Gabriel Batistuta, ícone incontornável da Série A e uma das maiores lendas argentinas, fez declarações surpreendentes ao admitir que nunca desfrutou verdadeiramente de jogar futebol e que permanece sem resposta quanto ao eterno debate Messi-Maradona. Numa entrevista que já está a incendiar as redes sociais e a dividir opiniões em Itália e Argentina, Batistuta não poupou nas palavras quando confrontado com temas sensíveis como o seu passado, o futuro da Argentina no Mundial e, claro, a questão que atormenta gerações de adeptos: quem é, afinal, o maior de sempre — Lionel Messi ou Diego Maradona?
O ex-avançado da Fiorentina, Roma e Inter concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal italiano Gazzetta dello Sport, na véspera do crucial embate entre a Argentina e Cabo Verde nos oitavos-de-final do Mundial. Batistuta, que somou 183 golos em 318 jogos na Série A e conquistou o Scudetto pela Roma em 2000-01, abordou abertamente os desafios do passado e do presente. Questionado sobre o desempenho da selecção argentina, agora orientada por Lionel Scaloni, Batistuta foi perentório: “A equipa está feliz com ele [Scaloni]”, afirmou, destacando o ambiente positivo que se vive no balneário campeão do mundo. “Sejamos honestos, isto é futebol; não é preciso estudá-lo como se fosse para ir à lua. Se o treinador e a equipa têm uma boa relação, isso já é uma enorme conquista: todos vão seguir as suas ideias. E o Scaloni está a conseguir isso.”

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No entanto, quando confrontado com a confiança dos italianos relativamente à passagem da Argentina à próxima fase, Batistuta não resistiu a lançar uma provocação mordaz: “Calma… Vocês, italianos, não podem falar de jogos fáceis”, atirou com ironia, antes de reforçar: “A sério, estou confiante mas não relaxado. A fase de grupos é uma coisa; jogar para continuar ou ir para casa é outra. Toda a gente fala, mas esquecem-se que o futebol é perseguir uma bola, que às vezes bate no poste e não se sabe se entra ou sai.”
A entrevista tornou-se ainda mais marcante quando Batistuta revelou, sem rodeios, que nunca tirou verdadeiro prazer da carreira de futebolista. “Nada. Não sinto falta de nada em ser jogador. Não gostava de jogar futebol, em parte por causa da dor, em parte porque sabia que as pessoas pagavam para me ver. Nunca me permiti divertir-me. Quando marcava, sentia que era a minha responsabilidade oferecer o melhor espectáculo. E não nasci Maradona; tive de trabalhar para isso.” O antigo capitão argentino acrescentou ainda: “Fui duro comigo mesmo durante 40 anos; agora vivo o que me resta com alegria.”
Actualmente, Batistuta divide o tempo entre a sua herdade em Reconquista, onde gere vacas, e viagens pelo mundo como embaixador dos FIFA Legends. “Como toda a gente, não sei quanto tempo isto vai durar. Tenho vacas no campo, na minha terra natal. Normalmente, trato delas, mas às vezes tenho de cuidar delas directamente, e faço-o. Depois, viajo com os FIFA Legends, e isso é muito agradável”, confessou, revelando um lado mais humilde e distante do glamour do futebol europeu.
Sobre a Fiorentina, clube onde se tornou ídolo, admitiu: “Acompanho a equipa, mas afastei-me um pouco da Fiorentina. Sei que contrataram o Fabio Grosso, e sei que ele tem feito um bom trabalho nos últimos anos. Vou regressar a Florença para as celebrações do centenário do clube, mais para o final do verão.”
No momento mais aguardado, Batistuta foi desafiado pela Gazzetta a pronunciar-se sobre o debate Messi vs Maradona. Respondendo com humor ácido, rematou: “Hey, disseram-me que isto era uma entrevista séria, não uma conversa trivial. A verdade é que nós próprios nos colocamos essa questão… e não temos resposta.” Uma confissão que, vinda de quem partilhou balneário e adversários com ambos, só adensa o mistério e alimenta a polémica em torno dos dois maiores génios do futebol argentino.
O impacto das palavras de Batistuta promete ecoar nos próximos dias, especialmente com a Argentina prestes a defrontar Cabo Verde numa fase decisiva do Mundial. O peso das expectativas, aliado à pressão de defender o título de campeã do mundo, coloca Lionel Scaloni e os seus homens sob o escrutínio máximo. Resta saber se a selecção conseguirá corresponder ao legado dos seus maiores ídolos e manter viva a esperança de mais uma conquista, ou se cairá perante a imprevisibilidade que o próprio Batistuta tão bem descreveu. Para já, o debate Messi-Maradona continua sem resposta, mas a lenda argentina garantiu, mais uma vez, que o futebol é muito mais do que números: é paixão, sacrifício e, por vezes, uma dor que poucos conseguem perceber.
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