Villas-Boas revela como sócios salvaram o FC Porto da insolvência iminente

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Um abismo financeiro ameaçou engolir o FC Porto no momento em que André Villas-Boas assumiu a presidência, levando o clube a uma situação tão dramática que o próprio dirigente admitiu ter ficado «assustado bastante». A revelação, feita numa entrevista explosiva ao podcast Primeiro Toque, expõe as dificuldades quase insuperáveis que marcaram os primeiros dias de um novo ciclo nos dragões, onde a sobrevivência do emblema azul e branco esteve literalmente pendente de um fio.

Villas-Boas, que tomou posse a 27 de abril de 2024, descreveu um cenário de quase colapso: “O FC Porto, desde que eu tomei posse, tinha responsabilidades de 16 milhões de euros para pagar num mês e não tinha nenhuma possibilidade de fazer face às mesmas. Portanto, aí fomos salvos por sócios do clube, que nos permitiram a injeção de capital imediata para fazermos face a essas obrigações, onde se situavam pagamentos a fornecedores, a clubes, salários a funcionários e a jogadores das diferentes modalidades, que estavam em atraso.” A situação era de tal forma delicada que, nas palavras do próprio presidente, “a realidade era muito difícil, quase uma batalha impossível, ao ponto de ter assustado bastante”.

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Esta intervenção de emergência dos sócios, num gesto de devoção sem paralelo, foi determinante para evitar um desastre sem precedentes no futebol português. Villas-Boas não escondeu a gratidão: “Há muitas pessoas, como nós, que se relacionam com o amor total ao FC Porto e que não hesitaram em depositar dinheiro que é seu nas contas do clube. O FC Porto conseguiu devolver esse dinheiro, até dezembro de 2024, fruto da conclusão do projeto Porto StadeCo, que nos permitiu levantar 115 milhões de euros em US private placement bonds, portanto, em obrigações no mercado americano.”

A urgência financeira foi mitigada por uma conjugação de iniciativas estratégicas, entre as quais a venda de parte da Porto StadeCo à Ithaka e a alienação dos passes de Nico González e Galeno, que juntos proporcionaram um encaixe adicional de 110 milhões de euros em janeiro de 2025. “A partir daí, deu-se também, por continuidade desse projeto, a venda de parte da Porto StadeCo à Ithaka, portanto, uma construção de um negócio que já vinha da anterior administração. Elevou-nos o total de capital para cerca de 180 milhões de euros”, detalhou Villas-Boas. Estas operações revelaram-se decisivas não só para a solvência imediata do clube, como para restaurar a confiança junto da banca, fornecedores e funcionários.

No contexto altamente competitivo do futebol português, esta recuperação assume contornos ainda mais relevantes. O FC Porto, que esteve à beira da insolvência, conseguiu em apenas meses transformar-se num projecto sólido e credível, capaz de investir no plantel para a época 2025/26. Villas-Boas sublinhou: “Neste momento, por pequena diferença, o FC Porto não é atualmente o plantel mais valioso do futebol português, porque o do Sporting ainda está valorizado acima. Mas encontra-se muito perto, à distância de 10 milhões de euros.” Esta proximidade ao topo do futebol nacional demonstra o impacto imediato da reestruturação financeira.

Apesar do sucesso, o presidente não esquece as noites sem dormir e a humilhação de quase não conseguir honrar compromissos: “Uma transformação profunda, muitas dores de cabeça, muitos sustos, muita vergonha também, porque quando se está perante alguém e se diz que não temos capacidade de pagar algo ao qual estamos obrigados, custa, porque as pessoas também têm as suas próprias responsabilidades. E, no fundo, essa foi a grande vitória da nossa equipa de gestão”, rematou Villas-Boas.

O FC Porto prepara-se agora para uma nova fase, marcada por ambições renovadas dentro e fora das quatro linhas. O saneamento financeiro proporciona à estrutura portista uma base sólida para atacar o mercado, fortalecer o plantel e disputar títulos, enquanto a aproximação ao valor de mercado do Sporting acirra ainda mais a rivalidade. Resta saber se esta recuperação relâmpago será suficiente para devolver os dragões ao topo do futebol português e garantir a estabilidade de longo prazo. Certo é que, depois do susto, o FC Porto está de volta à luta — e mais determinado do que nunca.

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