A surpreendente eliminação de gigantes como a Alemanha, Países Baixos e Croácia já incendiou o Mundial de 2026, mas o prato forte ainda está para chegar: os Oitavos-de-Final prometem duelos de cortar a respiração e algumas autênticas batalhas de gigantes. As oito eliminatórias já estão definidas e há confrontos que vão pôr o planeta do futebol a vibrar — e outros em que a balança parece pender claramente para um dos lados, pelo menos à partida.
Entre os favoritos que continuam em prova, destaca-se a selecção francesa, que entra em campo este sábado frente ao Paraguai. As casas de apostas dão um favoritismo esmagador à França, com odds de -525, enquanto o Paraguai surge com uns distantes +1300. No entanto, convém não deitar já fora a equipa paraguaia, que chega moralizada depois de eliminar a Alemanha. O ataque francês tem sido, de longe, o mais letal do torneio, com Kylian Mbappé a apenas um golo de Lionel Messi na corrida à Bota de Ouro. Com um quarteto ofensivo de luxo — Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé e Bradley Barcola —, a França parece ter armas a mais para o Paraguai, mas num Mundial tudo pode acontecer.

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Outro confronto que promete emoções é o embate entre Marrocos e Canadá. Marrocos, sensação do último Mundial ao atingir as meias-finais, está a um passo de poder reeditar o duelo com a França dessa fase. Depois de eliminar os Países Baixos nos penáltis graças a um golo tardio de Issa Diop, a formação marroquina apresenta-se como favorita nas casas de apostas (-110 contra +320 do Canadá). O Canadá poderá finalmente contar com Alphonso Davies como titular, depois deste ter sido suplente no triunfo sobre a África do Sul. A posse de bola deverá pertencer maioritariamente aos africanos, que dominaram por completo o último jogo, mas a velocidade e verticalidade canadiana podem surpreender.
A Suíça mede forças com a Colômbia, num jogo que se prevê equilibrado e que pode pender para qualquer lado. Os helvéticos garantiram o apuramento ao vencer a Argélia por 2-0, somando a quarta presença consecutiva nos Oitavos. Vantagem adicional: jogam em Vancouver, onde também disputaram o último jogo, ao contrário da Colômbia, obrigada a uma viagem relâmpago desde Kansas City. A Colômbia, por seu lado, superou todas as expectativas ao vencer o seu grupo, batendo Portugal e frustrando o tão aguardado confronto Messi-Ronaldo. Frente ao Gana, a equipa sul-americana criou oito ocasiões claras e confirmou o estatuto de outsider perigoso.
O jogo entre Argentina e Egipto ganha brilho extra com a presença de Lionel Messi, que continua a marcar a cada jogo e já leva sete golos, após bisar frente a Cabo Verde num duelo épico decidido apenas no prolongamento. Os argentinos têm mostrado alguma vulnerabilidade defensiva, permitindo recuperações tardias aos adversários, como se viu com Cabo Verde e anteriormente com Países Baixos e França em 2022. O Egipto chega motivado depois de eliminar a Austrália nos penáltis, com Mohamed Salah a provar que ainda é capaz de fazer a diferença em qualquer jogo. “Não podemos subestimar o Egipto, têm qualidade e fé”, alertou Messi na conferência de imprensa após o último jogo.
Na eliminatória entre Bélgica e Estados Unidos, a grande dúvida é saber como reagirá a equipa norte-americana à ausência de Folarin Balogun, expulso frente à Bósnia e Herzegovina. Balogun tem sido o motor do ataque dos EUA, e o plantel terá de encontrar soluções para colmatar a sua falta. A Bélgica, por sua vez, teve de se aplicar frente ao Senegal, conseguindo a vitória apenas no prolongamento graças a um penálti convertido por Youri Tielemans. Apesar do envelhecimento de algumas das suas estrelas, como Kevin de Bruyne e Romelu Lukaku, e da irregularidade física de ambos, a experiência e a qualidade individual podem ser decisivas. Com Thibaut Courtois na baliza, os belgas mantêm um ligeiro favoritismo.
O embate entre Brasil e Noruega traz para o relvado dois dos avançados mais temidos do mundo: Erling Haaland e Vinícius Júnior. Haaland já marcou cinco dos nove golos noruegueses e é o centro de todas as atenções da defesa adversária. Do lado brasileiro, Vinícius Júnior tem assumido responsabilidades acrescidas devido à ausência de Raphinha por lesão, com Matheus Cunha a aproveitar a oportunidade para se afirmar. O Brasil sentiu dificuldades frente ao Japão na ronda anterior, pelo que a Noruega pode ser um teste ainda mais exigente para um meio-campo brasileiro que por vezes se mostra permeável.
O duelo ibérico entre Espanha e Portugal é, sem dúvida, um dos jogos mais aguardados. Cristiano Ronaldo finalmente quebrou o enguiço nos jogos a eliminar, marcando no triunfo frente à Croácia. Para muitos, este pode ser o último Mundial do capitão português. A Espanha chega embalada, depois de vencer a Áustria por 3-0 e somar oito golos nos últimos três jogos, mesmo sem Lamine Yamal no seu melhor. Portugal, apesar de um percurso irregular na fase de grupos, mostrou-se mais perigoso no ataque com Rafael Leão no onze inicial. No entanto, subsiste o dilema Ronaldo: será que a equipa não se torna previsível ao procurar constantemente o veterano avançado?
Por fim, o confronto entre Inglaterra e México está envolto em polémica. A seleção inglesa está descontente por ter de jogar no Estádio Azteca, a mais de 2.000 metros de altitude, frente a um México que conhece bem as condições. Ambas as equipas protestaram contra a possibilidade da FIFA antecipar o início do jogo para o meio-dia, para evitar as típicas trovoadas da Cidade do México. O México soma quatro vitórias e é impulsionado por um apoio fervoroso, enquanto os adeptos ingleses dominaram as bancadas nos jogos nos EUA. A pressão é enorme para ambos: o México não chega aos quartos-de-final desde 1986, enquanto a Inglaterra persegue o título que lhe foge desde 1966.
A expectativa para os Oitavos-de-Final é altíssima e há muito em jogo para as principais selecções. Os próximos dias vão definir quem se mantém vivo na corrida ao título e quem vê o sonho terminar prematuramente. Com estrelas como Messi, Mbappé, Haaland, Ronaldo e Salah ainda em prova, tudo pode acontecer. O desfecho destes duelos será decisivo para o rumo do Mundial 2026 e, certamente, não faltarão surpresas e histórias para contar.
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