A ausência de qualquer “plano anti-Haaland” por parte de Carlo Ancelotti para o duelo electrizante entre o Brasil e a Noruega nos oitavos-de-final do Mundial está a deixar adeptos e especialistas de olhos postos sobre a abordagem do treinador italiano. Com a eliminatória a ser disputada em New Jersey esta noite, às 21h (hora do Reino Unido), o confronto promete emoções fortes, especialmente com o bilhete para os quartos-de-final em jogo e a ameaça real de Erling Haaland a pairar sobre a defesa canarinha.
O Brasil chega a esta fase sem derrotas nos quatro jogos realizados, mas longe de entusiasmar. A vitória suada frente ao Japão, já nos descontos, garantiu a passagem à fase seguinte, mas deixou dúvidas quanto à consistência ofensiva e defensiva da selecção. A dupla Gabriel-Marquinhos, tida como a mais sólida do torneio, enfrenta agora o seu maior teste: parar Haaland, avançado do Manchester City, que já leva cinco golos no Mundial e soma uns impressionantes 60 golos em 53 internacionalizações pela Noruega. Os escandinavos, por sua vez, alimentam o sonho de atingir pela primeira vez os quartos-de-final de um Campeonato do Mundo.

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Este embate ganha ainda mais peso por colocar frente a frente uma selecção cinco vezes campeã do mundo com uma Noruega que nunca alcançou tamanha proeza. Para Carlo Ancelotti, no entanto, não há espaço para planos especiais. “Não creio que exista uma coisa chamada ‘plano anti-Haaland’”, afirmou o técnico italiano na conferência de imprensa de antevisão, desvalorizando a ideia de conter o astro norueguês com estratégias específicas. “Não preciso de dizer aos meus jogadores como defender, já se defrontaram algumas vezes. A nossa equipa está em condições óptimas. No entanto, precisamos de continuar a melhorar”, sublinhou Ancelotti, mostrando-se confiante no trabalho dos seus defesas.
O treinador do Brasil foi ainda mais incisivo: “Toda a gente sabe como ele [Haaland] joga. Não tenho nada a explicar aos meus defesas sobre como jogar contra ele. Já o enfrentaram várias vezes. Estamos apenas focados em estar bem preparados para o jogo, compreender as características básicas do adversário e sabemos que são muito perigosos ofensivamente. A Noruega é uma equipa desafiante, estruturada, com muito boa organização. Temos de jogar ao nosso melhor nível, mas penso que estamos num momento em que podemos fazê-lo, porque estamos confiantes e viemos de um jogo difícil contra o Japão”, garantiu Ancelotti, reforçando a ambição da selecção canarinha.
Do lado norueguês, o discurso é de humildade, mas sem esconder a esperança. Stale Solbakken, seleccionador da Noruega, reconheceu o favoritismo brasileiro, afirmando: “O Brasil tem uma das melhores duplas de defesas deste torneio, dois jogadores que estão ao mais alto nível internacional. Haverá alguns duelos difíceis entre eles e o Erling, mas para mim é mais Brasil contra Noruega. O Brasil é favorito, claro que é, mas esperamos conseguir dar-lhes luta – e temos de estar no nosso melhor, caso contrário não temos hipótese.” Solbakken, que poupou vários titulares no último jogo da fase de grupos frente à França, viu a sua estratégia resultar ao eliminar a Costa do Marfim nos dezasseis-avos, mas admite que o desafio frente ao Brasil é “totalmente diferente”.
O histórico entre as duas selecções é curto, mas significativo: em 1998, no Mundial de França, a Noruega surpreendeu o mundo ao vencer o Brasil por 2-1 em Marselha. Agora, com Haaland a marcar metade dos golos noruegueses neste Mundial, a pressão está do lado brasileiro para contrariar a tradição de cair perante a primeira equipa europeia que enfrenta em eliminatórias desde 2002.
A expectativa é máxima para um confronto onde cada erro pode ser fatal. O Brasil sabe que uma eliminação precoce seria um desastre nacional, enquanto a Noruega joga sem pressão, pronta a escrever uma das maiores surpresas da história do futebol mundial. Se Gabriel e Marquinhos conseguirem estancar o poderio físico e a eficácia de Haaland, o Brasil cimenta a sua candidatura ao título. Caso contrário, a história poderá repetir-se — com o gigante sul-americano a ser tombado pela eficácia escandinava.
O apito inicial está marcado para as 21h (hora do Reino Unido) e o jogo poderá ser acompanhado em directo na ITV1 e em streaming através do ITVX. Com ambos os treinadores a jogar o jogo psicológico, a noite promete ser de tensão, táctica e, sobretudo, imprevisibilidade. O vencedor segue para os quartos-de-final, onde o sonho do Mundial permanece vivo — para o derrotado, restará apenas a frustração e o sabor amargo da eliminação.
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