. Aos 86 minutos, Lukaku antecipou-se à defesa senegalesa e finalizou com classe após cruzamento de Thomas Meunier, reduzindo a desvantagem para 2-1 e reacendendo a esperança. A partir daí, a Bélgica lançou-se sem medo ao ataque, com um plantel visivelmente galvanizado pela presença do seu ponta-de-lança de referência.
Foi então que Tielemans assumiu o protagonismo absoluto. Com o relógio a caminhar para o fim do tempo regulamentar, o médio belga apareceu no coração da área para corresponder de cabeça a um cruzamento milimétrico de Leandro Trossard, numa jogada em que o guarda-redes senegalês, Mory Diaw, ficou muito mal na fotografia ao falhar a intercepção. O empate forçou o prolongamento e instalou o pânico entre os africanos, que perderam por completo o controlo emocional do encontro.
No tempo extra, o ritmo manteve-se frenético, com ambas as equipas a procurar o golo decisivo. O VAR acabou por entrar em cena já nos últimos suspiros da partida, assinalando uma grande penalidade a favor da Bélgica após uma mão na área do Senegal. Com uma frieza impressionante, Tielemans colocou a bola no topo direito da baliza, selando a reviravolta e levando os adeptos belgas ao delírio. “Sabíamos que nada estava perdido. Lutámos até ao fim e acreditámos sempre”, declarou Tielemans, visivelmente emocionado, após o apito final. O médio, eleito homem do jogo, assumiu: “Esta vitória é para todos os que nunca deixaram de acreditar em nós”.
Lukaku também não escondeu a emoção, sublinhando a importância da mentalidade da equipa: “Entrámos determinados a virar a eliminatória. Este grupo mostrou carácter e qualidade. Agora é pensar no próximo adversário”. Do lado senegalês, o desânimo era total, com Mory Diaw a assumir a responsabilidade pelo erro fatal que permitiu o empate: “Falhei no momento mais importante. Peço desculpa aos meus colegas e aos adeptos”, lamentou o guarda-redes, que até então tinha estado seguro, nomeadamente com uma excelente defesa ainda na primeira parte a remate de Maxim De Cuyper.
Esta vitória coloca a Bélgica nos quartos-de-final, onde irá defrontar adversário ainda a definir, e relança as aspirações de uma geração que muitos já davam como ultrapassada. O impacto desta reviravolta vai muito além do resultado: reacende o entusiasmo dos adeptos, mostra a força mental da equipa e coloca Tielemans definitivamente no topo dos protagonistas deste Mundial. Para o Senegal, fica a frustração de ter deixado escapar uma vantagem de dois golos e a sensação amarga de oportunidade desperdiçada, com erros individuais a custarem caro numa fase em que não há margem para falhas.
Seguem-se dias de análise e preparação para a Bélgica, que parte agora moralizada para o próximo desafio e com um plantel rejuvenescido pela demonstração de coragem e ambição. O Senegal, por sua vez, terá de digerir este duro golpe e repensar o futuro, sabendo que esteve tão perto de fazer história, mas acabou traído pela inexperiência e por erros capitais nos momentos decisivos. Uma lição dura, num jogo que ficará para sempre na memória dos adeptos das duas nações e de todos os que assistiram a este autêntico thriller futebolístico.
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