O regresso de Serena Williams a Wimbledon gerou uma onda de críticas e julgamentos sem precedentes, mas Novak Djokovic não hesitou em sair em defesa da lenda norte-americana, lançando um apelo contundente para que o universo do ténis reconheça e celebre a grandiosidade de Williams. A reacção do sérvio, ele próprio um dos maiores nomes do desporto, não deixou margem para dúvidas: “As pessoas precisam de acalmar um pouco com o julgamento e a crítica. Vamos apenas desfrutar da grandeza”, afirmou Djokovic, após a sua vitória tranquila sobre Stefanos Tsitsipas, na conferência de imprensa desta terça-feira.
Serena Williams, campeã de 23 títulos do Grand Slam, regressou a Wimbledon depois de uma ausência prolongada desde 2022, aceitando um wildcard para voltar a competir em singulares. No seu primeiro jogo em SW19 nos últimos dois anos, enfrentou a jovem australiana Maya Joint e, apesar de ter perdido por 6-3, 6-7(6), 6-3, demonstrou ainda ter argumentos para desafiar a nova geração. O Centre Court esteve lotado para presenciar o regresso de uma das maiores figuras da história do ténis feminino, num momento carregado de emoção e expectativa.

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A polémica em torno da decisão de Serena Williams de voltar à competição intensificou-se nos últimos dias. Para além das dúvidas sobre a sua condição física, muitos críticos questionaram a legitimidade da sua presença no torneio, assim como a ausência na conferência de imprensa após a derrota, motivada por uma lesão no joelho. Contudo, a veterana de 44 anos, mãe de dois filhos, mostrou estar determinada a não se deixar abalar pelo ruído exterior e deverá regressar aos courts ao lado da irmã, Venus, para disputar os pares femininos, onde já conquistaram juntas uns impressionantes 14 títulos do Grand Slam. O próximo desafio será contra a dupla sul-americana Solana Sierra e Camila Osorio.
Djokovic, que há muito expressa admiração pela carreira de Serena Williams, reforçou o seu apoio numa declaração emocionada: “Já o disse antes do torneio começar, o que ela está a fazer é incrível, épico. Sempre fui fã da Serena. Sei que ela queria, e esperava, ganhar pelo menos um jogo ou mais. Conhecendo o quão competitiva ela é, e o espírito de campeã que tem, não está satisfeita apenas por aparecer em campo. Ela quer ganhar”, salientou o sérvio, frisando que o simples facto de Williams voltar a competir é um presente para o ténis mundial.
O impacto da presença de Williams vai muito além da mera participação. Como frisou Djokovic, “ela tem 44 anos, dois filhos, e esteve afastada durante anos. É normal que ainda não esteja no seu melhor em termos de movimento. As pessoas estão habituadas a vê-la dominar e esquecem-se do que significa regressar depois de tanto tempo. O ténis devia juntar-se para celebrar esta grande atleta a competir ao mais alto nível”, frisou o sérvio, lamentando: “Acho que as pessoas por vezes não apreciam isso o suficiente. Começam logo a especular, a julgar. É como se dissessem: ‘Aproveitem! Têm a melhor de sempre a jogar para vocês, a trazer mais atenção ao vosso desporto’”.
A reacção de Djokovic não se ficou por aqui, reforçando ainda a esperança de que Serena possa voltar a competir em mais torneios de topo, nomeadamente no US Open, o Slam da sua terra natal. “Espero, pelo bem do ténis e de todos nós, que possamos vê-la mais vezes. Ninguém sabe realmente o que vai acontecer, mas jogar no seu Slam caseiro seria incrível para ela e para todos nós”, concluiu.
Do lado de Serena, a possibilidade de continuar a competir em pares com a irmã Venus mantém vivo o sonho de mais um título em Wimbledon, apesar das preocupações com a lesão. A sua presença em Londres não só aumenta a visibilidade do torneio, como reforça o legado e a inspiração para as futuras gerações de atletas femininas. Resta saber se conseguirá superar as limitações físicas e, quem sabe, surpreender no torneio de pares.
Quanto a Djokovic, continua a sua caminhada implacável em Wimbledon, tendo garantido presença na terceira ronda pela 17.ª edição consecutiva. Desde 2010, só falhou as meias-finais por duas vezes e soma já sete títulos no All England Club. Após a derrota surpreendente nas meias-finais do ano passado frente a Jannik Sinner, o sérvio regressou com vontade de conquistar o 25.º Grand Slam, sabendo que a ausência de Carlos Alcaraz lhe abre ainda mais o caminho para a glória em relva. Se tudo correr como previsto, poderá voltar a defrontar Sinner nas meias-finais, num reencontro com sabor a desforra.
Neste cenário, a defesa apaixonada de Djokovic a Serena Williams surge como um lembrete oportuno: mais do que resultados imediatos, o ténis precisa de saber valorizar os ícones que ajudam a definir a sua história. O regresso de Serena é, acima de tudo, um acontecimento a ser celebrado — e só o tempo dirá se veremos mais capítulos desta lenda nos grandes palcos do ténis mundial.
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