Rafael Jodar acaba de escrever o seu nome na história do ténis espanhol ao tornar-se apenas o terceiro adolescente de Espanha, em plena Era Open, a alcançar a terceira ronda de Wimbledon, igualando os feitos de lendas como Rafael Nadal e Carlos Alcaraz. Esta proeza ganha ainda mais destaque ao ter sido conseguida num duelo épico frente ao compatriota Pablo Carreño Busta, que se prolongou por dois dias devido à falta de luz, terminando apenas após três horas e 43 minutos de pura intensidade, com os parciais de 3-6, 6-3, 1-6, 6-3 e 6-4 a sorrirem ao jovem de 19 anos.
O encontro, disputado entre segunda e terça-feira, foi interrompido quando Jodar perdia por dois sets a um, mas o jovem demonstrou uma maturidade notável ao recuperar não só fisicamente, mas também mentalmente, para virar o resultado a seu favor. Na conferência de imprensa após o jogo, Jodar não escondeu a admiração e o respeito pelos compatriotas Nadal e Alcaraz, ambos campeões de Wimbledon por duas vezes cada um. “O Rafa Nadal tem sido um modelo para mim no ténis desde criança. Costumava ver todos os seus jogos, todos os Grand Slams, todas as vitórias que conseguiu ao longo da carreira. Portanto, é muito inspirador para os jovens jogadores em Espanha ver alguém como o Rafa, ou até o Carlos Alcaraz, a jogar tão bem nestes palcos. Estes jogadores são referências para nós. Sinto-me muito agradecido por ser do mesmo país que eles”, sublinhou Jodar perante a comunicação social.

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A importância desta vitória e do percurso de Jodar em Wimbledon vai muito além do simbolismo. Ao atingir a terceira ronda no seu ano de estreia no torneio – e sem sequer ter passado por qualificações em qualquer Grand Slam antes do Open da Austrália deste ano – Jodar confirma-se como uma das grandes promessas do ténis mundial. A sua ascensão meteórica já lhe valeu um título ATP, o Grand Prix Hassan II em Marrocos, e presenças nas fases decisivas de outros torneios de relevo, como as meias-finais do Barcelona Open e os quartos-de-final de Madrid, Roma e Roland Garros, onde apenas Alexander Zverev, o campeão, o travou.
O contexto não podia ser mais desafiante: Carlos Alcaraz, ausente de Wimbledon devido a uma lesão no pulso, já tinha sido obrigado a falhar Roland Garros. O ténis espanhol deposita, assim, em Jodar a esperança de manter o legado de sucesso no circuito. O próprio reconhece a dificuldade, mas não esconde a ambição: “Sabia que tinha de preparar o meu corpo para o dia seguinte porque estava em desvantagem. Mas acreditei nas minhas hipóteses. Acreditei que podia, sabem, recuperar e ganhar o quarto set e depois o quinto. E foi isso que aconteceu”, explicou o jovem, demonstrando uma resiliência pouco comum para a idade.
Na próxima ronda, Rafael Jodar vai medir forças com o japonês Shintaro Mochizuki, num confronto que pode catapultá-lo para um embate de sonho com o número um mundial, Jannik Sinner, caso ambos avancem para a quarta ronda. A expectativa é elevada, até porque Jodar já cruzou caminho com Sinner nos quartos-de-final do Masters de Madrid, onde o italiano levou a melhor. “Comecei bastante bem esta manhã, penso eu, e sabia que as condições eram diferentes, por isso também tive de me adaptar. Mas para ele era igual. Portanto, as condições estavam iguais para ambos. Fiz um grande trabalho desde que o encontro parou ontem à noite até entrar em campo esta manhã”, acrescentou Jodar, mostrando uma abordagem pragmática e confiante.
O percurso do jovem espanhol não tem sido isento de obstáculos. Antes de Wimbledon, viu-se forçado a desistir do Queens Club Championships devido a uma lesão abdominal. Ainda assim, o seu registo em terra batida foi impressionante, com títulos e presenças consistentes nos quadros principais dos melhores torneios do mundo. Agora, em relva e na Catedral do ténis, Jodar revela-se preparado para continuar a surpreender e a afirmar-se como o próximo grande nome do ténis espanhol.
O que se segue poderá ser determinante não só para a carreira de Rafael Jodar, mas também para o futuro do ténis em Espanha. Se conseguir manter o nível exibido e ultrapassar Mochizuki, o duelo com Sinner poderá servir de verdadeiro barómetro para as suas ambições no circuito. Para já, Jodar já conquistou os olhares do mundo do ténis e começa a ganhar estatuto de ídolo para uma nova geração. A pressão vai aumentar, mas, como o próprio já provou, é nos momentos mais difíceis que os verdadeiros campeões se revelam.
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