A eliminação de Portugal do Mundial 2026 ficou selada em Dallas, perante 70.649 espectadores, com uma derrota por 1-0 frente à rival Espanha, graças a um golo tardio de Mikel Merino que empurrou os espanhóis para os quartos-de-final e pôs fim ao sonho mundialista de Cristiano Ronaldo.
O encontro dos oitavos-de-final, marcado por uma exibição pálida dos campeões europeus, desenrolou-se sem grandes rasgos até aos minutos finais. Mikel Merino, lançado do banco, aproveitou com frieza no tempo de compensação uma assistência inteligente de Ferran Torres para bater Diogo Costa e garantir a passagem espanhola. Num duelo repleto de nomes sonantes, foi a eficácia do suplente espanhol a fazer a diferença, numa das poucas ocasiões de verdadeiro brilhantismo num jogo que ficou aquém das expectativas.

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Para além de afastar Portugal da competição, o resultado provocou uma reviravolta no comando técnico: Roberto Martinez demitiu-se do cargo de seleccionador nacional. Antes do jogo, Cristiano Ronaldo já tinha anunciado que este seria o seu último Campeonato do Mundo, acrescentando ainda mais drama ao desfecho. O capitão luso, visivelmente emocionado no apito final, despediu-se da maior montra do futebol internacional sem que a selecção conseguisse elevar-se ao nível de uma despedida digna da sua carreira lendária, que se estendeu por duas décadas.
Ronaldo foi, de resto, o único jogador português a obrigar Unai Simon a intervir com um remate enquadrado, enquanto a Espanha destacou-se pelo controlo absoluto e pela solidez defensiva. A equipa de Luis de la Fuente tornou-se mesmo a primeira da história dos Mundiais a somar seis jogos consecutivos sem sofrer golos, mantendo a sua baliza inviolável ao longo do torneio. Os espanhóis regressam assim aos quartos-de-final pela primeira vez desde o título conquistado em 2010, e vão defrontar a Bélgica, que goleou os EUA.
Os momentos decisivos do jogo sucederam-se em ritmo morno: logo aos 3 minutos, Oyarzabal obrigou Diogo Costa à primeira defesa; pouco depois, desperdiçou isolado. Aos 11 minutos, Ronaldo caiu na área após duelo com Rodri, mas o VAR nada assinalou. Diogo Costa voltou a brilhar aos 16, parando remates de Lamine Yamal e Baena. Aos 37, Ronaldo quase marcou após assistência de João Félix, mas Simon defendeu. Nuno Mendes ainda assustou com um remate à barra, e Bruno Fernandes falhou o alvo aos 76 minutos. O golpe de misericórdia chegou já nos descontos, com o golo de Merino.
Cristiano Ronaldo despede-se assim da competição com um recorde inédito: marcou em todas as seis edições em que participou, tornando-se o único a consegui-lo. O antigo internacional inglês Chris Sutton, agora comentador, disparou duras críticas à prestação de Ronaldo e Roberto Martinez no rescaldo da eliminação. Em declarações à BBC Radio 5 Live, afirmou: “Ele [Ronaldo] anda a arrastar-se pelo campo como um avô, é por isso que Portugal está fora. Ronaldo não faz nada: não fez nada. O que está Roberto Martinez a fazer? Como se pode favorecer tanto um jogador? Portugal está fora por causa de Roberto Martinez.”
Com a era Martinez terminada e Ronaldo a despedir-se do palco mundial, Portugal enfrenta agora um novo ciclo, com a necessidade de reconstrução e reflexão profunda sobre o futuro imediato da selecção. Já a Espanha prepara-se para medir forças com a Bélgica, embalada pela sua consistência defensiva e pela esperança renovada de repetir o feito de 2010.
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