Zverev admite não ser favorito após avançar para terceira ronda em Wimbledon

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Alexander Zverev não escondeu a tempestade emocional por que passou ao conquistar Roland Garros, descrevendo essa semana como “uma das piores” da sua vida, apesar de ter alcançado o maior triunfo da carreira. Depois de eliminar Valentin Royer com um resultado expressivo — 6-1, 6-3, 7-6 — e garantir a passagem à terceira ronda de Wimbledon, o alemão voltou a demonstrar franqueza ao admitir o peso da pressão e a forma como lidou com as expectativas desmedidas que recaíram sobre si após as eliminações precoces de Jannik Sinner e Novak Djokovic em Paris.

No confronto de ontem, Zverev mostrou-se sólido, superiorizando-se de forma clara ao francês Royer nos dois primeiros sets e apenas permitindo algum equilíbrio no terceiro. O encontro teve lugar nos relvados sagrados de Wimbledon, onde o germânico procura consolidar o seu estatuto entre a elite mundial do ténis. Apesar da vitória confortável, Zverev recusou classificar-se como favorito para erguer o troféu em Londres, sublinhando que, aos seus olhos, “Sinner é o grande favorito” e colocando-se apenas como “terceira escolha”, atrás também de Novak Djokovic, que já venceu o torneio por sete ocasiões.

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A sinceridade de Zverev ficou patente nas suas declarações pós-jogo à Prime Video, onde detalhou a abordagem tática: “Não houve propriamente um plano de jogo. Sem grande abordagem táctica. Mas penso que joguei melhor hoje do que na primeira ronda. Era um adversário completamente diferente. Ele não serve a 225 km/h, por isso é um pouco mais fácil jogar contra ele. Consegue-se entrar em mais trocas de bola e encontrar ritmo. Senti que tivemos muito mais trocas, mesmo nos jogos de serviço dele. Isso dá-te mais confiança. No geral, achei que esta segunda ronda foi melhor do que a primeira”, explicou o número quatro mundial.

Contudo, Zverev não se deixou levar pela euforia e reconheceu que esteve longe de ser a sua melhor exibição, apontando para momentos de desconcentração, sobretudo durante o tie-break do terceiro set. “Não, não diria que foi o meu melhor. Mas foi bom. Senti-me bem em campo. Foi um encontro muito positivo. Joguei bem do fundo do court e devolvi bem também. Depois perdi a concentração durante algum tempo, o que pode acontecer. Tenho tido um verão muito bom, mas também tem sido longo. Joguei muito ténis, por isso mentalmente talvez esteja um pouco mais cansado do que fisicamente. Esses lapsos de concentração podem acontecer. Espero que não voltem a acontecer nas próximas rondas. Mas para uma segunda ronda, achei que foi perfeitamente aceitável”, analisou o tenista alemão.

O momento mais impactante da entrevista surgiu quando Zverev abordou a conquista de Roland Garros, revelando o lado menos visível do sucesso: “Tenho de dizer que, antes de ganhar, foi uma das piores semanas da minha vida. Tinha tanto stress dentro de mim. Estava nervoso, estava irritadiço, porque sabia que, assim que o Sinner perdeu e o Djokovic perdeu, era agora ou nunca. De repente, tornei-me no favorito absoluto. Isso nunca me tinha acontecido num Grand Slam antes. Foi stressante. Todos me falavam disso. Aguentei-me bem até à final. Depois, na final, os nervos apareceram claramente. Provavelmente joguei um pouco pior do que nos jogos anteriores porque estava mais nervoso. Mas isso é humano. Não sou um robô. No fim, ganhei. Isso é o que importa. Honestamente, nada mais me interessa”, desabafou Zverev, expondo as fragilidades que muitos campeões procuram esconder.

Apesar de agora ser o único campeão de Grand Slam na sua metade do quadro em Wimbledon, Zverev rejeita o rótulo de favorito e recusa embandeirar em arco. “Não sou o favorito aqui. Favorito? Aos meus olhos, talvez seja o terceiro da lista. O grande favorito é o Sinner. Depois diria que o Novak é o segundo, porque já ganhou este torneio sete ou oito vezes, e isso conta muito na relva. Depois talvez eu”, esclareceu, ainda durante a conferência de imprensa. Confrontado sobre o facto de ser o único vencedor de um Major na sua metade do sorteio, foi pragmático: “Só joguei contra um top-10 aqui na vida, que foi o Tomáš Berdych em 2016. Desde então nunca mais enfrentei outro top-10 em Wimbledon porque nunca cheguei tão longe. As estatísticas são bonitas, mas ainda tenho de ganhar os meus encontros e jogar bom ténis. Se o fizer, então sim, podemos começar a falar disso. Mas estamos só na terceira ronda. Ainda falta muito caminho.”

Com esta postura realista mas ambiciosa, Zverev avança para a próxima fase em Wimbledon com a confiança reforçada, mas consciente de que o verdadeiro teste ainda está para vir. O alemão tem agora pela frente adversários de maior exigência e sabe que apenas com exibições consistentes conseguirá manter viva a esperança de conquistar o All England Club. Para já, a narrativa de Wimbledon fica marcada pelo desabafo corajoso de Zverev, que não teme mostrar que, por trás de cada vitória, há sempre batalhas interiores que o público raramente imagina.

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