Enzo Maresca assume Manchester City após era de domínio de guardiola

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Enzo Maresca acaba de abalar o mundo do futebol inglês ao assumir o comando técnico do Manchester City, encerrando assim uma era marcada pelo domínio avassalador de Pep Guardiola. O italiano, que rubricou contrato de três anos com os citizens, chega ao Etihad Stadium com um passado recente recheado de títulos e um estilo de jogo inovador que promete revolucionar o campeão inglês.

Maresca, antigo adjunto de Guardiola, destacou-se primeiro na equipa sub-21 do Manchester City, antes de orientar o Leicester City à conquista do Championship em 2023, elevando a fasquia do futebol na segunda divisão inglesa. Apesar de perder peças-chave como Kasper Schmeichel, Wesley Fofana, Harvey Barnes, James Maddison e Youri Tielemans, o treinador italiano conseguiu não só o melhor ataque, mas também a defesa menos batida do escalão, o que sublinha a sua capacidade de reinventar plantéis e extrair o máximo rendimento dos jogadores disponíveis. Após devolver o Leicester à Premier League, Maresca rumou ao Chelsea, onde rapidamente se tornou uma figura de proa: devolveu os blues à Liga dos Campeões, conquistou a primeira Conference League do clube e, já em 2025, ergueu o Mundial de Clubes nos Estados Unidos, atropelando o poderoso Paris Saint-Germain de Luis Enrique.

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A saída abrupta do Chelsea em janeiro, apesar de um contrato de longa duração, aconteceu devido à irresistível oportunidade de assumir o projeto do Manchester City e suceder diretamente a Guardiola, uma decisão que acabou por deixar os blues à deriva e a terminar a Premier League no modesto décimo lugar. Este contexto confere ainda mais pressão e expectativa sobre Maresca: o italiano não só herda o legado de Guardiola, como tem de corresponder ao padrão de excelência a que o City habituou os adeptos ingleses e europeus.

No que toca ao modelo de jogo, Maresca é adepto de um sistema 4-2-3-1, privilegiando a posse de bola, circulação em zonas centrais e movimentações constantes para criar espaços e ferir o adversário. A filosofia é semelhante à de Guardiola, mas com nuances próprias que já provaram eficácia em ambientes competitivos distintos. Com um plantel recheado de talento, especialmente no meio-campo, tudo indica que Maresca conseguirá implementar rapidamente as suas ideias. No entanto, há um grande dilema na baliza. Gianluigi Donnarumma terminou a era Guardiola como titular indiscutível, com 15 jogos sem sofrer golos na Premier League, sendo um dos melhores do mundo entre os postes, mas menos confortável a jogar com os pés. Por outro lado, James Trafford, formado no clube, destacou-se como guarda-redes das taças e é muito mais competente com a bola nos pés, perfil que encaixa na perfeição nas exigências tácticas de Maresca.

Durante o seu percurso no Leicester, Maresca apostou em Mads Hermansen como guardião titular precisamente pela sua capacidade de integrar a construção desde trás. Já no Chelsea, adaptou o sistema para acomodar Robert Sánchez, menos dotado tecnicamente, provando que consegue ajustar-se ao material humano disponível. Resta saber se Maresca privilegiará a segurança de Donnarumma ou a versatilidade de Trafford, sendo este último também seu protegido nos tempos da academia do City.

No sector defensivo, o treinador italiano recorreu, quer no Leicester, quer no Chelsea, ao conceito do lateral invertido, sobretudo à direita, com jogadores como Ricardo Pereira, Hamza Choudhury, Reece James e Malo Gusto a assumirem este papel híbrido entre defesa e médio. No City, Nico O’Reilly, também ele antigo comandado de Maresca na formação, perfila-se como o candidato ideal para esta função, depois de já ter dado nas vistas como defesa-esquerdo, nomeadamente ao apontar um bis na final da Taça da Liga frente ao Arsenal. Com pequenos ajustes tácticos, O’Reilly poderá transformar-se num dos pilares do novo City.

Do lado direito, o cenário aponta para um trio defensivo composto por Nunes, Guehi e Gvardiol, com o lateral a fechar por dentro e a formar uma linha de três em posse, aumentando assim a superioridade numérica no meio-campo e a estabilidade na saída de bola.

Questionado sobre o seu novo desafio, Maresca não escondeu a ambição e a responsabilidade: “Sei perfeitamente o peso deste cargo e a herança de Guardiola, mas estou preparado para escrever uma nova página na história do Manchester City”, afirmou o técnico italiano na sua apresentação oficial, mostrando-se confiante de que poderá manter o clube no topo do futebol europeu.

O futuro imediato do Manchester City será marcado por uma pré-época intensa, onde Maresca terá de tomar decisões cruciais, especialmente na baliza e na consolidação do novo modelo táctico. O italiano sabe que não há margem para erros num clube habituado a ganhar tudo e que a fasquia, depois de Guardiola, está nas nuvens. Os adeptos aguardam com expectativa para ver se Maresca conseguirá não só dar continuidade ao sucesso, mas também imprimir a sua própria identidade e, quem sabe, levar o City a novos patamares de excelência. Uma coisa é certa: o reinado de Maresca em Manchester promete ser tudo menos aborrecido.

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