Paraguai aposta no calor, mas técnico reconhece dificuldades frente à França

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As temperaturas abrasadoras que se fazem sentir em Filadélfia prometem ser um dos grandes protagonistas do embate entre o Paraguai e a poderosa França, nos oitavos de final do Mundial. Com o mercúrio a rondar os 38 graus Celsius e uma humidade sufocante, o cenário está montado para um duelo onde o calor extremo poderá ser o fiel da balança — mas nem mesmo a selecção paraguaia acredita que isso lhe dará uma vantagem decisiva sobre os gauleses.

O encontro, agendado para as 17h locais, coincide com o pico das temperaturas na zona do Atlântico Médio dos Estados Unidos, podendo transformar o relvado num autêntico caldeirão. Apesar de o Paraguai estar habituado a disputar jogos de qualificação no calor intenso de Assunção, onde os termómetros frequentemente ultrapassam os 30 graus no verão, o seleccionador Gustavo Alfaro não se deixou iludir quanto ao impacto real deste fator. “Estamos habituados ao calor, sim, estamos”, reconheceu Alfaro, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, recorrendo a um intérprete. “No entanto, sofre-se sempre com o calor. Que jogo a eliminar se joga no Paraguai às cinco da tarde? Nenhum. Talvez tenha acontecido uma vez e houve uma derrota. Não se joga a essa hora.”

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Alfaro aproveitou ainda para desmistificar qualquer ideia de que a selecção sul-americana terá um trunfo semelhante ao que o México costuma explorar com a altitude da Cidade do México. “Mesmo que se tenha essa memória física, de saber o que acontece com a altitude ou com o calor, é diferente quando se está de facto lá”, explicou o técnico. “O calor vai afectar ambas as equipas. Tal como a altitude, que afecta todos, mas quem leva uma ligeira vantagem são os que conseguiram preparar-se para essas condições.”

A equipa paraguaia chega a este embate moralizada após eliminar a Alemanha nos 16 avos de final, num feito que foi celebrado com feriado nacional. No entanto, a preparação para defrontar a França está longe de ser tranquila: Omar Alderete, defesa central titular, continua em dúvida devido a uma lesão no joelho sofrida no último jogo da fase de grupos frente à Austrália. Alfaro admitiu: “Omar trabalhou bem ontem, mas não fez nada no campo. Fez trabalho físico intenso. Respondeu bem. Vamos ver hoje, no treino, como reage…”. O técnico deixou em aberto a possibilidade de Alderete alinhar de início ou, pelo menos, entrar durante o jogo. “Ele quer estar presente. Disse-me: ‘Mister, não quero perder este jogo’.”

Junior Alonso, experiente defesa paraguaio, garantiu que a ambição do grupo permanece intacta, apesar do feito histórico frente aos germânicos. “Trabalhámos tanto, fizemos tantos sacrifícios a nível profissional e pessoal, porque o nosso sonho era ter o Paraguai num Mundial”, declarou Alonso, sublinhando que a mentalidade da equipa não mudará frente à França. “Independentemente de termos vencido ou não a Alemanha, não teria significado uma derrota para nós, porque fizemos tudo o que era humanamente possível para conseguir esse resultado e conseguimos. Contra a França, não será diferente, porque temos o mesmo estado de espírito. Sabemos do que somos capazes. E a única coisa que podemos prometer ao povo paraguaio é que vamos dar tudo. Esperamos que Deus esteja do nosso lado e consigamos o resultado que queremos. Mas, se não for o caso, ficaremos em paz porque preparámo-nos todos os dias, mesmo depois de ficarmos exaustos contra a Alemanha.”

O calor extremo poderá, de facto, nivelar um pouco as diferenças entre uma França recheada de estrelas e um Paraguai sedento de afirmação, mas será a preparação física, mental e táctica a decidir quem segue em frente. Os franceses, favoritos claros, sabem que não podem subestimar uma equipa que já mostrou fibra ao eliminar a Alemanha, enquanto o Paraguai procura repetir a façanha, agora perante um adversário ainda mais temível.

A dúvida em torno de Alderete é um dos principais pontos de interrogação para a estratégia de Alfaro, que terá de adaptar o seu sistema defensivo caso o central não esteja apto. Por outro lado, a equipa técnica gaulesa tem, à partida, todos os jogadores nucleares disponíveis, podendo gerir melhor o desgaste provocado pelo calor.

Com o apito inicial marcado para o final da tarde em Filadélfia, os próximos capítulos desta história escrevem-se sob temperaturas escaldantes e expectativas ao rubro. Se o Paraguai conseguir contrariar o favoritismo francês, será mais uma prova de que, no futebol, nenhum detalhe — nem mesmo o clima — deve ser ignorado. Resta saber se a resiliência paraguaia se sobreporá à qualidade francesa, ou se o calor será apenas mais um obstáculo ultrapassado pelos campeões mundiais.

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